Operação Panos Quentes: crise militar é abafada

Vou surpreender meus leitores, ao reconhecer que, pelo menos num ponto, a avaliação dos comandantes militares insubmissos é correta: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está mesmo empurrando com a barriga a solução da crise que eles provocaram.

A ordem é minimizar o frontal desafio do ministro da Defesa Nelson Jobim e dos três comandantes das Forças Armadas (ou apenas de dois, as versões variam…), à autoridade presidencial, ao Governo, à democracia e aos valores da civilização.

Tarso Genro e Paulo Vannuchi, seguindo o script da Operação Panos Quentes, dizem que a coisa não foi tão grave assim e que as arestas serão aparadas futuramente.

Não se sabe sequer quando. Alguns dizem que vai ser a partir do 11 de janeiro em que Lula reassumirá seu posto. Outros, que a nova e expurgada versão do Programa Nacional de Direitos Humanos só será conhecida em abril.

O veteraníssimo colunista político Jânio de Freitas denuncia que o vazamento da insubordinação militar foi orquestrado: plantaram a notícia simultaneamente em vários órgãos de imprensa, uma semana depois dos fatos.

Quem seriam os vilãos? Pessoas interessadas em provocar crises institucionais, com vistas à próxima eleição presidencial.

Ou seja, quereriam minar a popularidade de Lula, ao açularem contra ele o que há de mais liberticida, reacionário, rancoroso e podre na sociedade brasileira.

Faz sentido.

TIGRES DE PAPEL

Subsiste, entretanto, o fato de que as forças golpistas são aquelas mesmas que tentaram lançar o Cansei, com enorme apoio na mídia, e mesmo assim colheram retumbante fracasso.

Se possível, estão mais debilitadas ainda, face ao aumento acentuado da popularidade do Lula.

Então, é de se lamentar que ele não tenha aproveitado o momento propício para esmagar o ovo da serpente, utilizando um motivo que sempre calou fundo na caserna: a quebra da autoridade.

Quando o ditador Geisel tentava desmontar a máquina de terrorismo de estado que se tornara desnecessária com o fim da luta armada, havia muitos setores militares que continuavam defendendo o DOI-Codi.

Aí se deu o assassinato de Vladimir Herzog e Geisel ordenou aos torturadores: um acontecimento desses não poderia se repetir.

Logo depois eles mataram Manuel Fiel Filho. Foi quando Geisel extinguiu o DOI-Codi e dispersou seus integrantes por unidades militares distantes, não porque fossem culpados de atrocidades, mas por terem descumprido a ordem direta dele, comandante supremo das Forças Armadas.

Nem o mais empedernido defensor do arbítrio ousou protestar, quando as coisas foram colocadas dessa forma. A obediência à hierarquia é incutida nos aspirantes a oficiais desde o primeiro dia de Academia.

Enfim, não adianta chorarmos o leite derramado. Lula perdeu ótima oportunidade para livrar-se dos que estão, dentro do seu governo, semeando ventos para provocar tempestades.

Torçamos para que ele não venha a arrepender-se amargamente disto — pois os maiores prejudicados seremos nós.

O FUNDAMENTAL E O SECUNDÁRIO

De resto, os ministros progressistas devem ter clareza quanto ao que é realmente importante defenderem, durante a revisão do PNDH prometida por Lula aos militares chantagistas.

A apuração integral dos crimes praticados por agentes do Estado (e pelos paramilitares por eles acobertados, como os do CCC) durante a ditadura é imprescindível e inegociável.

A apuração simultânea de eventuais excessos praticados por resistentes seria totalmente descabida, uma mera igualação entre carrascos e vítimas, que só se sustenta em termos propagandísticos.

A extrema-direita bate nesta tecla à exaustão nos seus sites goebbelianos, omitindo sempre que nada disso teria acontecido se a democracia não houvesse sido detonada pelos golpistas de 1964; e que há enorme diferença entre terrorismo de estado, sancionado pelo ditador de plantão e seus ministros (os signatários do AI-5), e as reações desesperadas dos resistentes.

No fundo, os comandantes fascistas não são tão obtusos a ponto de ignorarem que por aí não se irá a lugar nenhum, em termos legais. Querem apenas munição para a batalha de mídia, contando com a conivência da grande imprensa para confundir a opinião pública.

É uma falácia que deve ser firmemente rechaçada.

Quanto à retirada ou manutenção das homenagens prestadas a totalitários, não importa tanto.

O povo, na verdade, não está nem aí para a figura histórica que deu nome a uma via ou logradouro público.

Às vezes, a denominação oficial nem sequer vinga, como nos casos da ponte Rio-Niterói (RJ) e do Minhocão (SP). Quem atenta para que ambos reverenciam o ditador Costa e Silva? Quantos conhecem o papel histórico que ele desempenhou?

Quando a coisa passa da conta, a reação da cidadania já corrige a distorção: em São Carlos (SP), uma campanha de esclarecimento foi suficiente para a rua Sérgio Paranhos Fleury ser rebatizada como rua D. Helder Pessoa Câmara.

Então, meu conselho ao Vannuchi e ao Tarso é que finquem pé no fundamental e não desperdicem energias com o secundário.

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Comentários

comentários

Por um acaso, li o seu texto. Quanta imbecilidade!!! Entretanto tive a paciência de lê-lo por completo, enquanto imaginava que mentes distorcidas como a sua estão na direção deste País. Relutei comigo mesmo em perder estes 2 minutos postando esse meu comentário, porém achei importante que você soubesse (mesmo sabendo que pessoas como você não sabem lidar com a contrariedade) que há pessoas, neste País, e posso afirmar que correspondem à maioria absoluta da população, que não concordam com nada do que você conseguiu exprimir em tão poucas palavras. Leia mais, meu amigo. Reflita melhor nos fatos. Analise a história com a mente da época em que os fatos são narrados. Enfim seja menos revanchista e mais pró-ativo. O Brasil precisa disso. Caso tenha alguma dúvida, mande pelo meu email, terei o prazer em colaborar com a sua sanidade. Abraço

Mauricio

  • Não entendi o comentário de Mauricio Gama. Primeiro chega grosseiramente atacando o autor (“Quanta imbecilidade!!!”) e, depois, surpreendentemente, não dá NENHUM argumento. Um único. Ao contrário, solta frases ocas como “Analise a história com a mente da época” e “seja menos revanchista e mais pró-ativo”.

