Papa Francisco sobre compaixão e partilha

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Neste Domingo, o Evangelho nos apresenta o milagre da multiplicação dos pães e dos peixes. Jesus o fez junto ao Lago de Galiléia, num lugar isolado para onde se havia retirado com seus discícpulos, após haver tomado conhecimento da morte de João Batista. Mas muitas pessoas O seguiram, e a Ele se juntaram. E, ao vê-las, Jesus sentiu compaixão. E até à tardinha, ficou a curar os doentes. Então, os discípulos, preocupados com a hora avançada, Lhe sugeriram que despdisse a multidpapao, para que fossem aos vilarejos a fim de comprarem comida para si. Mas, Jesus tranquilamente respondeu: “Dêem-lhes de comer, vocês mesmos. E mandem trazer aqui os cinco pães e os dois peixes.” E os benzeu e pôs-se a distribuir e a dar aos apóstolos, que os distribuíam ao povo. E todos comeram à saciedade, com justeza, sem excesso. 

Desse acontecimento, podemos recolher três mensagens. A primeira é a compaixão. Diante da multidão que a Ele recorre e, por assim dizer, não O deixa em paz. Jesus não reage com irritação. Nâo diz: “Mas, essa gente me dá fastio.” Mas, reage com um sentimento de compaixão, porque sabe que eles não O procuram por curiosidade, mas por necessidade. 

Mas, estejamos atentos. Compaixão – aquilo que sente Jesus – não é simplesmente  “ter piedade”. É mais do que isto. Significa “com-patimento”, isto é, envolver-se no sofrimento de outrem, ao ponto de tomá-lo para si. Assim é Jesus: sofre junto a nós, sofre conosco, sofre por nós. E o sinal dessa compaixão são as numerosas curas por Ele operadas. 

Jesus nos ensina a antepor as necessidades dos pobres às nossas. Nossas exigências, legítimas que sejam, nunca serão tão urgentes como as dos pobres, que não têm o necessário para viver. Falamos com frequência dos pobres, mas quando falamos dos pobres, sentimos mesmo que aquele homem, aquela mulher, aquela criança não têm o necessário para viver? Não têm o necessário para comer?  Não têm oncessário para vestir-se? Não têm a possibilidade de tratamento médico? Ou aquelas crianças que não podem ir à escola? Eis por que nossas exigências, ainda que legítimas, nunca serão tão urgentes como as dos pobres, que não têm o necessário para viver.

A segunda mensagem é a da partilha. Resulta útil comparar a reação dos discípulos diante daquela gente cansada e com fome, com a de Jesus. São diferentes. Os discípulos pensam que é melhor despedi-la, para que vá em busca de alimento. Jesus, ao contrário, diz: “Dêem-lhes, vocês mesmos, de comer!” Duas reações diferentes, que refletem duas lógicas opostas. Os discípulos raciocinam de acordo com o mundo, para quem cada um deve pensar em si mesmo. Raciocinam, como se dissessem: “Se virem sozinhos!” Jesus, ao contrário, raciocina conforme a lógica de Deus, que a da partilha.

Quantas vezes, nos voltamos para um outro lado, ainda que em nome dos irmãos necessitados… E isto – olhar para um outro lado – é um modo educado de dizer: “Vão adiante, se virem sozinhos!”. E isto não é de Jesus. Isto é egoísmo.

Se a multidão tivesse sido despedida, muitas pessoas teriam ficado sem comer. Em vez disso, aqueles poucos pães e peixes, uma vez repartidos e abençoados por Deus, foram suficientes para todos. E cuidado! Não se trata de magia. Trata-se de um sinal, que convida a ter fé em Deus, Pai providente que não nos deixa faltar o pão de cada dia, se soubermos partilhá-lo como irmãos. Compaixão, compartilhamento.

A terceira mensagem: o prodígio dos pães prenuncia a Eucaristia. Pode-se ver no gesto de Jesus que Ele pronunciou a bênção, antes de distribuí-los com o povo. É o mesmo gesto que Ele fará na última Ceia, quando instituirá o Memorial perpétuo do Seu sacrifício redentor. Na Eucaristia, não dá o pão, mas o pão de vida eterna. Dá-se a si mesmo, oferecendo-se ao Pai por nosso amor. Mas, nós devemos ir à Eucaristia com esse sentimento de Jesus, qual seja o da compaixão, e com aquela vontade de Jesus, compartilhar!

Quem vai à Eucaristia, sem ter compaixão pelos necessitados e sem compartilhar, não se dá bem com Deus.

Compaixão, Compartilhamento e Eucaristia – este é o caminho que Jesus indica neste Evangelho. Um caminho que nos leva a enfrentar, com fraternidade, as necessidades deste mundo. Mas que nos conduz para além deste mundo, porque parte de Deus e a Ele retorna.

A Virgem Maria, Mãe da divina Providência, nos acompanhe neste caminho. 

 https://www.youtube.com/watch?v=Y-jL0Gb7Avc

Alder Júlio Ferreira Calado, sociólogo e educador popular.

Seções: Opinião.