Porque a corrupção é sistêmica ao estado mental capitalista e captura também as esquerdas

por Evandro Vieira Ouriques

A corrupção é sistêmica ao ‘estado mental capitalista’ e também captura as esquerdas. Porque?

Porque o ‘estado mental capitalista’ apregoa como sua grande vantagem que ‘qualquer um’ pode ser ‘rico’ e que ser ‘rico’ é ‘a melhor coisa do mundo’ e o ‘objetivo supremo de um ser humano’.

Mas observem por favor: é ‘qualquer um” que pode ser ‘rico’; não ‘todos’. É assim que ‘todos’ são ensinados (pela pedagogia da opressão, pela concentração da propriedade de mídia, pela publicidade, etc.) a fazer o que puderem para ser este ‘qualquer um’, porque não ser este ‘qualquer um’ seria ser ‘infeliz’, um ‘derrotado’.

Então, grande parte de ‘todos’ faz exatamente isto, procurando -o tempo todo- esconder tal fato. Quando alguém ou um grupo quer derrubar outro alguém ou outro grupo faz vazar informações sobre a ‘corrupção’ do ‘outro’.

Por isso só há uma saída: uma nova visão de política, que seja psicopolítica; ou seja, na qual cada um faça continuamente uma revisão dos estados mentais de maneira a suprimir memórias psíquicas e valores comprometidos com o processo descrito acima.

A começar, por exemplo, pela eliminação dos estados mentais ‘desenvolvimentistas’, uma vez que são fatos concretos:

1. que a maior parte do que se considera ‘belo’ e ‘desejável’ é construído com o sangue e o sofrimento dos ‘perdedores;
2. e, que não existem recursos naturais para produzir os bens e serviços considerados ‘ricos’, ‘desenvolvidos’, ‘desejáveis’ para ‘todos’.

Este é o erro de apoiar o ‘desenvolvimentismo’. Pois é alimentar a ‘corrupção’. E, lembro, que este gravíssimo erro estratégico está sendo cometido também pelas esquerdas na tentativa de instauração do que seria o ‘socialismo’, entendido como a distribuição de tal ‘riqueza’ para todos, uma vez que é impossível fazer isto, como acabei de dizer, pois não existem recursos naturais suficientes para tal.

O que entendemos geralmente como ‘riqueza’ é o que a Europa produziu a partir do século XVI com os recursos saqueados através da colonização. Ou seja, o que é vivenciado como sendo ‘belo’ e ‘bom’, ‘elegante’ e ‘chic’ -e que as esquerdas querem distribuir para todos- é construído na maior parte das vezes com o sangue e o sofrimento dos ‘outros’, destes ‘outros’ mesmos que tantas vezes assim admiram a estética de seu próprio opressor; e a desejam, e fazem de tudo para tê-la, perpetuando assim o mesmo horror.

É por isso que venho dizendo desde o início dos anos 70 que precisamos ir além da ‘esquerda’ e da ‘direita’, do ‘capitalismo’ e do ‘socialismo’, na medida em que a crise ecológica, ou seja a crise da relação entre Cultura e Natureza, evidenciou que o problema é muito mais complexo do que o da acumulação de capital, uma vez que desde então estamos, ou deveríamos estar, conscientes de que o que está em risco não é uma classe, mas a própria espécie humana. O que demanda para sua compreensão uma outra Teoria Social e uma outra estratégia de ação política. A Psicopolítica da Teoria Social e a Gestão da Mente são minha contribuição para isso.

Espero ter sido claro, com amor, e a a alegria da gratidão, e.

..eu incluiria aí o estado mental em que o Sistema monetário é tão estabelecido por um sistema de crenças, como a religião por exemplo,tão internalizado que passa desapercebido pela grande maioria e visto como algo natural..

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