    Mauricio, argumente. Pelo menos isso, porque se não o autor nem sequer poderá responder. Francamente…

  • Acredito que o caso tenha sido publicado propositalmente nesta data porque as pessoas estão desmobilizadas.

    Quanto ser uma jogada para abalar a popularidade de Lula isso só pode ser piada – estão viajando na maionese. Se Saúde, política de concentração de terras, criminalidade crescente, política salarial de aposentados, etc… (são tantas as políticas do governo que ofendem e humilham o povo brasileiro) não fedem nem cheiram para o eleitorado, que dizer da importância do assunto “torturados e torturadores” se enterraram a História do Brasil faz tempo: do tempo da ditadura e se reforça hoje nas políticas educacionais (privatistas) deste desgoverno.

  • É PARA FALAR MESMO?
    Rodolfo Ganzer 31/12/2009 14:29

    ENTÃO VÃO TER QUE EXPLICAR QUE A ESQUERDA NUNCA LUTOU CONTRA A DITADURA MILITAR, PELA DEMOCRACIA. A ESQUERDA LUTOU PARA IMPLANTAR UMA DITADURA COMUNISTA NO BRASIL, COMO A CUBANA OU A CHINESA. ATÉ PORQUÊ, OS MILITANTES QUE TREINAVAM EM PAÍSES COMUNISTAS, NÃO VOLTAVAM PARA CÁ PARA IMPLANTAR UMA DEMOCRACIA CAPITALISTA, NÃO É MESMO?

    TERÃO QUE CONTAR QUE PRETENDIAM QUE O ARAGUAIA SE TORNASSE EM TERRITÓRIO LIVRE E DESMEMBRADO DO BRASIL, COMO O DAS FARC NA COLÔMBIA ATUAL!

    O POVO GOSTARÁ DE SABER DESSAS VERDADES?

    SE A ESQUERDA GANHASSE, O POVO SAIRIA DE UM GOVERNO DE DIREITA, E CAIRIA NUMA DITADURA DE ESQUERDA, SEM DIREITO A PROPRIEDADES…MAS SERIA A DITADURA DE VCS, ISSO VCS NÃO CONTAM NA TV. CADÊ A CORAGEM PARA ISSO?

  • [via correio eletrônico]

    Subject: SOLIDARIEDADE AO COMPANHEIRO MINISTRO PAULO VANNUCHI

    CORRENTE EM SOLIDARIEDADE AO COMPANHEIRO MINISTRO PAULO VANNUCHI

    OAB critica Jobim e comando militar e afirma que País não pode se acovardar

    Brasília, 30/12/2009 – O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, em declarações feitas hoje (30), criticou duramente as pressões do ministro da Defesa, Nelson Jobim, e de comandantes militares contra a criação da Comissão da Verdade, dentro do Plano Nacional de Direitos Humanos, para investigar a tortura e os arquivos do período da ditadura militar (1964-1985). “Um País que se acovarda diante de sua própria história não pode ser levado a sério: o direito à verdade e à memória garantido pela Constituição não pode ser revogado por pressões ocultas ou daqueles que estão comprometidos com o passado que não se quer ver revelado”, afirmou Britto em resposta às pressões dos chefes militares contra investigações de torturas e desaparecimentos no período da ditadura.
    “O Brasil que está no Haiti defendendo a democracia naquele país não pode ser o país que aqui se acovarda”, sustentou o presidente nacional da OAB – entidade que defende no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal Militar (STM) ações reivindicando a abertura dos arquivos da ditadura e a punição aos torturadores, e uma das primeiras a apoiar a criação da Comissão da Verdade. “O Brasil não pode se acovardar e querer esconder a verdade; anistia não á amnésia. É preciso conhecer a história para corrigir erros e ressaltar acertos: o povo que não conhece seu passado, a sua história, certamente pode voltar a viver tempos tenebrosos e de triste memória, como os tempos idos e não muito distantes”.
    Para Cezar Britto, “negar simplesmente a história, ou tentar escondê-la a todo custo, é querer contá-la de novo, especialmente nas suas páginas mais obscuras, excludentes e nefastas”. Ele lembrou, nesse sentido, episódios recentes vividos pelos estudantes que protestaram em Brasília contra escândalos de corrupção denunciados, envolvendo os poderes públicos locais.”A violência policial cometida contra os estudantes de Brasília em data recente não foi diferente durante a ditadura militar. É preciso revogar o medo, fazendo escrever nas páginas da história do Brasil que este é um País livre, democrático e protegido por uma Constituição que Ulysses Guimarães batizou de coragem”, concluiu.

    FAVOR DIVULGAR E COLOCAR NOS SITIOS

    1- TAPETÃO DO JOBIM – O GOLPE DO MINISTÉRIO DA DEFESA CONTRA A COMISSÃO DA VERDADE E JUSTIÇA PARA GARANTIR A IMPUNIDADE AOS TORTURADORES DA DITADURA MILITAR 1964-1985. (6 minutos) – http://tvbrasildefato.blip.tv/

    Para colocar em seu sitio ou BLOG copie a fórmula:

    2- Manifesto Contra Anistia a Torturadores, da Associação Juízes para a Democracia e dirigido aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Procurador Geral da República acesse http://www.ajd.org.br/contraanistia_port.php, já reuniu cerca de 10 mil assinaturas.

    ENCAMINHE CARTA AOS SEUS CONTATOS NA IMPRENSA PARA QUE ELES VEJAM QUE 94% DOS DELEGADOS APROVARAM A CRIAÇÃO DA COMISSÃO DE VERDADE E JUSTIÇA. Vamos desmascarar o golpista do Jobim que não aceita a decisão democrática da XIII Conferência Nacional de Direitos Humanos.

    Em breve estaremos lançando o documentário – APESAR DE VOCÊ – OS CAMINHOS DA JUSTIÇA – produzido pelo Armazém Memória, que retrata a luta pela responsabilização dos torturadores da ditadura militar na justiça brasileira e na Corte Interamericana de Direitos Humanos, discutindo a necessidade do STF acolher a posição da OAB sobre a Lei de Anistia expressa na ADPF 153.

