Teologia da Libertação

Tenho me surpreendido comigo mesmo, ao ler alguns textos de Teologia da Libertação. Confesso que cheguei meio desconfiado, ou muito desconfiado, mas aos poucos, vou compreendendo o por que desta denominação. Por que Teologia da Libertação.

Por que pode haver, e há, de fato, esta Teologia que liberta, e como e que liberta. Por que liberta. Como tem libertado e continua nos libertando, a tantas pessoas pelo mundo afora.

Creio que a minha maior experiência nesse sentido, tem sido, e continuam sendo, os textos do Padre José Comblin, a quem tive a graça de conhecer e acompanhar, em várias reuniões do grupo que ele animava em João Pessoa, Paraíba.

A leitura destes livros, individualmente e em grupo, foi me abrindo para a compreensão de que há, de fato, um saber teológico ancorado na história, na perspectiva de humanização da vida, e que Teologia, na perspectiva do Padre Comblin, é aberta, como a comunidade cristã. Não é sectária, não é reduzida aos crentes ou professadores de uma certa religião.

Fui me sentindo incluído nas palavras deste teólogo e sociólogo que falava de Jesus e do seu caminho, o caminho do amor. Não falava apenas desde o intelecto, mas desde o coração.

Na medida que fui me incorporando ao estudo das suas obras, fui sentindo, como sinto agora, uma leveza. De fato, uma libertação, uma sensação de liberdade. E o que pode ser mais apreciado para nós, humanos, do que a liberdade, a libertação?

Os textos de Comblin são um convite para uma vida renovada pelo amor, o centro e a razão de ser do existir humano. Isto para mim era novidade, achava que os padres cuidavam das coisas do céu, afastadas do dia a dia, muito longe da existência individual de cada pessoa. No caso de Comblin, não é assim, ao contrário.

A leitura dos textos de Comblin vai nos trazendo para mais perto de um Reino de Deus que se encontra no aqui e agora, que pode ser habitado concretamente por cada um de nós, se nos abrirmos para o amor, se fizermos do amor o centro, o eixo e a razão da nossa vida.

Não se trata de virar as costas para a realidade de que fazemos parte, mas, ao contrário, o desafio é tratar de nela encontrar, na situação e realidade que nos toca viver, sementes do reino de Deus, sementes de eternidade, elementos que nos conduzam ao encontro de nós mesmos.

Por isto, agora posso dizer que entendo por que esta Teologia se chama da Libertação. Traz-nos para a vida, nos resgata da inexistência, do isolamento, da vacuidade. Centra-nos na nossa condição de sujeitos individuais, não genéricos, únicos, não repetidos, autônomos e responsáveis, capazes de sermos os construtores da nossa própria vida individual e coletiva.

Entendo que há várias vertentes desta Teologia da Libertação, mas a minha pretensão é operacional. Serve-me o que serve. Pego o que liberta de fato. Não pretendo me tornar um especialista nisto e nem em outra coisa qualquer. Quero a vida, a vida nova, e ela vem chegando.