Onde e como buscar forças para as razões de nossa esperança? Perguntas úteis em tempos tenebrosos

Ontem como hoje, a história e nossas próprias vidas seguem sendo experiências em aberto.  A tudo devemos estar preparados, a partir de nossos valores mais profundos. Reconhecendo – e até buscando manter – as positividades características dos tempos de “vacas gordas”, sabemos, contudo, que eles comportam riscos de malogro. Eis um desafio de monta!

Acostumados ao conforto dos tempos de bonança, mal nos preparamos para períodos de reveses, fazendo ouvidos moucos ao alerta Paulino, de que “Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer – (Filipenses 4:12)”. E, quando assim não tomamos a sério isto se torna fonte perigosa de medos, de sentimento de impotência, de tendência a sucumbirmos ao clima de derrotismo, sentimentos que em nada nos ajudam a enfrentar exitosamente e vencer os reveses que nos sobrevêm.

O momento atual é um desses tempos de extremos desafios, que só vamos poder superar, se reforçarmos nossa guarda de autovigilância e de fortalecimento dos caminhos que apontam para benditos poços de esperança, que nos permitam “dar a razão de nossas esperanças”. Trato, a seguir, de me colocar e compartilhar alguns questionamentos, em busca de pistas que nos ajudem a enfrentar e a superar – ou melhor: a ir superando – as pesadas sombras que enfeiam nosso caminhar, no atual momento:

– Terá sido a primeira vez que sucedem tais reveses ao longo da história e também de nossas vidas?

– Refrescando nossa memória histórica, que outros tempos desafiantes – recentes e menos recentes – tivemos, no Brasil e Alhures, e como foram superados?

– Será que a superação de tais desafios não requereu duros aprendizados, que tivemos que assumir e pôr em prática, como condição da própria superação?

– Sem deixar de ter sempre presentes os fatores externos de tantos reveses de ontem e de hoje, será que podemos negar ou não tomar a sério, nossa cota interna de responsabilidade por parte desses desatinos?

– Revisitando experiências organizativas e formativas vivenciadas há algumas décadas, protagonizadas por forças sociais e organizações de base de nossa sociedade, que práticas organizativas e formativas, que se acham no centro de tantas conquistas, de que nos orgulhamos, se acham hoje distantes de nós?

– Reconhecendo a necessidade de enfrentarmos velhos e novos desafios, também do ponto de vista político-eleitoral, será que devemos seguir perseguindo este caminho que se tem revelado como nossa prioridade quase única, de modo a aí esgotar nossas melhores energias criativas, ao tempo em que dedicamos meras palavras de ordem ou esforço secundário a plantar e cultivar sementes grávidas de alternatividade, no campo e na cidade, em busca de um novo modo de produção, de um novo modo de consumo, e de um novo modo de organização societal?

– Conscientes de que “arvore se conhece pelos frutos” que resultados seguimos colhendo, no Brasil e no mundo, de uma aposta desvairada no suposto potencial transformador dos espaços governamentais, em detrimento de um crescente e vigoroso investimento nas “correntezas subterrâneas”, voltadas ao fortalecimento das iniciativas de defesa e promoção da dignidade do Planeta e de toda a comunidade dos viventes, protagonizadas por dezenas e centenas de experiências comunitárias espalhadas pelo Brasil e pelo mundo (combate ao aquecimento global sistemático cuidado com os Oceanos, com as nascentes dos rios, com o zelo pelas matas e florestas, com o combate do crescente envenenamento das águas, do ar, do subsolo, das plantas e animais e do próprio ser humano; com a busca crescente de alternativas de convivência com o Semiárido; com o investimento em tecnologias e fontes de energias alternativas; com o compromisso de cultivo e expansão das terapias naturalistas e comunitárias integrativas, com o desenvolvimento de fecundas experiências agroecológicas e da permacultura)?

João Pessoa, 8 de outubro de 2018.

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