    Atenciosamente;

    Marcelo Zelic
    Vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais-SP e membro da Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo
    Coordenador do Projeto Armazém Memória
    (11) 3052-2141
    (11) 9206-9284
    http://www.armazemmemoria.com.br
    mzelic@uol.com.br

  • Olha Dona Rita e Cia,

    vamos ver se eu entendi os argumentos:

    1. os militares que debelaram os terroristas com a melhor, mais integrada e eficiente rede de informaçoes do cone sul devem ser julgados…..

    2. os terroristas que assaltaram bancos, mataram e espancaram dissidentes e se diziam da “democratas” nao podem nem ser quetionados sobre as atrocidades que comenteram neste periodo?

    3. voces se valem da prerrogativa de que os militares nas podem emitir opiniao sobre politica para tentarem colocar estes argumentos fajutos no grito…..

    4. muitos de voces devem fazer parte destas pessoas que compoe a “esquerda escocesa” que gostam de falar muito em democracia, do apartamento em ipanema, tomando uisque escosses e lendo livros de foucault…..

    5. por que voces nao se dam ao trabalho de ir nas cidades de fronteira ou nos rincoes do nordeste, onde o trabalho dos militares é feito de forma silente e profissional?….

    6. Procurem a mae do tenente morto a pauladas pelo heroi macunaima “carlos lamarca”… sobre esta questao de caça as bruxas de um so lado…..

    até quando esta hipocrisia vai durar?

  • Não perdi tempo em postar argumentos pois estes estão claros ao nosso redor. Não é à toa que as Forças Armadas tem uma credibilidade enorme no seio da nossa sociedade, mormente a camada mais carente que estão presentes nos quartéis, orgulhosas de seus entes queridos que tem o privilégio de partcipar de um grupo que se propuseram defender a nossa Pátria. Sugiro aos que possuem algum sentimento contrário aos militares das Forças Armadas que visitem um quartel próximo da sua residência. Para aqueles que possuem recursos, visitem a Amazônia, os pelotões de fronteira onde a única presença do Estado se caracteriza pela familia militar. Participem de uma formatura de incorporação de recrutas num dos diversos quartéis deste Páis, irão se emocionar, juntamente com milhares de familiares e amigos que sentem orgulho de ainda existir instituições sérias. Conversem com os militares, suas famílias, sintam o patriotismo destes brasileiros, apesar de existirem irmãos da Pátria que nutrem sentimentos revanchistas contra eles, mesmo que indiretamente, apesar dos baixos soldos e do descaso dos governantes. Acompanhem o que os militares realizam por este País, apesar da falta de investimentos(é um milagre). Visitem as escolas militares, é um orgulho para nós. Uma delas me deu a oportunidade de sair de uma família do interior do ES, de 13 filhos, cujo pai ganhava 1 salário mínimo por mês e atingir um alto posto na carreira. As Forças Armadas são a instituição mais democrática deste País. Por meio do mérito, conquistei posições de destaque na Força, deixando para trás filhos de generais, juizes,… Não há no nosso meio apadrinhamentos, injustiças e traições, cultivamos a verdade, a lealdade, a justiça e o mérito (falo isso por experiência própria). Tenho orgulho de me espelhar em homens honrados (Marechal Castelo Branco, Marechal Rondon, …) que alguns querem passar como vilões para a sociedade brasileira. Esta instituição que alguns querem denegrir, me deu a possibildade de constituir uma família maravilhosa, de ter uma vida sem luxo, porém digna, me deu a oportunidade de conhecer este Brasil esplêndido e alguns lugares no exterior. Digo isso para que possam entender, com minha singela experiência, a índole e o caráter dos integrantes das Forças Armadas. Por fim, peço desculpas pela maneira acintosa que me manifestei no primeiro comentario, é ruim ainda saber que há pessoas que nutrem desavenças contra as Forças Armadas, e saber que uma boa parte desses estão no controle da mídia, nos altos escalões do governo e nas universidades. Sinto-me como que remando contra a maré, pois aquilo que é propalado por estas pessoas nestes meios não correspondem àquilo que vivo há 20 anos. Felis ano novo a todos

    Mauricio

  • Prezado Mauricio.
    Tudo isso sabemos. Eu costumo visitar a Amazônia, inclusive, como jornalista, e entendo isso. E concordo. O que não posso entender é por que isso que fala justificaria atrocidades, como tortura e perseguição política, com centenas de assassinatos, inclusive com uma rede formada (Operação Condor) obrigando centenas ao exílio, ou à morte? Qual o nexo entre uma coisa e outra? O que se espera é a verdade (a comissão da verdade), você é contra? Os militares da “antiga” dizem que querem a verdade, mas são contra uma comissão para tal…

  • VC É UM LIXO E SUA IDEOLOGIA TAMBÉM.ACHO QUE VC’S COMUNISTAS, QUEREM REVANCHE, POIS TENTE E VERÁ DO QUE SOMOS CAPAZES.SEEEEEEEEEEELVA.VIVA O EB.

  • ACEITAMOS INVESTIGAR QUEM TORTUROU NO REGIME MILITAR, MAS QUEREMOS TODOS, INCLUSIVE QUE SE APURE A MORTE DO CAPITÃO MENDES JUNIOR DA PM PAULISTA.SERÁ QUE VC’S ACEITAM?VAMOS INVESTIGAR TODOS, SEM EXCEÇÃO, DIREITA E ESQUERDA, VAMOS VER QUEM COMEÇOU O REGIME MILITAR, A CULPA É DE QUEM?DO MAZILLI?DILMA?DIRCEU?VAMOS LÁ!

  • Esta parte da história precisa ser encarada de frente. Independente da ideologia, de onde estejam, ou de quem sejam os culpados. Que a caixa seja aberta e os responsáveis por qualquer espécie de atrocidade sejam punidos! Sem isso, creio eu que o Estado não possua a legitimidade moral para punir nenhum de seus criminosos comuns. Dois pesos e duas medidas. No mínimo inaceitável.

