Papa Francisco: a importância de perdoar

Mensagem do Papa Francisco – “ANGELUS”, DIA 27.12.2015

Caros irmãos e irmãs, bom dia!

Hoje, celebramos a festa de Santo Estêvão. A lembrança do primeiro máritir segue logo após a solenidade do Natal. Ontem, contemplamos o amor misericordioso de Deus, que por nós se fez carne; hoje, vemos a resposta coerente do discípulo de Jesus, que dá vida. Ontem, nasceu na terra o Salvador; hoje, nasce no céu sua fiel testemunha. Ontemcomo hoje, fazem-se presentes as trevas do rechaço à vida, mas brilha ainda mais forte a luz do amor, que vence o ódio e inaugura um mundo novo.

Há um aspecto particular no relato de hoje dos Atos dos Apóstolos, que aproxima Santo Estêvão do Senhor: é o seu perdão antes de morrer. Pregado na cruz, disse Jesus: “Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.” De modo semelhante, Estêvão dobrou os joelhos e gritou em voz alta: “Senhor, não lhes imputes este pecado.” Eis por que Estêvão é mártir, que significa testemunha, porque faz como Jesus. É, de fato, verdadeira testemunha que se comporta como Ele: que ora, que ama, que dá, mas sobretudo que perdoa, porque o perdão, como diz a própria palavra, é a expressão mais elevada do dom.

Mas, poderemos perguntar-nos: o perdoar serve para quê? Trata-se apenas de uma boa ação ou implica resultado? Encontramos uma resposta justo no martírio de Estêvão. Entre aqueles pelos quais ele implorou o perdão, estava um jovem chamado Saulo. Este perseguia a Igreja e procurava destruí-la. Pouco depois, Saulo torna-se Paulo, o grande santo, o apóstolo das nações. Ele recebeu o perdão de Estêvão. Podemos dizer que Paulo nasce da graça de Deus e do perdão de Estêvão.

Também nós nascemos do perdão de Deus, não apenas no Batismo, mas toda vez que somos perdoados, nosso coração renasce, é regenerado. Qualquer passo adiante na vida de fé traz impresso, desde o início, o signo da misericórdia divina. Porque só quando somos amados, podemos amar, por nossa vez. Recordar isto nos faz bem: se quisermos ir adiante na fé, antes de tudo, é preciso receber o perdão de Deus. Encontrar o Pai, que está sempre pronto para tudo perdoar, e sempre, e que justamente quando perdoa, cura o coração e reaviva o amor. Não devemos cessar nunca de pedir o perdão divino, porque somente quando somos perdoados, quando nos sentirmos perdoados, conseguimos perdoar.

Perdoar, contudo, não é coisa fácil, é sempre muito difícil. Como podemos imitar a Jesus? Por onde começar a perdoar os pequenos e grandes dissabores que sofremos no dia- a –dia? Antes de tudo, pela oração, como fez Estêvão.

Começa-se pelo próprio coração: que possamos enfrentar com a oração o ressentimento que experimentamos, confiando a quem nos tenha feito mal à misericórdia de Deus. “Senhor, peço-te por ele, peço-te por ela”. Logo se descobre que esta luta interior para perdoar, purifica do mal e que a oração e o amor nos livram dos grilhões interiores do rancor. É tão ruim viver com rancor! Todos os dias, temos a oportunidade de nos distanciar de perdoar, para viver este gesto tão sublime que aproxima o homem de Deus. Como o nosso Pai celeste, tornemo-nos também nós, misericordiosos, para que, através do perdão, vençamos o mal com o bem, transformemos o ódio em amor e tornemos assim o mundo mais limpo.

Que a Virgem Maria, a quem confiamos aqueles –e eles são tantos – que, como Santo Estêvão, sofrem perseguições em nome da fé, os nossos muitos mártires de hoje, oriente nossa oração no sentido de receber e dar o perdão.

https://www.youtube.com/watch?v=_DhXR0JOR-8
(Do minuto 01:43 ao minuto 09:28)
Trad.: AJFC

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