Pintando

Esta tarde, pus a minha escarcela de materiais de pintura e desenho sobre a mesa. Não sabia se iria ou não pintar ou desenhar. Mas apenas este ato, este ficar na frente dos blocos de papel telado ou comum de desenho, os lápis de cor, os pastéis a óleo e comuns, me deu uma satisfação profunda. Abri um dos bloquinhos, e ao ver o desenho que tinha na primeira página, senti uma alegria muito profunda. Era um desenho do mar em Cabo Banco. O barranco, a praia, os barcos, as ondas, o céu, o sol, algum pássaro, uma nuvem. Nessa mesma hora, pensei na potencialidade e na possibilidade, duas coisas que vem me chamando poderosamente a atenção. Nem sempre é necessário que realizemos algo, que levemos a cabo uma ação.

Pode ser que sim, mas também pode ser que não. Na possibilidade, na potencialidade, há um espaço vasto para a criatividade, e para um gozo, um desfrute do potencial na vida, muito atraente. Só de ver os blocos de desenho e pintura, as cores e os pastéis de pintar em cima da mesa, me trouxeram uma alegria muito profunda. Foi como se visse de repente, como num relâmpago, muitos desenhos e quadros que já pintei e desenhei na minha vida. Desde os primeiros, umas manchas da cor azul na escolinha aonde ia quando criança. Até outros, de árvores do parque de Mendoza, uma vista do mar em Valparaíso, um arco-iris que dei de presente para uma colega da universidade, o meu primeiro quadro a óleo, uma carroça com um homem indo em direção ao sol. Outros quadros de álamos, uma vista da mata da ponta do Seixas que pintei enquanto meus quatro filhos brincavam na vegetação, quando eram pequenos.