  • Maurício Gama,
    tudo bem, moço, todos acabamos expressando um pouco de nossa emoção nos comentários. Particularmente, não tenho nada contra os militares, embora eu não leve o menor jeito para o regime disciplinar que vocês seguem rsrsrs
    Eu entendo a sua posição, vc vê as forças militares como algo extremamente positivo e o ofende a visão negativa que algumas pessoas tem (muitas vezes sem nem conhecer direito, certo?). Tem toda razão. Mas, pelo que entendi até agora, a criação da Comissão da Verdade é para apurar as atrocidades cometidas pelos militares na época da ditadura militar, não tem a ver com as forças militares de hoje. São ações completamente diferentes. Os militares da ditadura torturavam, estupravam, matavam… os de hoje são pessoas que protegem a sociedade, em sua grande maioria… não há paralelo. E me parece que os idealizadores dessa Comissão estão tomando muito cuidado pra que não se torne um ato de revanchismo.
    []’s

  • Caro Gustavo, acredito que não há alguém em sã consciência nas Forças Armadas contra a verificação desta lamentável luta entre irmãos que ocorreu no período militar. Nestes episódios, houve exageros em ambas as partes. O mundo, na época, estava polarizado entre duas ideologias, e isso provocou uma luta dentro do País. Era uma luta ideológica. Eu, como militar, e quando leio a respeito do período (nas duas versões), vejo que havia pessoas, em ambas as partes, muito bem intencionadas. A emoção levada à exarcebação, conduziram a muitos a ultrapassarem os limites do aceitável. Tomo, como exemplo, a morte cruel do Ten Mendes, os atentados a bomba em Recife, no II Ex em São Paulo, a morte dos militantes (muitos desaparecidos)e militares do Araguaia, a morte cruel de um adolescente na frente da família no Araguaia, entre outras lamentáveis passagens da nossa história recente. Fomos todos vítimas de um processo doloroso que todo o mundo vivia, capitaneados pelos EUA e URSS. Inútil será querer definir quem foram os bandidos e quem foram os mocinhos, como, por exemplo saber se o governo militar endureceu o regime por conta da luta armada, ou se formou a luta armada da esquerda com o endurecimento do regime. É perda de tempo. Converso com meus irmãos de fardas, muitos deles filhos, netos e parentes de militares que viveram esse período. Todos são unânimes em dizer que devem ser realmente esclarecidas para a sociedade o ocorrido no período militar, sem, no entanto, fazê-lo de forma rancorosa e ainda eivado com ideologias que já prejudicou tanto o nosso País. Os comandates da Forças Armadas foram muito coerentes em deixar o cargo à disposição do governo. Era o mínimo que se podia fazer. Está longe de ser um ato de insubmissão (como o texto lido anteriormente quer sugerir), mas um ato de honradez. Está claro que o documento produzido pela Secretaria de DH é muito imparcial nos tópicos questionados pelos militares. É muito injusto querer apurar somente um dos lados, pelos argumentos acima. Já que é desejo de “todos” rever este período, abrindo uma dolorosa ferida, tem que apurar todos exageros em ambas as partes. Caso contrário estamos revelando uma “meia verdade”, desqualificando esta comissão. O que os militares não concordam é com esta imparcialidade na condução deste trabalho. Propalam que os militares tem medo de abrir os arquivos. Gustavo, te garanto que isso é uma falácia, não há medo algum. Ou você acha que há documentos fechados a sete chaves pelas Forças Armadas. É um desvaneio para cumprir o real objetivo: enfraquecer uma séria instituição, nos moldes da teoria de Gramsci. Portanto esta comissão da VERDADE tem que ser imparcial, nisto os militares apoiam incondicionalmente. Outro item pertuador é a mudança dos nomes de locais públicos. É uma falta de respeito aos que tem um mínimo de coerncia e discernimento. É uma provocação que parece uma a inversão de valores. Os herois brasileiros hoje que alguém me disse uma vez, eram drogados, desvairados, rebeldes, inconsequentes, não produziram nada para País, a não ser poéticas letras de músicas (que são importantes para a cultura do País, porém longe de ser um requisito para heroi de um País tão sofrido). Este item é um absurdo, pois querem (como exemplifica o texto supracitado), desqualificar homens que realmente trabalharam para este País ser melhor. Que a Comissão da Verdade seja realmente implantada porém com uma visão sem apoio no revanchismo, em ideologias há muito ultrapassadas, para que a VERDADE seja colocada para a sociedad. São esses pontos que gostaria de colocar, Gustavo. Abraços
    Mauricio

  • Rita, sobre a criação da Comissão da Verdade valem as mesmas considerações que fiz anteriormente. Não se pode generalizar essas afirmações de que militares assassinavam, estupravam… São afirmações genéricas e simplistas que tem o objetivo de imacular o período em que o País foi governado por militares. Até mesmo esse termo DITADURA foi cunhado para diminuir o valor desta época para o País. Josef Goebbels, ministro da propaganda de Hitler afirmou o seguinte: “Uma mentira dita cem vezes torna-se verdade”. Era a maneira do Reich poder impor as suas “verdades”. É uma falácia dizer que o Brasil viveu uma ditadura nos anos de 64-85, logicamente, no mundo da época não era possível ter a democracia que vivemos nos dias de hoje. O mundo era diferente. Porém o período do governo militar nos livrou do pesadelo de termos uma ditadura perversa no nossa País, nos moldes que ocorreu em Cuba, China, Camboja, Coréia do Norte, entre outros. Imagine se os movimentos da esquerda armada, travestidos de revolucionários, tivessem êxito. Com certeza não teríamos a liberdade de expressarmos nossas opiniões aqui, mesmo porque não teríamos acesso à internet. Olhe como estão os países que sofreram deste mal, a situação em que se encontram. Nestes lugares sim há uma verdadeira ditadura. Por isso, não acredito que este termo ditadura se enquadre no nosso caso. Podemos dizer sim que o Brasil teve de tomar um remédio amargo para ficar saudável. Logicamente que não estou aqui justificando qualquer tipo de violência, longe disso. Se tivesse havido apenas uma morte neste período devido à luta que se travou no País opondo brasileiros, já seria o suficiente para manchar este período da história. Ocorreram pouco mais de 300 (civis e mlitares) em 20 anos, lamentavelmente. Embora esse número seja consideravelmente menor quando comparados com países que passaram pelo mesmo processo, como a Argentina e o Chile, onde ocorreram dezenas de milhares de vítimas fatais, não podemos deixar de lamentar por essas perdas. Entretanto, não se pode querer nesta hora generalizar culpando uma instituição por essas perdas. Todos perdemos, mas também ganhamos, e muito. Temos um País em franca expansão, uma pujante economia, com uma democracia se consolidando, livre das ameaças ditadoriais, com instituições fortes, sérias. Um País, onde, em mais de 8 milhões de Km2 se fala a mesma língua, povo de índole pacífica, hospitaleiro. Rita, posso garantir, mesmo que para muitos que não conhecem a história deste País possa parecer um absurdo, tudo que temos hoje tem uma parcela importante das Forças Armadas, especialmente o Exército Brasileiro. Acho que temos que conhecer melhor a nossa história, conhecer melhor as nossa instituições (recentemente tive a oportunidade de conhecer a carreira diplomática, o trabalho desta instituição é maravilhoso, porém desconhecia), valorizá-las. Temos que nos unir mais, o Brasil está maduro para enfim se tornar um País de ponta, não só no aspecto econômico, mas em todas as áreas. Temos que pensar grande. Se tivermos que esclarecer melhor algo do nosso passado recente, se há realmente um clamor da sociedade para isso, temos que fazer com toda sobriedade e discernimento possível para que se apresente a verdade, senão será em vão a morte dàqueles que deram a vida (militares e civis) por acreditarem num País melhor. Abraços

