Presente

fotoSinto necessidade de expressar minha profunda satisfação em ver tanta gente mobilizada por todo este Brasil afora, em defesa da democracia, da restauração da constituição, pelo retorno ao Estado de direito.

Em defesa dos direitos sociais e dos trabalhadores e trabalhadoras. Pelos direitos humanos. Em defesa dos direitos das minorias e das maiorias. Isto me da muita satisfação, e quero expressar a minha alegria, em ver todo este imenso país mobilizado. Trabalhadores rurais e mulheres.

Estudantes e LGBT. Centrais sindicais e movimentos sociais. Jornalistas e professores. E por aí vai. O vasto leque da cidadania sã, a cidadania que sabe conviver, que quer partilhar, que não tem medo a não ser o medo de se ter acovardado. Toda esta gente tem me contagiado uma velha sensação muito íntima, aquela que apenas se sente no meio a situações de conflito.

O Brasil está no meio a um dilema. Democracia ou ditadura? Não sabemos quem é que irá ganhar. Qual é a opção que finalmente irá prevalecer. Pode ser que vença a delinquência atualmente no poder, e também pode ser que vença a decência, a legalidade, a noção de um país includente. Isto não está claro.

Mas o que não posso deixar de dizer, uma e outra vez, é que me alegra muito ver todo este Brasil de pé, mobilizado, dizendo o que quer e o que não quer. Isto sara. Isto me sara. Velhas lembranças se fazem presentes. O dicionário interior se reorganiza. A escuta de si fica mais clara e simples. Presentificação.

Estar aqui. Ser isto. Palavras cruzadas. Há mais silêncio, e mais integração. Fluidez. Prioridades. O medo não pode ser tanto que paralise. O costume não pode anestesiar a percepção ao ponto de já não mais me ter de volta. A criança interior volta e volta. Está aqui. Quer brincar. É isto. Obrigado, Brasil!