Policiais colocam arma na cabeça de vereadora e integrantes do movimento sem-teto

Por Claudia Motta

Juliana Cardoso relata ação que envolveu seis viaturas, com quatro policiais cada, contra a vereadora e outras quatro pessoas; alegação, após três horas de abordagem, foi IPVA atrasado

A vereadora paulistana Juliana Cardoso (PT) teve uma arma apontada para sua cabeça numa ação policial na tarde dessa quinta-feira (10), no centro da capital. Ela e outras quatro pessoas ligadas a movimento de moradia ficaram durante três horas sob abordagem da Polícia Militar.

Em vídeo nas redes sociais, Juliana, que tem forte atuação junto às periferias e aos sem-teto da capital, relatou a abordagem.

“Estou bem. Infelizmente fomos abordados de uma forma truculenta pela polícia de forma muito direcionada”, relata. A vereadora estava com os familiares de Preta e Sidney Ferreira, que tiveram habeas corpus concedidos e foram libertados hoje. “Eles vieram me buscar na Câmara para acompanhá-los e tirar o Sidney de Pinheiros, para conseguirmos adentrar mais rápido ao local para apresentar a documentação e trazê-lo para casa ainda hoje”, explica a vereadora.

Juliana considera que a abordagem foi direcionada, por conta da placa do carro que estava em nome de um dos familiares da Preta e do Sidney. “Na hora que eles saem do Tribunal e passam aqui para me pegar, já começaram a ser seguidos pela polícia”, afirma. “Foi muito perto, porque o Tribunal é na rua Riachuelo (próxima à Câmara de Vereadores). Fomos abordados na (rua) Jaceguai em frente ao Teatro Oficina. Para vocês terem ideia de como estava muito organizada essa abordagem. Só que não tinham ideia de que eu estava com eles.”

Quando foram parados pela Polícia Militar, Juliana saiu do carro e se identificou como vereadora. “Disse que não precisava de ação tão truculenta, com arma em punho direcionada para os nossos rostos. Ele disse que não interessava. Mandou colocar a mão na cabeça e me dirigir à parede.”

A parlamentar avisou que não faria isso, que estava se identificando e que todos estavam prontos para apresentar os documentos. “Nesse primeiro momento ele não ouviu, não quis ter diálogo”, conta. Outro policial chamava mais viaturas. Em cinco minutos chegaram seis viaturas no local, cada uma com quatro policiais.

Seis viaturas e um IPVA atrasado

“E a gente tentando entender o que estava acontecendo”, o que não foi explicado pelos PMs durante as três horas de abordagem. Foi quando desceram os vereadores Eduardo Suplicy (PT) e a deputada federal Luiza Erundina (Psol) e os policiais começaram a falar que o carro tinha o IPVA e licenciamento atrasados. O motorista chegou a ser conduzido à delegacia.

“O que fica na minha opinião: o quanto a gente está vivendo num momento muito intenso e a gente o tempo todo está sendo monitorado. Essa é a realidade. Essa ação truculenta foi para pegar militantes vinculados ao movimento de moradia. Mas a gente não se assusta”, avisa Juliana, que acionou a Câmara Municipal, por meio do presidente, e vai ingressar com BO por abuso de autoridade.

“Tudo que é necessário ser feito, até como uma certa forma de proteção”, diz a vereadora. “Da forma como esses policiais estão abordando, é muito ruim. Fico imaginado como está sendo na periferia ou aqui no centro da cidade, quando eles colocam uma característica de pessoas que são negras como se fossem bandidos. Quem estava dirigindo era um companheiro negro.”

Juliana, no entanto, não se abala. “A boa notícia é que a nossa companheira Preta e nosso companheiro Sidney conseguiram HC para soltura imediata”, comemora. “Agradeço a solidariedade, mas hoje o dia é de festa. É de liberdade ao povo de moradia. Agora vamos buscar tirar a Ednalva dessa situação constrangedora de presa política que só faz buscar na Constituição o direito da casa, o direito da vida.”

Fonte: Rede Brasil Atual

(10-10-2019)

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