POEMA PARA UMA MÃE OMISSA, por João Batista da Silva

Se uma mãe simplesmente limita-se a parir
E não vê o caminho que deve seguir
Pra levar o filho a evoluir,
Junto ao seu rebento pode sucumbir,
Nos mares revoltos pode imergir.

Se uma mãe, coitada, não tem a coragem
De fazer, no filho, a devida podagem,
Será limitada a sua viçagem,
O calor não dá vez à suave aragem,
Corroem-se os trapos de sua bagagem.

Se uma mãe farta o filho apenas de pão,
No entanto falha na educação,
Ao filho dá “sim”, nunca dar-lhe um “não”
Sem nunca fazer-lhe uma correção,
Conduz seu rebento a uma vida de cão.

Seu filho é um galho que apenas brotou,
Mas na fotossíntese a planta falhou,
O seu colorido logo desbotou;
A mãe, sem carícia, nunca lhe afagou,
Seu rebento, o galho rápido secou.

À maternidade, a razão pondera:
Ser mãe não restringe-se a um ato que gera…,
Carinho de mãe, sempre o filho espera
E se nesse processo o pai não coopera
Verá o seu filho tornar-se uma fera.

Se uma mãe envolvida em tantos “amores”,
Empenhada sempre nos muitos labores,
Não transmite ao filho os devidos valores
Nem o encoraja a superar temores,
Entre espinhos pode não colher as flores.

Uma mãe autêntica, com o filho caminha
Pra não transformá-lo em planta daninha
Na qual o passarinho nunca se aninha.
Se não ocorrer podagem na vinha
A pobre videira aos poucos definha.

Se uma mãe não cultiva nenhum valor ético,
O seu filho pode tornar-se um ser cético.
Será que existe um fator genético
Que faz de um filho um homem maléfico
E no submundo um sujeito eclético?

Mas ainda há tempo para corrigir
As falhas humanas e fazer fluir
Energia boa para evoluir
A humanidade e fazer surgir
No jardim da vida brotos a florir.