Pasárgada

O mundo dos políticos brasileiros é mesmo fantástico; quase que uma realidade paralela, onde todos são amigos do rei, com o perdão do poeta.

É difícil acreditar que desse universo de barganha e privilégios poderiam, um dia, participar todos os cidadãos. Afinal, a riqueza, o poder e a exclusividade dependem de um resto; exigem um Outro, que fica de fora, para terem sentido.

Tal suposição, porém, não seria inconcebível apenas por razões semiológicas. Há de se considerar também a inviabilidade de um país onde reine a impunidade; onde desvios e fraudes milionários que afetam integralmente a sociedade sejam simplesmente arquivados; em que mesmo crimes hediondos – estes que, no plano dos meros mortais, resultam, geralmente, em pobres encarcerados em penitenciárias-escolas-do-crime – também não sejam punidos.

Seria inconcebível um mundo no qual, seja pela complacência de um poder Judiciário corrupto, ou pela atuação de uma Grande Mídia comprometida, mesmo aqueles envolvidos com o tráfico de drogas, milícias, grilagem e desmatamento, preconceito racial e religioso, não fossem jamais apontados como partícipes, diretos ou indiretos, dessas práticas.

Na Pasárgada política brasileira, pune-se o “criminoso”, quando muito, com uma exoneração Midiática, espetacular. E, ainda assim, são sempre grandes as chances de retorno, com toda a pompa de direito.

Lá, nessa terra onde reina o corporativismo e tudo é feito em nome do voto, o fim mesmo da prática política inexiste ou não importa. Também de menor importância é a conduta dos engravatados – devotados servos de si mesmos –, desde que a retórica mantenha um mínimo de garbo e falsa elegância.

Com efeito, em pura artificialidade redundaria a elevação do ordinário ao nível do universo político brasileiro. Consolemo-nos conservando a dignidade severina em detrimento do simulacro potencializado, onde não há mais que o resquício da projeção da sombra. E podridão.

Rapaz… por um atificio de inteligência, a proximidade desconcertante no texto dos reinados de “Pasargada’, nos remetem às “folhas” que constituem subjetividades…

Ser “amigo do rei” pode soar poesia aos ouvidos,

ou não passar de argumento dos canalhas.

No final, aqui e ali, a consistência de ambos, nos assombram mesmo.

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