Os limites da tolerância

O regime ilegal e inconstitucional instalado pelo golpe de estado de 2016 exibe ainda mais rachaduras. Nenhuma circunstância estabelecida a partir de situações criminais pode ser de longa duração.

Não sei por quanto tempo ainda irá permanecer no poder este regime que nos envergonha, atenta contra a humanidade, a decência e a justiça. Me admira como nos dias de hoje, parece haver se gerado na cidadania, uma espécie de indiferença ética que é totalmente reprovável. É muito perigoso que nos acostumemos a suportar o inaceitável. É uma porta aberta para o pior.

O Brasil tem uma tradição de luta e resistência que tem permitido que no passado, surgissem movimentos contra o arbítrio, a prepotência, a injustiça, a desigualdade, a exclusão, e a impunidade. Estes movimentos hoje parecem estar adormecidos, não sei se na espera de uma incerta eleição que magicamente iria repor a normalidade ausente.

Resta sempre o espaço de quem, na base da sociedade, nos espaços micro, ainda insiste e resiste, construindo e mantendo firmes, formas de conduta e valores culturais que independem de sanção estatal ou partidária ou institucional. São esses movimentos e ações quase imperceptíveis, os que me permitem ter uma esperança. As massas, inevitavelmente são levadas por quem lhes controla o pensamento, a percepção, o sentimento, a conduta, e a ação de um modo geral. Mesmo assim, também nessas frentes há de se agir, se queremos que de fato o Brasil volte a ser um país de todos, e não uma mera colônia.

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