STF fica ainda menor: Gilmar Mendes cede à chantagem dos EUA

“A autofagia causa insegurança jurídica e é contrária, não a quem praticou o ato, mas à instituição. Sai menor o Supremo.”

A frase é do ministro Marco Aurélio Mello, que já presidiu efetivamente o Supremo Tribunal Federal e hoje é o presidente moral: encarna o espírito de Justiça que ninguém consegue vislumbrar nas decisões, declarações e intenções do presidente efetivo.

Nesta terça-feira (22), Gilmar Mendes, por três bilhões de motivos, fez a infelicidade de um menino de nove anos e de 193 milhões de brasileiros.

A do menino, porque será separado dos parentes que identifca como sua verdadeira família e da irmãzinha querida, para viver com um pai que mal conhece, num país estranho e frio.

A de nós, brasileiros, porque Mendes agiu em nosso nome ao cassar em tempo recorde a liminar de Marco Aurélio, que resguardava Sean da vil razão de Estado.

A celeridade foi a mesma de quando ele respondeu à prisão do banqueiro Daniel Dantas com uma metralhadora de expedir habeas-corpus.

Com isto, Mendes nos emasculou e tornou indignos: todos os brasileiros carregamos agora o estigma de havermos sacrificado um inocente à chantagem de um senador estadunidense, sem conceder-lhe sequer o direito de ser ouvido antes da condenação.

Fica estabelecido que, quando qualquer país ou cidadão estrangeiro quiser impor sua vontade ao Brasil, basta recorrer ao Supremo, associando ao pleito uma ameaça de grandes proporções.

Já lá se vão quatro décadas que um dos temas da inesquecível peça teatral Arena Conta Tiradentes fez este diagnóstico terrível: “Eu sou brasileiro, mas não tenho meu lugar,/ pois lá sou estrangeiro, estrangeiro no meu lar./ A quem não é de lá, essa terra tudo dá,/ essa terra não é minha, é de quem não vive lá”.

Agora, até nossos menores estamos dando. Atendendo às conveniências dos exportadores, vamos colocar Sean num contêiner e o despacharemos para os EUA, como mais uma mercadoria exportada.

E, para nosso incomensurável opróbrio, o fornecedor especificado não será “Gilmar Mendes”, nem “STF”. Será “Brazil”.

Mas a lei da natureza diz que filho tem que estar com pai e não com avó. Avó que já cuida da irmãzinha órfã. O pai não parece tão frio quanto você descreve, já que manteve o quarto do Sean da mesma forma desde 2004. Seu filho veio passear com a mãe no Brasil e não voltou mais para casar-se com outro. Pelas aparentes circunstâncias eu voto pela permanência do filho com o pai e não concordo que o governo brasileiro venha pagar passagens para a avó ir visitar o neto nos EUA, ela que pague com seus recursos. Acho que a mídia está exagerando tentando mostrar a avó como vítima. Certamente dará um filme com um roteiro bem holywoodiano.

  • NÃO CONCORDO COM O COMENTÁRIO ANTERIOR, PORQUE O MENINO ESTÁ NO BRASIL A MUITO TEMPO, O PAI DEVERIA TER IMEDIATAMENTE PROCURADO O GAROTO SEGUNDO EM ENTREVISTA O TIO AFIRMA QUE O PAI NÃO O PROCUROU´,SÓ APÓS A MORTE DA MÃE.
    NO MÍNIMO A JUSTIÇA ENTÃO DEMOROU DEMAIS TOMAR UMA DECISÃO.SERÁ QUE ESSE PAI QUERIA MESMO O FILHO OU SERÁ QUE QUERIA MÍDIA? TEVE ATÉ EMISSORA DE TV SE METENDO NO MEIO, PORQUE ENTÃO GILMAR MENDES DESALTORISOU MARCO AURELIO MELLO, SUSPENDENDO A LIMINAR QUE GARANTIA O MENINO ATÉ A VOLTA DO RECESSO, QUE FOSSE TOMADA UMA DECISÃO MAIS TRANQUILA, MENOS CORRIDA PARA O MOMENTO.
    QUE GILMAR MENDES SE MECHEU RÁPIDO É FATO E QUE TINHA PRESSÃO POLÍTICA TAMBÉM É FATO COINCIDÊNCIA OU NÃO ESTOU ENVERGONHADO E QUERO VER GILMAR MENDES FORA DO SUPREMO, LÁ NÃO É LUGAR DE POLÍTICO NÃO.ESSA JUSTIÇA NÃO É CEGA , ENCHERGA E MUITO, MUITOS BILHÕES, R$R$R$R$

  • Discordo frontalmente, caro Celso. Neste caso, o abominável Gilmar Mendes não fez a minha infelicidade – e acho um exagero afirmar que fez a infelicidade de 193 milhões de brasileiros. Essa “comoção nacional” pela guarda do menino Sean não passa de patriotada barata. Se o americano é o pai biológico do garoto – que, aliás, foi “sequestrado” pela mãe com a conivência da família e levado ao Brasil sem o seu conhecimento – tem todo o direito de ficar com ele e criá-lo até que ele faça 18 anos e decida com quem vai morar. É uma constatação ridiculamente óbvia! Não me parece necessário fazer tanto contorcionismo mental para chegar a esta conclusão…

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