Saúde Mental Comunitária

Haviam passado já algumas horas, talvez mais tempo, não sabia. Algumas coisas muito importantes nas nossas vidas, às vezes permanecem em nós como que abafadas por algum tempo, até brotarem e darem frutos.

Peguei o hábito de escrever algumas experiências em saúde mental comunitária, desde o ano de 2001, quando comecei a acompanhar a minha esposa Maria, Ana Vigarani, Djair e algumas outras colegas da militância cristã de base, que fazem trabalhos em saúde nos bairros de João Pessoa, como José Américo e Alto do Matheus.

Aprendi muitas coisas. Na verdade, comecei como que a me trazer de volta nessas jornadas, aparentemente tão distantes do que seria a sociologia. De fato, verdadeiras imersões num esforço coletivo, muito pouco visível, mas efetivo, de construção de redes solidárias, de formação de vínculos.

Agora, percebo que não foram algumas horas, mas fazem já mais de dois dias desde o retorno de Lagoa Seca, onde participei da formação de uma turma de terapeutas comunitárias e comunitários. Estes dias passados com estas pessoas, foram de grande significação para mim. Já disse isto antes, mas repito.

Não tem nada de mais com as repetições. Às vezes é necessário repetir algumas coias que vivemos, para que fique gravado em nós o fruto destas experiências. Um dos momentos que mais me ficou gravado na memória, foi a conversa na primeira noite, em que cada uma, cada um, falamos um pouco das nossas vidas, do que nos trouxe para a Terapia Comunitária.

Os dias foram passando. As jornadas indo uma atrás da outra. O som da musica de manhã, acordando todo mundo para as vivências. Os cafés da manhã no refeitório, onde podiam ser vistas artesanias no muro do lado direito, feitas em barro, muito belas. O jardim central, onde, embaixo de uma planta, uma gata amamentava uns gatinhos.

A estatua da virgem no centro, com uma criança ao lado. A capela. Os corredores. Os jardins externos, cheios de flores e árvores. Os dias passados, um atrás do outro. E hoje, depois da despedida na pizzaria em Campina Grande, uma despedida que não é despedida, e sim o selo de uma amizade construída e em construção.

Share

Comentários

comentários

Sou Terapeuta Comunitária. Gosto dos textos do Rolando principalmente por sua suavidade e fonte de reflexões.
Parabéns, ABRAÇOS TERAPEUTICOS,
rAIMUNDINHA-sÃO luís-MA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *