Prenúncio V

“Prenúncio!” está dividido em seis prenúncios e o epílogo. Divulgaremos um por semana neste mesmo espaço. Todos estão reunidos no marcador abaixo. Poema de Roberto Peixoto, poeta popular

Eu vi a terra em agonia.
Eu vi o Paraíso distribuído em milhares de planetas habitados.
E que os humanos habitavam uma boa parte deles.
Eu vi a glória que tinham nesses dias em que o homem se impunha no reino inter-estrelar.
Eu vi as suas máquinas voadoras à velocidade da Luz;
e que tanto as suas armas,
como as de seus inimigos,
agora,
inter-galaxiais,
eram muito mais poderosas que as usadas no século XX de meus dias.
Eu vi os cientistas,
com os seus laboratórios,
quebrando moléculas,
ou seja,
separando as células na composição animal e vegetal.
E as colocando separadas em cilindros em seu estado mais primitivo onde se reproduziriam;
para,
em seguida,
as condicionarem em uma nave espacial,
onde,
separadas,
célula por célula,
molécula por molécula,
átomo por átomo;
e,
recebendo tratamento robótico;
farão viagens milenares.
Serão reintegradas em seus destinos às suas formas de corpos,
por outros cientistas,
engenheiros na arte da genética.
E assim viverão novamente.
E mesmo assim,
eu vi que esses,
em seus novos mundos,
um dia clamavam:
 Oh Deus,
o que foi que eu fiz de errado?

(*) O poeta popular Roberto Peixoto costuma ser visto na Lapa. Colabora com a Revista Consciência.Net desde 2005. Participa também do “Corujão da Poesia”, que acontece todas as terças-feiras, de meia-noite em diante, na livraria Letras e Expressões do Leblon. Contato: [email protected]

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