Política do “dedo nervoso” de Witzel amplia mortes e não combate crime organizado

A Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência e Segurança Pública e Direitos humanos lançou na semana passada manifesto contra a política do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). A rede reúne pesquisadores das universidades federais do estado foi criada no início deste ano, com o objetivo levar informações à população, para que as pessoas possam ter um entendimento crítico da prática do “liberou geral’ e do “dedo nervoso” de Witzel – a pretexto de combater o crime –, nas palavras da pesquisadora Jaqueline Muniz, professora de graduação em Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Jaqueline diz que as políticas públicas de libera geral de Witzel reduzem a eficácia da polícia. “As experiências no campo do policiamento anticrime, dentro e fora do Brasil, demonstram que a repressão – que envolve um recurso caro, nobre e escasso – para que se obtenham resultados precisa ter foco, ser qualificada por um trabalho preliminar de inteligência e investigação rotineiro, discreto e cotidiano”, alerta.

• Confira o manifesto da Rede Fluminense de Pesquisas sobre Violência

“Sem foco para lidar com um crime organizado e itinerante, a proposta do liberou geral do governador, a proposta do dedo nervoso contra todo mundo, exaure a capacidade coercitiva da polícia e sua cobertura extensiva, produzindo o indesejado o fortalecimento dos negócios ilícitos e dos domínios armados no estado”, afirma a pesquisadora, em reportagem de Juliana Almeida, da Rádio Brasil Atual.

Mais mortes

A professora Paula Ferreira Poncioni, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) destaca que a falta de estudos e planos eficazes em políticas públicas de segurança está matando a população – e a polícia. “Não tem qualquer fundamentação em análises, estudos e pesquisas – que todos nós desse grupo produzimos – em termos de formação profissional dos policiais (sua especialidade), para que se pensem estratégias e alternativas para além das polícias”, destaca.

Com apenas nove meses de governo e foram registradas 1.249 mortos pela polícia nas áreas mais pobres da cidade. Também morreram 44 policiais do estado sendo 14 em serviço. “Desenvolvemos treinamento e estratégias alternativas para que se pense segurança pública para além das polícias. E um ponto decorrente desse é que não só a polícia está matando muito, mas está morrendo muito também.”

Segundo Paula, as polícias estão sendo deslocados para as periferias bairros pobres e favelas do Rio sob uma perspectiva ineficaz de combate ao crime. “O que a gente pode pensar em termos de política pública na área de segurança, seja para homicídios, para roubos, furtos são ações voltadas para a prevenção e para a repressão qualificada. E o que é a repressão qualificada? Inteligência. É poder mapear um determinado local, um determinado crime, usar a geo-referência. Enfim, usar ferramentas que possam fundamentar ações.”

Jaqueline Muniz, da UFF, reforça que o Rio tem sido pioneiro em iniciativas de segurança pública que são sabotados pelo crime organizado. “O Rio tem sido palco de iniciativas inovadoras no campo da segurança pública. No entanto, essas iniciativas acabam sendo sabotados por dentro, exatamente porque elas vão na contramão da economia política do crime”, observa.

Fonte: Rede Brasil Atual

 

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