Presidente Dilma Rousseff recebe membros da Comissão de Energia e Recursos Naturais dos EUA

John McCain e Dilma Rousseff, em janeiro de 2011, Brasília (DF).Em visita a América Latina desembarcaram no Brasil no último dia 10 de janeiro os senadores John McCain e John Barrassa, membros da Comissão de Energia e Recursos Naturais do Senado estadunidense.

O senador McCain é conhecido e reconhecido por suas ligações estreitas com empresas petrolíferas, destacando-se a companhia Hess – principal colaboradora de suas campanhas eleitorais – possuindo esta empresa, coincidentemente, atuação no Brasil controlando blocos – também por coincidência – na área do pré-sal excluída da nova legislação “nacionalista” e “estatizante”.

Oferecendo provas inequívocas de ética e etiqueta os dois parlamentares oposicionistas não mencionaram – segundo a imprensa – o tema petróleo durante a audiência presidencial, preferindo discursar a respeito da tradição do governo dos EUA em transferir tecnologia militar aos países da América Latina, a beleza arquitetônica de Brasília, a aceleração dos leilões do pré-sal. Não, este tema não foi abordado. O negócio ali era venda de aviões militares.

O único momento de constrangimento durante o educado e civilizado encontro ocorreu quando ao ser indagado de seu próximo destino respondeu o Senador McCain: “Vou a Colômbia acertar detalhes do Tratado de Livre Comércio”. Ruborizada, nossa mandatária balbuciou a palavra MERCOSUL, os visitantes não entenderam o estranho vocábulo, apesar dos esforços dos tradutores oficiais.

Dois parlamentares oposicionistas – incluindo um candidato derrotado à presidência da República – aparecem vendendo aviões de guerra e prometendo um contrato favorável ao Brasil. Francamente, haja crença na democracia dos EUA para acreditar nesta conversa. Esta visita aos governantes conservadores da América Latina – o roteiro inclui Colômbia, Chile, México e Panamá – neste momento de ampliação da extrema direita estadunidense, e justamente por destacados membros deste seguimento, deveria merecer no mínimo uma reflexão mais apurada.

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