    Mauricio

  • Caros, não adianta argumentar com pessoas do nível do Maurício Gama. Revanchistas são eles – os militares que não honram a farda que vestem. Eles são revanchistas quando não reconhecem a autoridade suprema do presidente da república – vide a insubordinação motivada pela declaração de Nelson Jobim. Eles são revanchistas quando debocham ou chamam de “terrorista” o presidente Lula, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas. Como irão se referir à Dilma, futura presidente do País? São revanchistas quando não reconhecem a hierarquia e se posicionam como se ainda vivessem na época da Ditadura. Revanchistas são eles quando se recusam a contribuir para que o povo brasileiro conheça a sua história recente, para que as famílias enterrem seus mortos e para que os torturadores sejam punidos dentro da lei, com todos os seus direitos de defesa assegurados. Não queremos punir militares na ativa. Nossa luta é, fundamentalmente, para que os erros do passado sejam reparados. Só assim será possivel não repetí-los no futuro.

  • E outra: Mauricio Gama fala tanto no problema de “generalização” quando se fala no regime militar, mas ele próprio generaliza a luta daqueles que se opuseram ao governo. Da maneira como ele fala, parece que todos os que lutaram com armas queriam implantar uma “ditadura de esquerda” no Brasil. Na verdade, estes grupos eram minoritários e tiveram uma atuação isolada. O que o Sr. Mauricio não diz é que entre os que lutaram contra a ditadura estavam simples nacionalistas e democratas de todas as idades. Uma parcela considerável da população brasileira se elevou em armas e nem todo mundo estava lutando em nome de uma ideologia política, mas sim por amor à Pátria e pela liberdade. A ONU assegura o direito de os povos se levantarem em armas para derrubar as tiranias e os governos ilegítimos. Os militares não livraram a nação de coisa alguma, apenas adiaram em décadas o progresso social e econômico da nação.

  • Que bobagem Bruno. Meu caro amigo, você foi muito pobre na argumentação. Percebi que você não conhece o significado de palavras como insubmissão e hierarquia. Você as usou com uma impropriedade enorme. Quando houve insubordinação? As ditas “verdades” absurdas que estão sendo propaladas por aí (como estas que você tentou sem fundamentação propor), só tem algum eco, pois os militares são muito disciplinados. Prefere-se agir com trabalho e patriotismo a ter que rebater afirmações como as que você usou. Quem chamou o presidente Lula de terrorista? O governo atual foi o que mais se preocupou com as Forças Armadas, sou testemunha disso. Respeitamos o nosso Presidente pelo cargo que ocupa e pela pessoa que é. Quanto à hierarquia sem comentários, não tem ninguém que a viva e valorize como os militares. O Exército do Brasil tem feito tudo o que é possível para ajudar na apuração dos fatos ocorridos no período militar. Acredito que você esteja desatualizado. Garanto a você que estamos com total apoio para apuração da VERDADE para a sociedade, porém ela deve ser parcial e não eivada destes sentimentos que você conseguiu transmitir no seus comentários. Acredito que somos um dos maiores interessados na divulgação da verdade. Concordamos com você, quando diz que os erros do passado não podem se repetir, seria burrice nossa não aprendermos com o passado. Todos somos contrários a qualquer tipo de terrorismo e tortura. Seria um absurdo não o ser. Concordo com você quando diz que havia muitos nacionalistas e democratas que eram contrários ao status quo, queria também, ou será que era bom viver nesta polarização da sociedade. Mas acredito que estes eram “inocentes úteis” aos objetivos de uma parcela pequena, porém instruída, com capacidade de liderança adeptos de Che Guevara, Mao Tsé, Stálin, entre outras figuras. Era a estratégia para implantar no País uma ditadura perversa. Acredito se fosse um estudante, na época, estaria sujeito a este aliciamento (coisas da juventude). Mas não venha me dizer que o objetivo da luta armada tinha um teor democrático – é uma grande falácia. Agradeço o seu contraponto, meu amigo. Mas não se esqueça não sou seu inimigo, somos brasileiros e queremos o melhor para o nosso País. Abraço

    Mauricio

  • Uma correção: onde se lê … porém ela deve ser PARCIAL, leia-se PORÉM ELA DEVE SER IMPARCIAL. Para não ver dúvidas e pra que eu seja coerente.

  • Caro Maurício,

    não sou seu amigo e nem seu inimigo. Somos, como você bem disse, compatriotas. E temos, como dever, de conviver fraternalmente dentro do nosso território.

    Concordo com seu argumento em muitos pontos, mas ainda acho que qualquer investigação que se faça sobre os anos de chumbo não pode julgar da mesma forma os algozes (os torturadores) e as vítimas (os guerrilheiros e os civis inocentes que vocês chamam de “terroristas”).

    Antes do Golpe Militar havia grupos políticos de esquerda no Brasil e eles só representavam uma “ameaça à democracia” na mente delirante dos governos latino-americanos da época, ainda influenciados pelo discurso maniqueísta da Guerra Fria. É fato que havia uma esquerda nacional em franco crescimento, mas não havia luta armada. Você sabe disso.

