Para marcar aniversário, Clarice Lispector ganha site e concerto

O aniversário da escritora Clarice Lispector (1920-1977) foi comemorado nesta segunda (10) em oito capitais brasileiras com o evento Hora de Clarice. Um dos destaques da programação foi o lançamento de um site sobre a obra da escritora, já disponível para os internautas, uma iniciativa do Instituto Moreira Salles (IMS).

O site http://www.claricelispectorims.com.br reúne e-books, resenhas de cada um dos livros da escritora comentados por especialistas, comparações de traduções de sua obra, fotos e até uma aula sobre Clarice, ministrada pelo professor de literatura brasileira da Universidade de São Paulo (USP) e compositor José Miguel Wisnik. Também está disponível no site um mapa do Rio de Janeiro, no qual são assinalados os lugares da cidade onde ela vivia e que são citados em suas obras.

Segundo o organizador do site, Eucanaã Ferraz, o objetivo foi fazer um amplo mapeamento de informações que servirá a pesquisadores, admiradores da obra de Clarice e estudantes de vários níveis, desde o ensino médio a pós-graduandos em literatura. “Há sobre Clarice muitas informações dispersas, como, por exemplo, quanto às bibliografias e traduções. No site conseguimos reunir praticamente tudo”, explicou.

Poeta e ensaísta, Eucanaã Ferraz também assina a direção do concerto que o IMS faz nesta terça (11), às 20h, em sua sede, no bairro da Gávea. Baseado em A Hora da Estrela, um dos mais conhecidos romances da escritora, a apresentação musical reúne canções relacionadas à obra, interpretadas pela cantora Jussara Silveira e pelos músicos Bebê Kramer, no acordeom; Marcelo Costa, na percussão; e Muri Costa, no violão. Os ingressos devem ser adquiridos na recepção do IMS.

Trajetória

Em 10 de dezembro de 1920, nasceu em solo ucraniano a jornalista e escritora Clarice Lispector, personalidade que passou quase toda a vida no Brasil – país que adotou como sua verdadeira pátria – e se tornou um dos grandes nomes da literatura nacional. Para a tristeza dos brasileiros, ela partiu de forma precoce, vítima de um câncer, em 9 de dezembro de 1977, um dia antes de seu aniversário de 57 anos.

Graduada em Direito, Clarice preferiu seguir pelos caminhos do Jornalismo e da Literatura, sendo este segundo o que a tornou mais conhecida. Escreveu romances, contos e crônicas, e atendeu a públicos de todas as idades, tendo inclusive parte de suas obras traduzidas para outras línguas.

No modo de escrever, certas características lhe eram peculiares: suas histórias eram muito mais voltadas ao lado psicológico das personagens do que a fatos, movimentos. Além disso, nem todas as suas narrativas têm um começo, meio e fim. Esta maneira de escrever voltada para o abstrato, o sentimento, o que há dentro do indivíduo, ainda hoje faz sucesso. Muitos são os que repetem frases de Clarice como “fontes de inspiração” ou tradução de sentimentos.

No campo pessoal, a escritora teve uma vida muitas vezes conturbada. Viu a família passar por crises financeiras na infância. Perdeu a mãe aos 9 anos. Casou-se com um diplomata e por isso teve de se ausentar por um período do Brasil, país que tanto amava e onde estavam seus familiares e amigos. Separou-se. O filho mais velho tinha esquizofrenia. E após o descuido de dormir deixando um cigarro aceso, em 1966, causou um incêndio que quase a matou.

Mesmo com a vida pessoal tumultuada, Clarice produziu muitas obras e foi premiada por parte delas. Dois dos prêmios importantes que recebeu foram o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em 1961, por seu primeiro livro de contos, ‘Laços de família’, e o Prêmio da Fundação Cultural do Distrito Federal, em 1976, pelo conjunto de sua obra.

Fonte: Portal Vermelho