Paisagem

Essa manhã, mais uma vez, vira o mar e as suas transformações. De uma superfície encrespada em que os barcos flutuavam plácidamente, a um cenário de nevoeiro e chuva, a linha do horizonte sumindo. Mais tarde, o sol reaparecendo, as areias a exibirem novamente os desenhos das pegadas, as plantas das dunas e as suas flores, as pessoas indo ao mar ou dele vindo. Os pássaros a desafiar o vento. As barracas da beira mar. A tarde começava, quando voltavam a pé pela rua de paralelepípedos. Pode uma pessoa estar em estado literário ou quase literário, sem que esteja necessariamente lendo um livro ou escrevendo. Basta ter ido dissolvendo a sua própria pessoa no mundo em volta, tendo se incorporado cada vez mais a tudo que existe.

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