Polícia de São Paulo reinstala Estado ditatorial. Resta saber com ordens de quem

PM usa spray de pimenta contra integrantes da imprensa que registram protesto pela redução das tarifas em São Paulo. Foto: Tiago Queiroz / Agência Estado

PM usa spray de pimenta contra integrantes da imprensa que registram protesto pela redução das tarifas em São Paulo. Foto: Tiago Queiroz / Agência Estado

Não bastasse toda a ação criminosa da polícia de SP — e que violenta principalmente o Estado de Direito –, um vídeo flagrou o momento em que um policial que estava na manifestação desta quinta (13) quebra o vídeo de um carro da própria polícia.

Isso mesmo: ele se volta para o carro e quebra o vidro da corporação, em um ato flagrante de vandalismo.

No detalhe do vídeo, vendo em tamanho inteiro da tela, dá para ver perfeitamente a ação. O motivo nós sabemos.

Quem é este guarda?

Estamos no aguardo da punição tanto deste ato quanto dos atos de violência contra a população — atos que inclusive podem deixar uma repórter da Folha cega.

Outra dúvida: os blogueiros todos aparecerão para denunciar toda esta violência e manipulação e defender a nossa democracia? Ou dependerá de que partido ele faz parte?

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Feridos no protesto: http://feridosnoprotestosp.tumblr.com/

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“É A IMPRENSA! É A IMPRENSA!”

Erro fatal.

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Bomba jogada na quinta (13) contra os manifestantes em SP.

“Oferece perigo se utilizado após o prazo de validade. Validade DEZ/2010”

Oferece perigo se utilizado após o prazo de validade. Validade DEZ/2010

Oferece perigo se utilizado após o prazo de validade. Validade DEZ/2010

Via @raqueiroga

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Estou apenas cumprindo ordens. O senhor está preso por portar vinagre.

SD PM Leandro Silva: Tira a sua [mochila] também.
Eu: Eu sou jornalista, amigo. Você quer a minha identificação?
SD PM Leandro Silva: Não, não. Não precisa não.
Piero: Tem vinagre aqui dentro. Tem algum problema?
SD PM Leandro Silva: Tem. Vinagre tem.
Piero: Por quê?
SD PM Leandro Silva: Pode ir lá [ser revistado]

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E fica como boa noite só o que a gente precisa saber: “Protestos baixam tarifa de ônibus em seis capitais”

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Mario Silva descreve em seu perfil no Facebook (disponível aqui):

“Amigos e, principalmente, meus filhos, estou em casa, finalmente. Eu não vou escrever nada mais sobre o que aconteceu hoje. Só tenho uma coisa a dizer. Em todos os meus anos de militância em movimentos sociais, que envolveram muitas passeatas, nunca, nem mesmo sob a ditadura militar recente no país, eu nunca presenciei uma repressão policial tão violenta quanto a de hoje.

Milhares de cidadãos, participantes do movimento ou não, estudantes a caminho da faculdade, idosos, crianças, mulheres, cadeirantes, ciclistas, skatistas e até ambulâncias foram alvo indiscriminado de balas de borracha, bombas de gás e fumaça, cassetetes e prisões. Bastava você colocar a camisa sobre o rosto para se proteger das bombas que você era preso.

Antes de ser preso, era arrastado como um troféu pela força policial. Se te parassem e você estivesse com uma bolsa e na bolsa houvesse um lenço, qualquer lenço, você ia preso. Se te encontrassem com um pouco de vinagre, isso mesmo, vinagre para poder tentar respirar sob o ataque desumano dos policiais, você era imediatamente preso.

Nós paramos em frente ao tribunal de justiça próximo a praça roosevelt. Ali começou o cerco por três lados. Quando entramos na rua da consolação, fomos recebidos pela tropa de choque atirando a esmo até nos manifestantes que se deitaram no chão para mostrar que não ia partir para confronto.

Quando recuamos, fomos recebidos de novo a bala e bombas da tropa de choque que nos cercou na retaguarda. Quando tentamos fugir para o elevado costa e silva, a tropa também estava lá e atirou.

Eu me abracei a uma ambulância que passava na tentativa de que eles não iriam atirar. Me enganei, e muito. Apontaram miraram e atiraram na ambulância para acertar todos que tentaram se abrigar ali. O resto foi simplesmente um massacre dos cidadãos.