    Por isso é que não podemos correr o risco de julgarmos com a mesma severidade um notório torturador, como Brilhante Ustra, e um militante de esquerda que, por ideologia ou patriotismo, tenha assaltado um banco para financiar a resistência armada ou assassinado um militar durante um confronto.

    Quem deveria ser punido pelos excessos cometidos: o guerrilheiro que matou o cabo Rosa durante uma troca de tiros no Araguaia ou os militares que decapitaram guerrilheiros que já estavam presos neste mesmo cenário amazônico?

    O exemplo clássico é o fuzilamento da jovem Walkíria, que estava doente, ferida, nua e acuada. Seu assassinato não configura um crime de guerra? Não deve ser investigado como tal? Seus mandantes não devem ser punidos?

    Deixo claro que nada tenho contra os militares e contra as Forças Armadas Brasileiras. Meu falecido pai, durante muitos anos – inclusive durante a Ditadura – foi Tenente do Exército do Rio de Janeiro e sempre honrou a farda que vestiu. Nunca me envergonhei de seus atos.

    Abraço!

  • Caros defensores da COMISSÃo DA VERDADE de um só lado,
    O que vocês já leram da história, nacional e mundial, do período pré regime militar?
    Primeiro: o Brasil viveu um regime de exceção. Ditatura é um termo impróprio. Quem nào entendeu procure informar-se.
    Segundo: Como já foi mencionado naquela época havia uma polarização entre os regimes de direita e de esquerda. Os regimes cuja a esquerda radical havia atingido o poder fizeram milhões de vítimas. Alguns regimes de direita também. O regime instalado pelos militares na época deveria ter retornado aos civis em um período curto. Neste instante aconteceram dois erros:o recrudecimento de alguns grupos de esquerda que partiram para a luta armada e a ganância de alguns (civis principalmente) que orbitavam o poder na época e se aproveitaram dos ataques armados da esquerda para prolongar o regime de exceção.
    Feito este breve resumo, acredito que a VERDADE mais próxima estaria na busca dos “exagerados” dos dois lados que impuseram ao país este período triste. Lembrando sempre que ao lado do regime militar estavam (locupletando-se do poder) civis que hoje constituem a base de apoio político do governo atual.
    Estudem. Leiam. Tirem suas conclusões.
    Um abraço e bom 2010.

  • Mauricio Gama: concordo com voce em todos os seus posicionamentos, inclusive o primeiro. O que ocorre é que a patrulha ideologica do PT está presente aqui para diluir os seus argumentos. Eles estao presentes em toda a grande imprensa brasileira, tanto é vaerdade que o fato tornado publico antes do natal, ganhou certa notoriedade mas logo foi abafado. Se nós vivessemos no periodo militar uma autentica ditadura, nao teria havido transmissao de poder aos civis (no caso, ao presidente José Sarney). A lei da anistia propiciou isto. Quantas vezes Fidel Castro transferiu o poder aos seus sucessores? E Hugo Chaves? O periodo militar foi uma exceção necessária para impedir ao Brasil cair nas garras da ditadura Soviética. Democraticamente entregou o poder aos civis. Onde se encontra o ranço da ditadura no Regime Militar?

  • Claudia Marcia:

    não seria a direita quem precisa rever seus conceitos sobre ditaduras e democracias? Os argumentos que vocês defendem caíram por terra há muito tempo e não convencem a mais ninguém. Fica mais fácil creditar à “patrulha ideológica do PT” o clamor nacional pela abertura dos arquivos da Ditadura. Se você realmente soubesse do que está falando, saberia que o governo do PT, infelizmente, não se esforçou muito para que isto acontecesse. Ou seja, vocês, reacionários – e seu discurso me dá a liberdade de incluí-la neste grupo – continuam cultivando o mesmo pensamento paranóico dos anos 60 e 70, que via “ameaça comunista” em toda parte. Fique tranquilo, estamos muito longe de sermos uma nação comunista.

    Em tempo: colocou Fidel Castro e Hugo Chávez na conversa, perdeu. Aí não tem como continuar debatendo.

  • Caros,
    Para entender como funcionam as coisas leiam “A Revolucao dos Bichos” e o significado da palavra “pelego”.

  • Aos abafadores da crise: dei uma “escaneada” no território livre da internet (pois a Grande Imprensa está silenciada pelos “patrulheiros” do PT) e verifiquei: O deputado Raul Jungmann (PPS-PE) vai convocar a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para que ela explique o objetivo do Plano Nacional de Direitos Humanos 3. Oficiais da Reserva apoiaram em nota o Ministro Jobim (Defesa) e os comandantes militares na crise com a secretaria de Direitos Humanos.Boatos sustentam que o clima anda tão ruim, que se Vanucchi não deixar o cargo, Jobim sai (provavelmente, com Jobim, os ministros militares). Quem reassumirá para abafar a crise? E se todos recusarem reocupar o espaço de Jobim e dos ministros militares? A autoridade de Lula vai se sobrepor a quem? Como a patrulha do PT vai se posicionar? A oposição terá discernimento para explorar estes fatos para a campanha presidencial de 2010? A Dilma se sustentará? Senhor Bruno Ribeiro: não tente desviar o meu foco! Se o Brasil não é comunista, demos graças aos miltares de 64. Depos de 64 o Regime sovietico entrou em colapso, em 89 e 91. Não se sustentou porque? Propostas da esquerdas são retrocessos na história.

  • Mas quem disse, Claudia Marcia, que estamos aqui defendendo o comunismo no Brasil? A senhora continua demonstrando uma visão estrábica e paranóica do mundo, uma visão completamente dominada pela ideologia. É uma direitista tão fanática quanto o mais radical esquerdista, aquele tipo que não toma coca-cola para não “financiar o imperialismo”. Um pouco de autocrítica não faz mal a ninguém, cara Claudia. O discurso totalitário dos comunistas de farda entrou em colapso junto com o discurso fascista dos milicos de direita. Hoje o mundo sabe que ambos os discursos eram apenas as pontas opostas da mesma ferradura. É por isso que democratas humanistas como Lula ganham cada vez mais espaço na política internacional. Chega a ser patético ter que explicar isto para a senhora.
    Saudações!

