Tímida (por @RenatoKress)

paris poirey01Ela era tímida. Assim dizia Ivan, aquele circunspecto cigano acampado há três semanas atrás da casa de Isabela. A Magia de verdade era tímida. Nunca pôde, em toda a história da humanidade, ser demonstrada. Era intrinsecamente pessoal, intransferível. Era engraçado que ela quisesse aprendê-la nas noites entre uma história e outra, entrevendo vultos e sorrisos enigmáticos através das labaredas da fogueira de Ivan. Seus excessos em colares, em pedras, cordões, pulseiras, moedas, amuletos, por trás da cortina de chamas mesclavam-se com as estrelas no firmamento. Talvez sua pele escura, ela não sabia, de qualquer modo o fogo a enegrecia e se fazia perder num conjunto de pequenas fulgurâncias até que toda pele desnuda do cigano era uma com a noite e seu sorriso se tornasse uma meia lua sob dois eclipses. Essas eram as noites de Isabela atrás de sua casa, no final do quintal onde havia acampado Ivan, há três semanas.

Estava determinada a ver a tal Magia. De uma infância desencantada, não queria perder a cada dia mais e mais do pouco que tivera. Por isso escondia Ivan de seus pais, dissera à mãe, mais perceptiva e desconfiada, que havia adotado um cachorrinho: “Papai não gosta de bicho, a senhora sabe.”

A cada dia uma estratégia nova para as noites das histórias de Ivan. Mamãe não poderia saber, papai nem sonhar. Com toda alma nômade derramavam-se longas horas como um feixe multicor de símbolos e significados intrincados, de lições internas independentes das histórias, de figuras loucas e sábias. (…)

Leia o conto na íntegra clicando aqui.

Renato Kress é carioca. Sociólogo com habilitação em ciência política e antropologia (PUC-Rio). Treinador de empresas. Diretor do Instituto Atena. Coordenador de conteúdo da revista eletrônica www.consciencia.net. Escritor e contista.

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