Papa Francisco nos lembra da importância de gestos de partilha espontânea e gratuita

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Relembrando passagens do Evangelho, o Papa Francisco revaloriza gestos espontâneos e gratuitos de partilha.

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

O Evangelho deste Domingo apresenta o grande sinal da multiplicação dos pães, conforme a narrativa do Evangelista João. Jesus se acha à beira do Lago da Galileia, seguido por uma grande multidão atraída pelos grandes sinais que Ele realizava sobre os enfermos. NEle se faz presente o poder misericordioso de Deus que cura de todo mal, do corpo ou do espirito. Mas, Jesus não é um curador. É também Mestre. De fato, sobe o monte e se apresenta com o tipico oficio de Mestre, quando ensina. Assume aquela cátedra natural criada por Seu Pai celeste.

A essa altura, Jesus, que sabe bem o que está por fazer, põe a prova Seus discípulos. O que fazer para tirar a fome de toda aquela gente? Filipe, um dos doze, faz um cálculo rápido. Se for organizada uma coleta, poderão ser recolhidos, no máximo, duzentos dinheiros, que todavia não seriam suficientes para atender a cinco mil pessoas. Os discípulos raciocinam em termos de Mercado, mas Jesus substitui a lógica do comprar a outra lógica, a lógica do dar. Ha duas lógicas – a do comprar e a do dar. Então, André, outro apóstolo, irmão de Simão Pedro, apresenta um rapaz que põe a disposição tudo o que tinha – cinco pães e dois peixes. Esta bem, diz André, mas isto representa nada para toda essa multidão. Mas, Jesus esperava justamente isto. Ordena os discípulos para que façam o povo sentar-se. Depois, tomou aqueles pães e aqueles peixes, deu gracas ao Pai, e os distribuiu. Estes gestos antecipam o da Ceia, que dão ao pão de Jesus seu significado mais verdadeiro. O pão de Deus e o próprio Jesus. Fazendo comunhão com Ele, recebemos Sua vida em nós, e nos tornamos filhos do Pai celeste e irmãos entre nós. Fazendo comunhão, encontramo-nos com Jesus realmente vivo e ressuscitado. Participar da Eucaristia significa entrar na lógica de Jesus, a lógica da gratuidade e da partilha. Por mais pobres que sejamos, todos podemos dar alguma coisa.

Fazer comunhão também significa conseguir de Cristo a Graça que nos torna capazes de compartilhar com os outros o que somos e o que temos. A multidão ficou tocada pelo prodígio da multiplicação dos pães, mas o que Jesus oferece é plenitude de vida para o homem faminto. Jesus sacia, não apenas a fome material, mas aquela mais profunda, a fome de sentido da vida, a fome de Deus. Diante do sofrimento, da solidão, da pobreza e das dificuldades de tanta gente, o que podemos fazer? Lamentar-nos? Nada resolve. Mas, como aquele rapaz, podemos oferecer algo que temos. Por certo, temos algum tempo, algumas horas, algum talento, alguma competência? Quem de nós não tem seus cinco pães e dois peixes? Isto todos temos. Se estivermos dispostos a colocar isto diante do Senhor, isto bastará para que no mundo haja um pouco de amor, de paz, de justiça e, sobretudo, de alegria. Quanto é necessária a alegria, no mundo! Deus é capaz de multiplicar os pequenos gestos, gestos de solidariedade, e fazer-nos partícipes do Seu dom.

Que a nossa oração sustente o esforço comum, para que jamais faltem a ninguém o pão do Céu, que da a vida eterna e o necessário para uma vida de dignidade, e para que se afirme a lógica da partilha e do amor.
Que a Virgem Maria nos acompanhe com sua materna intercessão.

https://www.youtube.com/watch?v=wmwOanRlChc
Do minuto 02.02 ao minuto 08.12
Trad.: Alder Júlio Ferreira Calado