Personalidades Apóiam Battisti

Au_bonheur_des_ogresmoreau_jean_immortalj_101b 

No site Petition on Line, onde colocamos há poucos dias uma petição dirigida ao presidente Lula para conceder asilo sob responsabilidade presidencial a Cesare Battisti, e rejeitar energicamente as insultuosas e prepotentes exigências do neofascismo italiano, estamos tendo um número de respostas bastante satisfatório. No momento em que comecei a escrever esta matéria estávamos atingindo as 1.500 assinaturas, mas ainda não enviamos informação a mais de 80% de nossas listas. Os leitores que desejem participar, por favor, abram a página:

http://www.petitiononline.com/mod_perl/signed.cgi?btstlng

Todas as assinaturas são de pessoas que defendem os Direitos Humanos, abominam das vendettas e outras formas de ódio e procuram um mundo da paz e tolerância. A ideologia específica é irrelevante. Por isso, todas essas assinaturas são igualmente valiosas. Entretanto, algumas possuem, inevitavelmente, mais impacto do que outras, porque a sociedade está organizada de maneira hierárquica e as opiniões de algumas pessoas são mais valorizadas do que outras.

Sobre este ponto, lembro de uma observação feita em julho de por José Saramago, que se prontificou generosamente a fazer parte de um grupo de notáveis em defesa de jovens presos políticos argentinos, vítimas da brutalidade do governo de Fernando de la Rua.

Saramago dirigiu uma nota ao presidente onde começava dizendo que sua opinião não era mais valiosa que outras, mas que a fama o tornava um portavoz mais ouvido. Por isso, quando falamos das personalidades que apóiam a Cesare Battisti, não queremos dizer que elas sejam mais importantes que as pessoas comuns. Apenas, que causam mais impacto.

Ontem recebemos a assinatura de dois escritores franceses muito conhecidos: Marc Dugain e Daniel Pennac. Daniel está inclusive escrevendo uma carta a Lula em defesa de Battisti que será entregue em data próxima.

Dugain, de origem francesa, nasceu em Senegal em 1957, e ficou conhecido por romances onde descreve personagens muito variados, alguns deles modelando figuras reais, como Stalin e o antigo chefe do FBI, Hoover. Seu primeiro grande romance, escrito em data relativamente recente (1999) foi A Casa dos Oficiais, onde descreve, de maneira sóbria e realista, o drama de um oficial mutilado durante a primeira guerra mundial. Marc recebeu uns 20 prêmios literários importantes, incluindo o prêmio dos livreiros, o Deux-Magots e o Roger Nimier. Nos últimos 8 anos tem publicado 5 romances.

Daniel Pennac, também de origem francesa, nasceu em 1944 em Casablanca. É conhecido não apenas por seus romances para adultos, como também por sua autobiografia e por numerosos romances para crianças, dos quais um dos mais famosos é Au Bonheur des Ogres, traduzido ao inglês como Scapegoat (Bode Expiatório).

Entre os prêmios ganhados por ele estão Prix du Livre Inter, o prêmio Marsh por literatura infantil em tradução ao inglês, e o Prêmio Renaudot. Recebeu em 2008 o Grand Prix Metrople Blue, pela totalidade de sua obra.

Todas as pessoas que gostam de cinema e que nasceram antes de 1960 assistiram a algum filme de Jeanne Moreau (Paris, 1928). Desde seu primeiro filme em 1953, acumulou numerosos prêmios e foi dirigida por alguns grandes diretores como Michelangelo Antonioni, François Truffaut, François Ozon, Louis Malle e Orson Welles.

Além de ser uma das figuras mais talentosas do cinema europeu do imediato pós-guerra ocidental (junto com Liv Ullmann, Vanesa Redgrave e outras poucas), Jeanne representou o primeiro grande desafio (fora dos países escandinavos) ao puritanismo sexual da época. Ela estrelou os primeiros filmes de qualidade artística com profunda carga erótica (diferentemente do caso de Brigitte Bardot, cujo erotismo é mais festivo), numa saga que começou com Os Amantes, de Louis Malle.

Ontem, Jeanne assinou nossa petição com o número 1120.

A luta pelos Direitos Humanos impõe às vezes alguns sacrifícios, como estar perto de figuras sinistras e trevosas, mas também oferece muitas recompensas. Além de conhecer pessoas corajosas e solidárias, nos aproxima do talento e da beleza.

Carlos Alberto Lungarzo é matemático, nascido na Argentina, e mora no Brasil desde sua graduação. É professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), São Paulo, e milita em Anistia Internacional desde há muito tempo, nas seções mexicana, argentina, brasileira e (depois do fim desta) americana. Tem escritos vários livros e artigos sobre lógica, estatística e computação quântica, mas seu interesse tem sido sempre os direitos humanos.

Seções: Brasil, Cidadania, Opinião. Tags: , , , .