  • Sobre a crise militar, parece que Lula não leu o decreto que assinou e que ameaça a lei de anistia. Ele não faria isso em final de seu governo, estressando uma relação que tão bem estabeleceu com os militares. Confiou nas explicações que ouviu da Chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, certamente. O decreto desperta fantasmas que estavam mortos e sepultados, de um lado e de outro campos ideológicos envolvidos. O decreto-revanche expõe a natureza íntima de Dilma Rousseff, o que cria enormes dúvidas sobre seu comportamento, caso chegasse à Presidência da República. Esse decreto tem que ser cancelado liminarmente. A oposição já estuda entrar com pedido de ADIn no STF. Paulo Brossard, jurista, ministro aposentado do STF diz que a anistia é irreversível. A anistia é lei penal e por conseguinte não há poder para revogar no Lgislativo, depois de tê-la promulgado, porque o veda os incisos 36 e 40 do artigo 5º, da Constituição de 1988. A lei penal só retroage se benéfica ao acusado. Constitui ato de ditadura afrontar, na marra, cláusulas pétreas da Constituição Federal. O decreto de Lula é inconstitucional já na origem. Certamente não seria recebido pelo Legislativo. Fica entretanto, evidenciado o espírito ditatorial dos que ocupam o poder. Lula, Dilma e seus ministros. A reação de Jobim está certamente fundamentada na lei que ele conhece, pois já foi presidente do STF.

  • Artigo da Folha de São Paulo, vale a pena ler:

    Déficit de atenção

    Dora Kramer

    A confusão quase-crise entre os ministérios da Justiça e Defesa -leia-se Forças Armadas-, que fechou 2009 e reabriu a recorrente questão sobre a punição aos crimes contra a vida cometidos durante a ditadura, exibiu a face contraproducente do modo espetáculo de Luiz Inácio da Silva governar o Brasil.

    Isso partindo da premissa de que o presidente da República falou a verdade quando disse que assinou decreto de criação do Programa Nacional de Direitos Humanos sem conhecer seu conteúdo. Grave em si, o fato não é incomum.

    O antecessor de Lula mesmo, Fernando Henrique Cardoso, bem mais afeito à leitura e interesse por detalhes, assinou sem ler um decreto que poderia manter documentos oficiais sob sigilo eterno. O ex-presidente justificou que assinou “como rotina” e atribuiu a falha a um descuido burocrático ou a má-fé de “alguém” a quem não denominou. Ou não identificou.

    Quem conhece a sistemática do Palácio sabe como as coisas funcionam: “No fim do expediente entra no gabinete presidencial um chefe da Casa Civil com a papelada para o presidente assinar antes de enviar os atos à publicação no Diário Oficial. Em geral, enquanto conversam o presidente assina os documentos não necessariamente mediante exame”, descreve o deputado Raul Jungmann, presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional e ministro da Reforma Agrária no governo FH.

    Daí não ser de todo inverossímil, desta vez, a versão de que Lula não sabia que o decreto tratava entre outras coisas da possibilidade da revisão da Lei da Anistia e de tolices revanchistas como a retirada dos nomes de presidentes do regime militar de pontes, rodovias, praças, ruas e prédios públicos.

    Um contrassenso até em face das repetidas referências elogiosas que o presidente faz às realizações e até ao modelo administrativo desses governos.

    Mais difícil de acreditar é que o presidente Lula ignorasse os termos do acordo que, segundo o ministro da Defesa, Nelson Jobim, foi dura e intensamente negociado entre a sua pasta, os comandantes das três Forças, os primeiros escalões do Exército, Marinha e Aeronáutica, e o Ministério da Justiça, na figura do secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi.

    Se de fato ignorava, de duas uma: ou o presidente foi induzido ao erro pela ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, ou errou em decorrência de seu déficit de atenção em relação aos assuntos de governo que não se relacionem diretamente com embates de natureza político-eleitoral ou com o culto à sua personalidade.

    Não é crível que um assunto que no ano passado havia feito explodir divergências públicas, entre os mesmos personagens e arquivado por ordem de Lula, não estivesse sendo acompanhado pelo presidente.

    Em qualquer das duas hipóteses houve quebra de confiança. Ou da ministra para com o presidente ou de Lula em relação às Forças Armadas, uma instituição pautada pelo princípio da disciplina e da hierarquia.

    Pelo acerto, a Comissão da Verdade, na expressão do deputado Jungmann, uma espécie de “CPI da ditadura”, investigaria os crimes cometidos durante o período autoritário levando em conta não apenas as ações dos militares, mas também os atos dos integrantes da resistência pela vida da luta armada.

    O texto apresentado e assinado pelo presidente Lula, no entanto, só fazia referência a investigações aos crimes cometidos pelo “aparelho de Estado”, vale dizer, os militares e os civis que serviram como braços auxiliares.

    Se a ideia foi criar uma dificuldade para dirimi-las no decorrer de uma negociação posterior, quando o projeto de lei chegasse ao Congresso, por exemplo, foi uma péssima ideia.

    Não pela essência, dado que o direito de um país à sua memória é sagrado e que, mais dia menos dia, o Brasil terá de enfrentar a questão. A tortura e o terror universalmente não se submetem a legislações específicas, são atos condenados em tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

    O problema foi a forma. Se já é difícil fazer com que os militares concordem em criar uma instância para o reexame de crimes que podem “tragar” a instituição para um passado com o qual a maioria não guarda a menor relação, impossível é fazê-los aceitar a quebra da palavra empenhada.

    Se as coisas se passaram realmente conforme o relato que fez o ministro da Defesa e os comandantes das três Forças protestarem por meio dos pedidos de demissão, houve quebra grave de confiança e não é assim que se conduzem negociações nesse meio. Não foi assim que se conduziu a campanha que resultou na anistia e abriu caminho para a redemocratização.

    Se com o Congresso e com a opinião pública a força da popularidade presidencial se sobrepõe ao valor da palavra dita e a reticência é admitida, com as Forças Armadas o “sim” e o “não” são limites intransponíveis de uma linha a ser defendida a qualquer custo.

    Não por veleidades antidemocráticas, mas pelo temor da desmoralização.

