Revolução Árabe: capital brasileiro sob ameaça

Agora é na Líbia. Manifestantes teriam colocado fogo em prédios públicos. O ditador Muammar Kadaffi ordenou bombardeios aéreos contra a população revoltada. Em meio a tudo isso, a imprensa destaca a situação de 130 empregados brasileiros da construtora Queiroz Galvão. Há pedidos para que a Força Aérea Brasileira os retirem de lá.

Isso nos faz lembrar que não são apenas os interesses do imperialismo americano e europeu que podem ser atingidos pelas revoluções no mundo árabe. O grande capital brasileiro está presente no Oriente Médio desde a época dos militares. Uma aproximação que fazia parte do rompimento da ditadura com o alinhamento automático aos Estados Unidos. Desde então, a presença de capital brasileiro na região só cresceu.

Entre 2003 e 2009, as transações comerciais entre o Brasil e países do Oriente Médio passaram de US$ 4,4 bilhões para 10,6 bilhões. Os negócios envolvem principalmente a construção civil, com forte presença das empreiteiras Andrade Gutierrez, Odebrecht e Queiroz Galvão. Mas, empresas como a Brasil Foods (Sadia e Perdigão), Vale do Rio Doce, Tubos Tigre, Boticário, Via Uno e Arrezzo também estão por lá.

A presença empresarial brasileira inclui a polícia de Kadaffi. Os veículos projetados para reprimir manifestantes foram feitos aqui. São fabricados pela Centigon Brasil, filial brasileira da empresa americana O’Gara-Hess & Eisenhardt.

Não se sabe ao certo como vai acabar a onda de revolta nos países árabes e islâmicos. O ideal seria que as ditaduras e seus apoiadores capitalistas fossem devidamente castigados. E que tanto o imperialismo veterano, como o “imperialismo jr.” brasileiro fossem derrotados.

_____________________________
(Outros textos do autor aqui)

  • Revoluções no Mundo Árabe: Epidemia da Força Popular
    Allan Mahet

    A queda de dois regimes ditatoriais no Oriente Médio/Norte da África proporcionou algo pelo qual o povo esclarecido e pensante do mundo aguardava, um exemplo. Um exemplo de movimento popular legítimo bem sucedido e longe de servir como massa de manobra. A confiança na vitória alimentou os anseios da população de diversos países que avançam sobre o poder instituído.

    Na Líbia, onde Muammar Khadafi (Gadhafi, Kadafi, etc.) está há 42 no poder, os protestos que reivindicam a saída do ditador, liberdade de imprensa, diminuição da pobreza e mais empregos estão sendo violentamente reprimidos, resultando em cerca de 1000 mortes até agora. Na Líbia, a pobreza extrema atinge cerca de 7,5% da população e 1/3 dos jovens não possuem condições de entrarem no mercado de trabalho.

    (…)

    Sua trajetória nessas quatro décadas não e de fácil leitura. O golpe que lhe colocou no poder deu fim à monarquia até então vigente. Logo de início Khadafi (Gadhafi, Kadafi, etc.) exigiu a retirada das bases militares norte-americanas e inglesas do país o que lhe conferiu bastante prestígio junto à esquerda mundial. Também proporcionou maior participação às mulheres na sociedade e mais tarde institui os comitês populares. Já esteve ao lado dos palestinos e depois os expulsou do país. Já comprou briga com Ronald Regan, mas se aproximou de Bush posteriormente. Apoiou movimentos de resistência contra o imperialismo ocidental, mas defendeu os Estados Unidos na guerra ‘contra terror’ e o eixo de mal e agora afirma que está sendo atacado por esse mesmo imperialismo ocidental. Esse mesmo Estados Unidos, hoje, lidera a campanha contra o líder líbio, defendendo sanções contra o país, que irão marginalizar ainda mais a sofrida população da Líbia.

    http://amahet.blogspot.com/2011/02/revolucoes-no-mundo-arabe-epidemia-da.html

  • Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *