Recuperação da vida

roda de TCIGostaria de tecer algumas considerações acerca de uma prática social vastamente difundida no Brasil, e já também em outros países da América Latina (Uruguay, Argentina, Chile), Europa e África. Trata-se da Terapia Comunitária Integrativa criada pelo Prof. Adalberto Barreto, cuja efetividade na diminuição do sofrimento mental vem sendo comprovada.

A forma de execução desta prática é simples: são rodas de conversa de pessoas, realizadas mediante a utilização de uma metodologia que permite que vá se criando uma espécie de amálgama entre as pessoas, uma dissolução das sensações de abandono e isolamento. Isto ocorre porque se pratica a escuta ativa: ao eu escutar o outro, me vejo, me reconheço, sinto que a minha dor e a minha história, e, portanto a minha capacidade de superação, são maiores do que quando me via isolado, quando achava que eu era o único a sofrer com este problema.

Creio que cada pessoa que tenha se integrado nesta roda da vida, na roda da Terapia Comunitária Integrativa, terá suas próprias opiniões e observações a fazer, acerca do que tem mudado na sua vida a partir desse contato. O que posso dizer é que, a partir do momento em que comecei a acompanhar a chegada desta tecnologia de diminuição do sofrimento mental em João Pessoa, alguma coisa começou a mudar dentro de mim radicalmente. Isto ocorreu em 2004.

De lá para cá, é como se tivesse começado um processo acelerado e contínuo de recuperação da minha própria identidade, da minha própria razão de ser e de existir. Lembro de alguns momentos marcantes: houve muitos. Nas Ocas do Índio, nos congressos da Terapia Comunitária Integrativa, nos cursos de Cuidando do Cuidador em Lagoa Seca, as formações em Sousa e em no Uruguay.

As sensibilizações em Reconquista, Santa Fé, e em Godoy Cruz, Mendoza, Argentina. A formação de uma turma de jovens terapeutas comunitários em Lagoa Seca, em 2012. São momentos inesquecíveis, porque nestes encontros, nestas junções de vidas que vão se re-encontrando, eu ia e vou recuperando a minha própria vida.