  • Caros,
    O que nao foi considerado pelo companheiro Bruno e a origem dos camaradas Dilma, Tarso e Paulo.
    Caso nao saiba todos os 3 sao reprensentantes da extrema esquerda e continuam procedendo como tais, mais de 30 anos depois.
    Informe-se.

  • Isso mesmo , Carlos.
    “É preciso dizer com clareza, não? Dilma Rousseff pertenceu a uma organização terrorista, homicida mesmo: a Vanguarda Popular Revolucionária. Franklin Martins também praticou terrorismo. O seu MR-8 seqüestrava e matava. Vanucchi foi da Ação Libertadora Nacional, o que significa dizer que era um servo do Manual da Guerrilha, de Carlos Marighella, um verdadeiro manual de… terrorismo, que pregava até ataques a hospitais e dizia por que os bravos militantes deviam matar os soldados”. R.Azevedo.

  • Tenho dúvida dessa iniciativa contra violadores de direitos humanos, unilateral e escancaradamente alheio a justiça, no fundo tem um único objetivo: Impor a idéia de que assassinatos, assaltos e roubos são um direito inalienável e até um dever moral de terroristas, ao passo que qualquer violência praticada contra comunistas é um crime ediondo cujo autor deve ser exposto a execração universal.

  • Tenho muita pena dos pobres coitados que formam opinião a partir da propaganda enganosa dos sites fascistas. Vide, p. ex., o que a Cláudia Márcia disse sobre os petistas famosos que participaram da luta armada.

    Nenhuma dessas organizações era “terrorista”, no sentido real do termo. Terroristas são minorias que tentam impedir um governo legítimo de funcionar, promovendo atentados que provocam morticínio em larga escala.

    Ou seja, nem os governos militares eram legítimos, nem grupo nenhum de esquerda detonou pontes e viadutos, dinamitou trens, etc.

    Eram RESISTENTES utilizando a PROPAGANDA ARMADA contra USURPADORES DO PODER — que, estes sim, praticavam o TERRORISMO DE ESTADO (assassinando adversários em larga escala; torturando, estuprando e executando prisioneiros, dando sumiço em seus restos mortais, etc.).

    De resto, a VAR-Palmares, da qual participou a Dilma Rousseff, eram um dos grupos mais “lights” do período. Surgiu em junho/1969, da fusão da VPR com o Colina. Apropriou-se, sem disparar um tiro, do cofre em que estava guardado o dinheiro sujo (caixinha dos empresários) do ex-governador Adhemar de Barros. Desmembrou-se logo em outubro/1969, quando o grupo mais combativo saiu para refundar a VPR. Os que sobraram logo foram desbaratados, presos, assassinados — com destaque para o jovem estudante Chael Charles Schreier, cuja morte no pau-de-arara provocou repulsa mundial.

    O MR-8 sequestrou um diplomata para trocá-lo por resistentes que estavam sendo barbaramente torturados e corriam o risco de serem executados a qualquer momento. E nunca “assassinou” ninguém gratuitamente, fez o que qualquer grupo de resistentes faz. A Resistência Francesa, orgulho daquela nação que sabe dá valor a seus heróis, fazia muito pior.

    A ALN produzia documentos às centenas. O tal Manual do Guerrilheiro foi apenas mais um deles, escrito pelo Marighella quando apenas pensava em organizar a guerrilha. Ou seja, meras elocubrações de quem ainda não vivenciara a luta real, mas queria exortar seus seguidores a trilharem esse caminho. Algo assim como alguém pontificando sobre sexo a partir do que leu e não do que praticou. Só a propaganda ridícula dos Ternumas da vida lhe atribui importância.

    Por último: o que agentes de Estado fizeram no exercício ilegítimo do poder tem de ser, pelo menos, apurado. Já o que civis fizeram numa luta extremamente desigual, resistindo a uma tirania, nem configura delito à luz das leis internacionais e das determinações da ONU, nem deixou de ser punido, à época, com os assassinatos e práticas hediondas que sofreram na carne.

    E nunca o Direito admitirá que se se justifiquem crimes com a mera presunção de que suas vítimas eventualmente praticariam outros.

    Ou seja, o que a ditadura e seus esbirros fizeram é História.

    O que os resistentes fariam se tomassem o poder não passa de elocubrações, hipóteses e conjeturas.

    Fatos são fatos, especulações são especulações. Não há retórica do mundo que se mantenha em pé contra esta verdade óbvia.

  • Que besteira, Celso. Olha que já fui um fã da sua trajetória. Porém seus argumentos não tem nenhum fundamento. Está totalmente parcial. Sem mais comentários.

  • Para sacramentar o meu projeto de governo totalitário que pretendo instalar brevemente aqui no meu Reino (no centro da África), sigo inicialmente o exemplo de meu amigo Hitler: DESARMAR A POPULAÇÃO.
    Meus vassalos, sem atentar para a minha real intenção, entregaram pacificamente suas armas. Sou muito esperto por seguir a Cartilha de meu Grande Conselheiro que, só aparentemente, está afastado do PODER.

  • Este nào é um espaço serio para debates. Todas as mensagens anteriores foram deletadas. É a patrulha do PT atuando?

  • Retiro a ultima mensagem. Estou de férias e na praia o sinal 3g da vivo é muito ruim. Assim, devido a demora de baixar este portal, pensei que as mensagens haviam sido deletadas. Quanto a mensagem de Celso tentando desqualificar a minha mensagem logo acima, o Vitor se posicionou muito bem. Quem está atento aos noticiarios do dia a dia, observando resistencias internas ao decreto, sabem que o “buraco é mais embaixo”. Este decreto constitui um grande erro estrategico do governo Lula. Ou ele não leu o que assinou, ou apostou no cochilo da opinião pública, adormecida pelas festividades de final de ano. Caso queiram conhecer a história de cada terrorista, guerrilheiro ou que adjetivo imputar aos personagens que ocupam cargos de prestígio no governo, visitem http://www.ternuma.com.br/aonde.htm#DIÓGENES

  • Cara Cláudia, ainda bem que existem as Forças Armadas que estão atentas e não adormecem. Que seria deste País sem elas. A História que nos afirma isto!!!

  • Tem jeito não. O atrasadão povo latino quer mesmo experimentar um regime que não deu certo nem na poderosa União Soviética. Por enquanto é prar rir, depois é pra chorar.

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