Sudão do Sul: ONU alerta para marcha de jovens armados para a cidade de Bor

Fugindo da violência em curso, população procura abrigo em complexo da missão da ONU, a UNMISS. Foto: UNMISS/Rolla Hinedi

Fugindo da violência em curso, população procura abrigo em complexo da missão da ONU, a UNMISS. Foto: UNMISS/Rolla Hinedi

A missão de paz das Nações Unidas no Sudão do Sul manifestou neste domingo (29) preocupação com relatos de que um grande número de jovens armados estariam se deslocando para a capital do Estado de Jonglei, Bor, e apelou a todos os que têm influência para convencê-los a suspender imediatamente o seu avanço e evitar o agravamento da crise atual.

A missão (UNMISS) disse em um comunicado que os jovens estariam se movendo em todo o Estado já há algum tempo, com a possível intenção de atacar comunidades na cidade. A missão realiza voos de reconhecimento sobre Jonglei para ter uma ideia mais clara do número de jovens armados e a direção em que estão indo.

O Sudão do Sul, que conquistou sua independência após a separação do Sudão, há dois anos, tem sido envolvido em um conflito cada vez mais marcado por denúncias de violência étnica. Mais de mil pessoas morreram e pelo menos 122 mil foram deslocados desde que os confrontos começaram, duas semanas atrás, com cerca de 63 mil pessoas se refugiando em bases da ONU no país.

O conflito começou após o governo do presidente Salva Kiir afirmar que soldados leais ao ex-vice-presidente Riek Machar, demitido em julho, ter promovido uma tentativa de golpe de Estado. Kiir pertence ao grupo étnico Dinka e Machar ao Lou Nuer. Os jovens marchando em Bor são leais a Machar, segundo informações da imprensa.

O envolvimento destes jovens armados na violência em curso poderia acrescentar um “ingrediente volátil e imprevisível” na precária situação de segurança atualmente vigente no país, colocando as vidas de civis desarmados em um risco ainda maior, alertou a Missão da ONU.

“O Sudão do Sul não precisa de outra escalada da crise envolvendo jovens armados, lançando comunidades contra comunidades. Isso pode acabar em um ciclo vicioso de violência”, disse a representante especial do secretário-geral e chefe da UNMISS, Hilde F. Johnson.

Johnson tem estado em contato permanente com diversos líderes políticos e comunitários, apelando para o diálogo.

“A UNMISS exorta todas as partes que podem exercer influência sobre os jovens armados a convencê-los a suspender imediatamente o seu avanço”, disse a missão. “Para evitar mais derramamento de sangue, esses jovens deveriam voltar para suas cidades, vilas e campos de gado para evitar uma nova escalada da crise no Sudão do Sul.”

A UNMISS reiterou o seu apelo para o diálogo entre representantes do governo e de Machar, de modo a alcançar uma solução pacífica para a crise atual.

Governo afirma que marcha foi suspensa

Segundo a imprensa internacional, citando um porta-voz do governo, os milicianos suspenderam a ofensiva em direção a Bor.

“Segundo nossas fontes, os chefes locais convenceram os jovens e a maioria voltou para casa”, disse o porta-voz, citado pela imprensa. “A menos que ocorra outra coisa (uma nova mobilização), parece que a situação vai se acalmar.”

Os líderes da África Oriental deram nesta sexta-feira (27) o prazo até 31 de dezembro para que Machar e Kiir iniciem conversações diretas com o objetivo de pôr fim aos combates.