Ouro negro e negros sem ouro

Por Isaac Bigio

LONDRES, outubro/2004. Para Bush e Kerry, o que ocorre no Sudão é um genocídio. Na última década, a África presenciou holocaustos como o de Ruanda, Burundi e Congo (5 milhões de mortos), a expansão da AIDS (que ameaça infectar 50 milhões de pessoas) e o retrocesso de sua efêmera participação na economia mundial.

Os dois candidatos norte-americanos concordam que não se deve mandar tropas do país para lá. Ao Iraque, onde existe o ouro negro, se enviou soldados duas vezes, mas os “negros sem ouro” não são prioridade, ainda que a catástrofe que vivem hoje incida em todo o globo.

A África não necessita de mais tropas brancas, mas precisa que o Hemisfério Norte mude as exigências do pagamento de suas dívidas, mude o protecionismo diante de seus produtos agrários e que se reduza os preços dos remédios contra a AIDS e outras doenças.

Com uma pequena parte do orçamento militar dos EUA sendo investida em obras de infra-estrutura como o tratamento da água, o saneamento básico e a proteção social, o continente negro poderia deixar de produzir a cada dia uma quantidade de vítimas civis equivalente ao atentado de 11 de Setembro.

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