Reunião

unidadeAos poucos fora chegando, por vezes pensava que finalmente estava lá, na terra prometida. Fora chegando como um nadador insistente, por vezes cansado, à beira do mar, à ilha da paz e do amor, ao lugar onde deveria estar.

Esse lugar estava cheio de gente como ele, gente que vivia em consonância com um sentimento profundo de pertencimento, de solidariedade, de estarem juntos fazendo, em si mesmos e na vida ao redor, na sociedade, um lugar de paz para todos, para si e para os demais.

Essa ilha era um continente, um lugar imenso, o próprio universo. Chegara como tantos e tantas, talvez cansado, à beira da exaustão, com um fio de esperança, de que poderia haver uma luz, uma saída.

Descobrira então não estar só, fazer parte de um coletivo, de uma humanidade em busca de si mesma. Se ainda não tiveres descoberto (mas sei que hás de saber já), essa ilha, esse lugar, é o lugar onde estás, a vida que levas, a família de que fazes parte.

A consangüínea e a outra, a maior, a infinita, por afinidade. A que pulsa contigo ao começar o dia, com o canto dos pássaros e a luz do sol que vem iluminar todas as coisas. Esse lugar és tu mesmo, que te trazes de volta cada vez que pareces estar a ponto de te perder outra vez.

Cada vez que te perdeste no passado, foi para chegar mais perto do lugar onde estás, o centro de ti mesmo, essa reunião de fios de eternidade onde se costuram as terras onde nasceste e vives agora. Os lugares onde passaste, os rostos que viste, os cheiros e montanhas e mares e árvores e flores.

Tudo que viste e viveste, tudo que sentiste é isto que está aqui. És tu mesmo, uma arca de Noé que reúne todos teus passos dados e os que inda irás dar antes de dar o passo final para a infinitude que há em ti e ao teu redor e da que nunca deixaste, nunca poderias deixar de ser parte.