Por um passado atuante

A paisagem tradicional bíblica de José e Maria – que aparece montada em um burro – caminhando em direção à estrela de Belém, onde Jesus nasceria, não seria nada estranha se não fosse pelo extenso e alto muro que interrompe o seu caminho. Imagem: Banksy

A paisagem tradicional bíblica de José e Maria – que aparece montada em um burro – caminhando em direção à estrela de Belém, onde Jesus nasceria, não seria nada estranha se não fosse pelo extenso e alto muro que interrompe o seu caminho. Imagem: Banksy

Após as reflexões sobre o Holocausto, marcado todo dia 27, talvez devêssemos falar sobre o como o governo Vargas, que era antissemita (assim como outros muitos governos da região), não só impediu a entrada de milhares de judeus no país durante os piores momentos da humanidade como puniu funcionários do Itamaraty que se levantaram contra a eugenia oficial da época. Além, acrescenta-se, de lavar as mãos em relação aos membros do partido nazista no Brasil.

Isso serviria para refletir não só sobre um erro do passado, que condenou um sem número de pessoas à morte indiretamente por mãos “brasileiras”, mas para lembrar como é ruim construir um muro e promover o apartheid com base na etnia, além de se questionar por que uma sociedade trata estrangeiros europeus melhor do que haitianos ou nacionais da África.

O passado tem um caráter projetivo para o presente vivo, não poderia ser em hipótese alguma pretexto para fixar a História como se não tivéssemos nada com isso.