Superando a vitimização

Você só tem sofrido, ou tem crescido com seu sofrimento? A pergunta se repete três vezes. Você só tem sofrido, ou tem crescido com seu sofrimento? Você só tem sofrido, ou tem crescido com seu sofrimento?

Quando a gente escuta esta pergunta, o importante não é tanto a resposta que se possa dar, de imediato ou depois. Nem sequer importa muito –na minha compreensão neste momento—se de fato a pergunta for respondida ou não. Importa, ao meu ver, o acolhimento da pergunta.

A Terapia Comunitária Integrativa começa com o acolhimento, nas rodas. Alguém nos recebe, alguém pergunta o nosso nome. Escutamos histórias de problemas, e tentativas de resolução, ou resoluções de fato, ou formas de aprendizado que as pessoas desenvolvem para conviver com o que não podem mudar, com o que não podem superar.

Mas agora, neste momento, ao que gostaria de continuar a me referir, é ao acolhimento da dor, do sofrimento. E o que este acolhimento é capaz de nos proporcionar. Pode parecer masoquismo que alguém diga que devemos acolher a dor.

Podemos estar acolhendo, em verdade, um fato doloroso ou muitos fatos dolorosos da nossa vida, no sentido de dizermos: sim, isto aconteceu. E eu fui capaz de sobreviver. Eu fui capaz de dar a volta for cima.

Ou: eu não estou podendo modificar algo na minha atual circunstância de vida, que me faz sofrer, e estou tendo que aprender a conviver com o que não posso modificar. Em todos os casos, saímos de uma postura de vítima, para uma de co-responsabilidade.

Eu tenho que conviver com algo que me faz sofrer e não posso modificar. Não posso modificar o fato, a circunstância, talvez, mas posso mudar a minha atitude interior. Posso ao invés de rechaçar pessoas com as quais devo conviver, e cujos atos ou atitudes me incomodam, olhando desde outro ponto de vista.

Isto não é para criar um conformismo, uma acomodação, mas para me libertar da reação, do reativismo, que me aprisiona. Voltando à pergunta do começo: cada pessoa tem dentro de si, um cabedal de recursos interiores que usou ao longo da sua vida, para chegar até onde está, para vir a se tornar a pessoa que é.

Ou, melhor dizendo, como Paulo Freire, a pessoa que estamos sendo. Esses recursos interiores são os que vão nos dando a certeza de que nós podemos. É o giro interior: eu pude, eu posso. Não que eu possa sozinho, nunca se é sozinho. Tudo se supera em comunidade, na união com outras pessoas.

Muito esse texto, são reflexões importantes para o nosso crescimento pessoal.Obgda

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