Para a reforma agrária avançar, Maria Oliveira tem que ficar

Alfredo dos Santos (MLST-SP)

Exigindo a permanência da superintendente do INCRA (PE), Maria de Oliveira, demitida por uma declaração que deu em uma rádio local, onde teria afirmado que o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, não tinha compromisso com a reforma agrária, mais de duzentos trabalhadores rurais do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) e de outros movimentos de trabalhadores sem-terra ocuparam hoje (15/5) a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), na Avenida Rosa e Silva em Recife.

É inaceitável o argumento do ministro Guilherme Cassel que Maria de Oliveira deve ser exonerada por uma declaração sobre o MDA, realizada há 40 dias atrás. Orgulho ferido não pode ser justificativa para afastamento de uma servidora pública da qualidade de Maria de Oliveira. Principalmente, quando este afastamento prejudica o povo e beneficia a direita e o crime organizado, a quem Maria vem enfrentando com destemor. É inacreditável que um ministro do Governo Lula assuma uma posição dessa gravidade, por um simples capricho.

Essa posição arrogante do ministro Guilherme Cassel é uma armadilha para o Governo Lula, porque enfraquece sua ação frente aos latifundiários mais reacionários e aos chefes do crime organizado no Estado. Coloca em risco a reforma agrária e as vidas de pessoas ameaçadas de morte. Outro problema para o Presidente Lula é o conflito que o ministro do MDA está abrindo com o seu aliado, o governador Eduardo Campos. Este defende o nome de Maria de Oliveira na Superintendência do INCRA (PE). O cumprimento desse capricho do ministro Guilherme Cassel só beneficiaria os setores mais reacionários de Pernambuco. Ele não está medindo as conseqüências, nem entendendo a gravidade dessa situação.

Maria de Oliveira tem uma presença marcante para toda sociedade pernambucana que reconhece o seu papel destacado à frente da reforma agrária em Pernambuco. É necessário e justo reconhecer a sua ação, onde de um lado está ameaçada de morte e arrisca a própria vida e, de outro, mantém uma postura independente na negociação com cada movimento social, garantindo o respeito de todos. Não acreditamos que exista um nome substituto à altura.

Filiada ao PSB, mesmo partido do governador do Estado, Eduardo Campos, ela estava no cargo desde 2004 e vinha se queixando de pressões para deixar a função, motivadas pelo fato de não ser filiada ao PT.

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