Recomeço

A queda do regime constitucional no Brasil (a sua substituição por uma legalidade de fachada) foi precedida por uma minuciosa destruição desse tecido tênue de que está feita a sociabilidade, a vida cotidiana.

Quebraram os mais elementares parâmetros de confiabilidade, sem os quais um país torna-se uma abstração. Uma massa manipulada a força de desinformação, ameaças, calúnias, difamação, uso partidista e personalista do aparelho policial e judiciário.

Tudo com a conivência de setores do parlamento que mantêm uma retórica oposicionista desmentida pelo fato da sua mera continuidade em cargos, respaldando a desgovernança atual.

Faço questão de dizer estas coisas, pois acho que somente um uso responsável e claro da palavra, uma revalorização do diálogo, uma limpeza da percepção, da consciência e da ação cotidiana, poderá refazer o Brasil, trazendo-o de novo para um caminho de existência decente.

O exercício da comunicação clara, pautada por uma intenção de construção positiva, deve voltar a ser o pão nosso de cada dia. Chega de praticar o duplo sentido, o duplo discurso. Chega de mentiras. Chega de traição.

Temos que deixar que um amor verdadeiro, ativo e vivo, conduza os nossos atos. Recomeçar a cada dia, ainda que com o cansaço que devemos vencer incessantemente. Não desistir da construção coletiva de laços solidários.

Insistir sempre na arte e na cultura, como redutos indestrutíveis, em que se apoia e se refaz o viver. Manter a nossa história pessoal, familiar e coletiva, diante dos nossos olhos, como uma fonte de aprendizado constante, donde a esperança possa se alimentar continuamente. Em fim, dar mais um passo. Um passo a mais cada vez.

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