O GOVERNADOR DO ESTADO, SR GERALDO ALCKMIN, AUTORIZOU O MASSACRE. Este episódio entrará na história paulista como um dos atos mais vergonhosos do poder público! Até amanhã e espero que todos pensem de novo ao chamar esse grupo de manifestantes de baderneiros.”

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Repórter da Folha, atingida pela polícia enquanto trabalhava.

Repórter da Folha, atingida pela polícia enquanto trabalhava.

Do Estadão.com:

“Segundo Giuliana Vallone, da TV Folha, ela estava em um estacionamento na Rua Augusta quando uma viatura da Rota se aproximou em baixa velocidade e um PM que estava no banco de trás atirou contra ela.

Repórteres do Estado de S. Paulo também presenciaram ações questionáveis da Rota. Dois deles foram alvos de uma ação semelhante, na qual uma viatura se aproximou e disparou bombas de gás lacrimogêneo tentando acertá-los. Não havia conflito e nenhuma concentração de manifestantes na ocasião.”

No total, só da Folha foram sete atingidos, dois no rosto.

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“SEM VIOLÊNCIA! SEM VIOLÊNCIA!”

As pessoas gritavam “Sem violência” — e Tropa de Choque, formada com valores da Ditadura e agindo de tal modo, foram pra cima e deixaram centenas de feridos, alguns talvez com sequelas sem volta.

As autoridades acreditam que está tudo bem e parte da imprensa apoia. Assim começa um Estado ditatorial. As pessoas deveriam saber isso, antes que seja tarde.

As imagens são claras, assista aqui também.

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Fotógrafo que fazia cobertura das manifestações apanha de vários policiais

Fotógrafo que fazia cobertura das manifestações apanha de vários policiais

Na foto, a PM de São Paulo levando cidadania ao fotógrafo. Três, quatro contra uma. Segundo a Agência Estado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, criticou o “uso de violência por parte de manifestantes de São Paulo”. Entendeu?

Diversos cidadãos — incluso jornalistas — presos, alguns espancados, muitos violentados. Hoje, por exemplo, o repórter Piero Locatelli da CartaCapital e o fotógrafo Fernando Borges do Terra foram detidos, mesmo postando crachá de imprensa.

A nota na Anistia Internacional Brasil: “Também é preocupante o discurso das autoridades sinalizando uma radicalização da repressão e a prisão de jornalistas e manifestantes, em alguns casos enquadrados no crime de formação de quadrilha.” — http://bit.ly/14zDgJI

“É lamentável que ainda existam pessoas que não consigam perceber que, no Estado de Direito, é legítima a manifestação, é legítimo que as pessoas expressem sua opinião, mas não é legítimo que pratiquem atos de vandalismo, não é legítimo que pratiquem atos de violência”, acabou de dizer o ministro — APENAS para os manifestantes.

Entendeu?

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Relato do Estadão desta quinta (13), 22h31

“Durante os confrontos, há cerca de uma hora e meia, um morador de rua de 14 anos foi atingido por uma bala de borracha quando caminhava pela Avenida Angélica, esquina com a Rua Sergipe, sentido centro. “Vi os manifestantes correndo e quando eu vi tinha um bagulho na minha perna (marca de tiro)”, disse o adolescente, chorando.

Algumas pessoas carregaram o jovem por dois quarteirões até uma farmácia, onde uma enfermeira que passava pela rua e funcionários da drogaria fizeram um curativo. Em seguida, a psicóloga Ada Schermann e o seu marido levaram o adolescente para o Hospital das Clínicas. “Isso é uma das tantas barbáries que estão acontecendo nesse protesto. Isso prova que qualquer pessoa que esteja passando é uma vítima em potencial”. O garoto disse que veio de São Vicente, na Baixada Santista, para São Paulo há cerca de um mês e que mora na Rua Sete de Abril.”

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Manifestação no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (3/6) contra o preço abusivo da passagem de ônibus, na Av. Rio Branco. Foto: Rodrigo Mariano.

Manifestação no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (3/6) contra o preço abusivo da passagem de ônibus, na Av. Rio Branco. Foto: Rodrigo Mariano.

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Foto: Daniel Teixeira/AE

Foto: Daniel Teixeira/AE

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“Sim”

Datena, nem com pergunta manipuladora deu jeito.

