Sinal verde para as cotas raciais. E PARA AS COTAS SOCIAIS TAMBÉM!

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Foi um arraso: por 10×0, o Supremo Tribunal Federal confirmou a constitucionalidade das cotas raciais em instituições de ensino público.

Entre votos entusiásticos, meramente  maria-vai-com-as-outras  e um ranzinza (Gilmar Mendes), prevaleceu o conceito de que deve haver alguma desigualdade a favor de algumas das vítimas da desigualdade básica do capitalismo.

“Eu assisti de camarote…

Muito se discutiu sobre o  acessório, desde que os reacionários repulsivos do DEM e algumas celebridades cuja verdadeira preocupação nunca foi a cor da pele, mas sim a cor dos holofotes globais, encamparam a bandeira levantada por Ali Kamel, diretor de jornalismo da Rede Globo, no seu livreco Não somos racistas.

Não perderei tempo com retórica de conveniência, como a do jornal da  ditabranda  no seu editorial de reação (acesse aqui) a esta derrota acachapante da desumanidade neoliberal –tão cara a seu  diretorzinho  de redação por  mérito  de herança…

O fundamental  é que se tratou de mais uma contenda entre solidários e exclusivistas, entre pessoas que querem ajudar as outras pessoas e pessoas que querem que as outras pessoas se danem, cada um por si e o diabo por todos.

De tudo que rolou numa 5ª feira memorável, o principal foi esta declaração do relator do caso, Ricardo Lewandowski: a decisão do STF “confirmou a constitucionalidade das ações afirmativas para grupos marginalizados como um todo“.

…o teu fracasso,
palhaço, palhaço!”

Ou seja, cotas sociais também são constitucionais, e em todo o ensino público.

Por crassa cegueira ideológica, há esquerdistas  blasés  que torcem o nariz para uma conquista que mobilizou intensamente o movimento negro e abrirá caminho para muitas outras lutas por mais justiça social.

Essa gente vive enclausurada na torre de marfim de suas convicções sectárias, sem nunca levar em conta que precisamos acumular forças de todas as maneiras íntegras e somar forças com todos os que nos são afins se quisermos transformar em profundidade a sociedade.

Ora se desdenham os defensores de direitos humanos que tantos companheiros ajudaram a salvar durante a ditadura militar, ora o movimento negro que tem tudo a ver conosco, ora os jovens valorosos que confrontam o autoritarismo na USP.

Como não existe revolução do eu sozinho, os que concorrem para a pulverização de forças jamais vão fazer revolução nenhuma.

Mas atrapalharão –e muito!– os esforços de quem está realmente empenhado em fazer a revolução.

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