Professores da rede municipal do Rio decidem manter greve

greve_3

Janaína Carvalho (G1 Rio)

Em assembleia pública realizada na Cinelândia, no Centro do Rio, na manhã desta sexta- feira (27), professores da rede pública de educação votaram por unanimidade pela manutenção da greve da categoria.

“Entramos em greve no dia 8 de agosto por uma educação pública de qualidade. Temos uma pauta enorme que o governo sequer discutiu. A proposta enviada à Câmara prejudica a carreira de todos os profissionais da educação”, afirmou Susana Gutierrez, coordenadora regional do Sepe.

Ainda na tarde desta sexta, uma comissão formada por seis integrantes do Sindicado Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe) pretende ir à Prefeitura do Rio negociar com o prefeito Eduardo Paes para que ele retire o projeto enviado à Câmara.

“Queremos a retirada desse projeto de plano de cargo do prefeito. Ele formulou a proposta de forma individual, não houve a discussão com o sindicato, apesar dele ter se comprometido a fazer esse debate com a direção do sindicato antes de encaminhar para a Câmara. De posse desse conteúdo, verificamos que esse plano não aponta para uma valorização da categoria”, afirmou a coordenadora do Sepe Ivanete Conceição.

O policiamento está reforçado no entorno da Câmara dos Vereadores. Os motoristas não enfrentavam problemas no trânsito na região por volta das 12h.

Professores passam a noite na Câmara

Representantes do grupo de professores que ocupa, desde a tarde desta quinta-feira (26), o plenário da Câmara Municipal do Rio passaram a noite no local. Segundo a assessoria da Casa, há 50 profissionais de educação acampados dentro do edifício.
saiba mais

Prefeito do Rio assina emendas ao plano de carreira de professores
Professores pedem suspensão de votação do plano de carreira no Rio
Do lado de fora cerca de 200 profissionais de educação, que estão em greve, apoiaram os ocupantes da casa. Em um alto-falante, foi pedido para que permaneçam no local para proteger os ativistas, caso a Polícia Militar tente retirá-los do plenário. Cerca de 10 ativistas faziam, por volta das 20h, um ato discreto em frente ao Cine Odeon, onde será realizada, a partir das 20h50, a abertura do Festival do Rio.

Mais cedo, às 14h30, a sessão extraordinária que voltaria o Plano de Cargos e Salários da categoria, assinado pelo prefeito Eduardo Paes na quarta (24), foi suspensa devido ao tumulto causado pelo protesto. A próxima sessão está marcada para terça-feira (1º).

“Não vamos nos retirar enquanto não retirarem o plano do Eduardo Paes. Não vamos sair da Câmara enquanto a categoria não for ouvida”, disse um dos representantes dos profissionais de educação.

A sessão estava inicialmente marcada para começar às 14h30 e o protesto começou cedo, com manifestantes exigindo a apresentação de crachá das pessoas que queriam acompanhar a sessão, embora a PM tenha feito um cordão de isolamento para garantir o livre acesso ao prédio.
Três homens fantasiados fizeram sucesso entre os manifestantes. O já conhecido “Batman”, que foi detido na quarta por usar máscara durante protesto contra presos em manifestações, ganhou a companhia do “Saci-Pererê” e de “Jack Sparrow”.

Ao todo, foram distribuídas 70 senhas para os professores acompanharem a sessão, mas o sindicato que representa a categoria afirma que nenhuma foi recebida por eles. Em contrapartida, os manifestantes fizeram uma espécie de “corredor polonês” para barra a entrada no local.

No novo plano, está previsto gratificação de acordo com a formação. As medidas vão atingir 43 mil profissionais de educação ativos e inativos e terão impacto de R$ 3 bilhões em 5 anos. Neste período, o reajuste salarial dos professores poderá chegar até 60%.

Proposta do Sepe recusada

Segundo o prefeito, as emendas equiparam a remuneração de professores com a mesma formação e que exercem a mesma função. A proposta feita pelo Sindicato dos Professores (Sepe) foi rejeitada e considerada “inviável”.

“Pela proposta do sindicato, o professor se aposentaria ganhando R$ 130 mil. Eu concordo que o professor merece ganhar bem, mas tem que ser um salário que a prefeitura possa pagar”, disse Paes, na quarta (24). Os profissionais de Educação representam 60% dos servidores municipais.

Corte de ponto

Ainda na quarta-feira (25), o Tribunal de Justiça do Rio derrubou a liminar concedida ao Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação que impedia o corte dos dias parados e outras penalidades com a greve dos professores do município. Com a decisão da desembargadora Geórgia de Carvalho Lima, o município pode descontar os dias não trabalhados pelos grevistas.

O prefeito Eduardo Paes afirmou que ainda vai avaliar se cortará ou não o ponto dos grevistas.