Datena, nem com pergunta manipuladora deu jeito.

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Polícia de São Paulo ao vivo, em rede nacional, atirando contra manifestantes desarmados.

E aí? É o quê isso? Qual líder que você lembra quando vê isso?

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Enquanto isso no Rio…
[PS. Manifestação de março de 2013]

Agora, com vocês, a tropa de choque do Rio de Janeiro.

Sem comentários. Apenas o vídeo:

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Na manifestação de terça (11), outro jornalista preso por tentar defender duas meninas

Um vídeo mostrou como age a polícia contra qualquer um que vê pela frente — incluindo jornalistas que estava cobrindo a manifestação: http://bit.ly/140nt4u

“O que vimos foi uma ação policial baseada na truculência e na violência, o que constituiu um abuso contra as liberdades democráticas e um ataque violento à liberdade de imprensa”, diz o comunicado da Associação Cidade Escola Aprendiz.

Ainda segundo a nota, a associação lamenta “que, ainda nos dias de hoje, alguns jornalistas sejam calados forçosamente, vítimas de uma censura que parece ter sido herdada do tempos da Ditadura Militar. É o país inteiro que perde com isso”.

Jornalistas presos durante protesto: Das cerca de 20 pessoas que foram detidas durante os protestos, três são jornalistas.

O repórter da Folha Leandro Machado foi detido quando cobria a manifestação na avenida Paulista.

O fotógrafo do UOL Leandro Moraes também foi preso. Eles foram levados para o 78º DP (Jardins) em um carro da PM e liberados após uma hora. O repórter Fernando Mellis, do portal R7, foi agredido por policiais durante o protesto.

Todos eram “vândalos”, segundo os delegados responsáveis pelo caso.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) condenou a agressão e as prisões. “A associação considera preocupante que esta ação contrária ao trabalho da imprensa parta do Estado, e justamente da PM, mandada à rua para manter a ordem e garantir direitos”, afirmou em nota.

O vídeo em http://bit.ly/140nt4u

Pelo mesmo motivo, sem provas — como atestam os primeiros a ser ouvidos no campo da Justiça — outros estão presos: http://bit.ly/12pqpL2

Prende primeiro e depois prova? É assim que funciona, agora?!?

“A polícia, entretanto, precisa provar que os manifestantes presos na noite de anteontem na passeata do Movimento Passe Livre estavam reunidos com o objeto de cometer crimes para mantê-los detidos por formação de quadrilha. O entendimento é de especialistas ouvidos pelo Estado, que acreditam na banalização do delito pelos agentes de segurança para coibir os movimentos sociais.

“A formação de quadrilha existe para aquelas pessoas que se organizam com a única e exclusiva intenção de cometer delito”, diz o diretor do Instituto de Ciências Penais, Gustavo Henrique de Souza e Silva. “Pode ser uma estratégia que estão usando para decretar a prisão preventiva.” Para ajudar na defesa dos 13 presos, o promotor Maurício Ribeiro Lopes se comprometeu a contatar a Defensoria Pública do Estado.”

“(…) Amigos e parentes do jornalista Pedro Ribeiro Nogueira, de 27 anos, do Portal Aprendiz, que continua preso, afirma que ele estava trabalhando quando foi detido. Segundo Solange Costa Ribeiro, gestora institucional da entidade, Nogueira fazia a cobertura da manifestação quando foi detido e agredido. “Já acionamos nosso jurídico para apoiá-lo”, afirmou. Em nota, a associação afirma que o jornalista foi preso “errônea e injustamente”.

Segundo a mãe do jornalista, Beatriz Fátima Augusta Ribeiro, a prisão ocorreu por um mal-entendido. “Ele tentou impedir que duas garotas apanhassem dos policiais, mas foi preso. Não pertence à quadrilha nenhuma, não depredou nada nem colocou fogo. Todos os documentos que provavam que ele estava trabalhando foram apresentados, mas mesmo assim ele foi preso”, afirma.”

É de todo ponto de vista reprovável a violenta agressão da PM aos manifestantes. Deve ser detida esta maneira contrária ao respeito à pessoa humana. Em um estado de direito, o protesto social deve ser garantizado. É inaceitável que o governo agrida assim a população da qual vive, pois que vive dos impostos e da riqueza gerada pelos trabalhadores.

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