Quem espera lutando é compensado

Segue o Povo curtindo o seu calvário. Dia vai, dia vem, e o quadro aperta. Mas, teimoso, insiste em ver aberta uma saída, um caminho solidário. Como é triste e perverso esse cenário! Desemprego se agrava, desembesta. Capital financeiro vive em festa. Moradia faltando a tanta gente, sem contar os barracos indecentes, perfilando a barbárie manifesta.

Os seus traços são tantos, colossais. Os direitos suprimem, até da Lei. Como vive a pobreza, já nem sei. Os salários encolhem sempre mais. A justiça do pobre: ineficaz. Violência impera em todo o canto, só o pobre vai preso, no entanto criminoso de posse: adeus cadeia! Mais e mais é a miséria que campeia. Não devemos, porém, viver em pranto.

Nesse início de ano, o nosso olhar se projeta, ansioso, ao não-vivido. E, nem sempre ao passado dando ouvido, pretendemos de vez tudo inovar. Bela idéia, se parto do “meu lar”. Vendo, então, meus limites de mudança, o meu “vôo” uma altura certa alcança, sem deixar esquecido meu talento. Desafios de monta encaro, enfrento, seja a onda do mar voraz ou mansa.

Ir em busca de pistas nos anima. Construir outro mundo vale a pena, a partir das ações simples, pequenas. Começar desde nós, não lá de cima. E assim, conspirando em novo clima, aguçando o olhar, nos damos conta de que algo de novo já desponta: o agir mercantil é superado pela ação da partilha – grande achado! – que ao poder capital fere e desmonta!

Movimentos rurais (também urbanos) não esperam de cima “a” solução, preferindo dizer “talvez” ou “não” ao Governo e aos seus ambíguos planos. Lutadores serenos, não insanos, vigilantes leitores do cenário – seja interno, externo, urbano, agrário… –, sem ficarem passivos, à deriva, vão tecendo uma agenda alternativa, refletindo o pensar do seu plenário.

Nos espaços também do dia-a-dia, de mil formas se espalham os sinais: na postura de quem se vê capaz de brigar pela sua autonomia, ou de quem, vendo o erro, denuncia, sem querer ser melhor do que ninguém; condição de igualdade só convém a quem cobra de todos compromisso de agir com critério não cediço, das ações de mercado indo além.

Quem aposta de vez numa mudança, não se cansa em buscar uma saída. Ensaiando vereda não-sabida, pouco a pouco, com fé, a gente alcança nossa meta central, sem mais tardança. Recobrando a memória do passado, e o tesouro que a todos foi legado, sem querer repetir a coisa feita, simplesmente ensaiando nova empreita: quem espera lutando, é compensado!

João Pessoa, 26 de dezembro de 2003.

(Escrito e publicado no Jornal Abibiman, nº104, Arcoverde-PE)

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