Perguntas libertadoras

O que o que estou fazendo tem a ver com a minha história de vida? Como se encaixa na minha trajetória existencial? Quando fazemos estas perguntas, estamos a tentar juntar passado e presente, desconectar a repetição mecânica, sem sentido, de atos. A abordagem barretiana* possui um sem número de perguntas desta ordem, em que o que interessa mais não é a resposta ou as respostas que se possa dar, e sim o espaço criado pela pergunta. A pergunta me descola do mecanicismo, da ação vazia, oca, sem sentido.

Você somente tem sofrido, ou tem crescido com os seus sofrimentos? Todos sofremos, mas as nossas dores podem servir para um crescimento. Isto não é uma tarefa especulativa, meramente mental, intelectual. Eu posso ter sofrido perdas, dores imensas na minha vida, e ter-me colado, por assim dizer, a elas, como vítima, como apenas alguém que sofre ou sofreu. Posso olhar para o que ganhei, o que ganho, o que estou ganhando graças a estas dores que tive ou tenho. Não é um culto ao masoquismo, e sim o contrário. É aprendermos a crescer com o que nos faz ou nos fez sofrer. Estas reflexões não são banais, mas libertam. Por serem simples, tem um efeito enorme e imediato, muitas vezes. Podemos ir construindo uma vida mais feliz, a través de perguntas que nos libertam do passado, da culpa, da auto-punição tão comum na nossa cultura.

Estas perguntas mobilizam a sabedoria interior da pessoa, a sua resiliência, o que cada um ou cada uma aprendeu na sua vida. Quebra-se a vitimização, abre-se um espaço para a felicidade, para o novo, para o “eu posso”.


*Adalberto Barreto, criador da Terapia Comunitária Integrativa.