Prática do Padre José Comblin

Sua produção teológica e os projetos pastorais foram construídos a partir de uma apurada crítica aos sistemas políticos, econômicos e sociais que lhe eram contemporâneos. Tal crítica, associada não poucas vezes à ação da própria Igreja, tinha por intuito mostrar a contradição desses sistemas com a dimensão ético-social e eclesial mais profunda do Evangelho: o cuidado com os pobres. Esse cuidado, impulsionado pelos valores do Evangelho e pela força do Espírito presente e atuante na história, foi a marca da vida, da fé e das obras do eminente teólogo.

Nesse sentido, é figura simbólica para muitos cristãos e cidadãos espalhados pelo mundo, sobretudo na América Latina e no Nordeste brasileiro. Um dos grandes colaboradores da Teologia Latino-Americana da Libertação, com uma produção privilegiada em que se contam centenas de artigos e mais de setenta livros. Comblin foi um apaixonado pela causa libertária dos pobres, na perspectiva do seguimento de Jesus, o que abre perspectivas para reflexões sobre a identidade da fé cristã como também sobre critérios para o diálogo inter-religioso.

A diversidade e a amplitude dos temas analisados por Comblin, articulados de forma contextualizada com as diferentes áreas do saber (Filosofia, Antropologia, Sociologia, Psicologia, Economia e Ciências da Religião), nos permitem sistematizar sua reflexão a partir do diálogo entre Teologia Fundamental e as demais áreas da Teologia (Teologia Sistemática, Revelação na Sagrada Escritura e na Tradição cristã e a Teologia Prática). Trata-se de uma produção teológica relevante que oferece fundamentos não só para o trabalho pastoral, mas também para a produção teológica que privilegia a relação entre fé e vida, texto e contexto, Igreja e sociedade. A produção de teológica de Comblin é densa e contextualizada. E é essa segunda característica que nos permite falar de sua pertinência para os dias atuais. Comblin escrevia e refletia em seus escritos aquilo que vivia pessoalmente e que os destinatários de sua teologia, os pobres, viviam ou pudessem viver.

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Fonte: UNICAP – Centro de Pesquisa e Documentação José Comblin
(11-09-2019)

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