Once: apenas uma vez

Alguns podem não gostar, por acharem a temática brega ou melosa demais. Entretanto a impressão que ficou em mim foi de que “Once” é simples, verdadeiro e com um frescor interessante que vale a pena ser visto. Por Raquel Gandra (*), da redação.

Um músico (de rua, no momento) desempregado que faz serviços de conserto e uma imigrante vendedora de flores que tocava piano em sua terra natal, a República Tcheca, se encontram ao acaso no meio de uma noite.

Ele, interpretado por Glen Hansard, está magoado por causa de seu último relacionamento e utiliza essa raiva de amor mal resolvido como inspiração para as músicas que está compondo. Ela, interpretada por Marketa Irglova, vive uma realidade difícil, com empregos rápidos e de baixo remuneramento, mora com a filha e a mãe e deixou o marido no país de origem, mas ainda mantem de longe sua paixão pela música.

Este encontro fortuito une duas realidades bastante diferentes, mas que se aproximam através do fator comum, a música. A solidão e a vontade de se ajudarem para que possam gravar tais composições num estúdio, com tudo certinho, os aproxima e isto acaba dando brecha para o surgimento de um romance.

A estética é de filme independente que é, filmado com apenas 160 mil dólares e durante 17 dias. Câmera na mão e digital, luz pouco manipulada, planos seqüência, etc. Tudo isso e a história despretensiosa ajudam a tornar o filme muito agradável e original.

Os atores são desconhecidos pelos olhos do público e se saem muito bem. Glen atuou no filme de 91 de Alan Parker, “The Commitments, Loucos pela Fama” e Markéta nunca antes havia atuado. Os diálogos, em sua maioria, não soam forçados, tendo sido muitas vezes improvisado. Há uma forte química entre os dois, tendo esta até gerado um relacionamento fora do set, que permanece até hoje. ;)

A música permeia toda a história, da primeira à última cena. Acompanhamos a evolução dos personagens juntamente ao amadurecimento das canções (que, por sinal, são ótimas) e vice-versa. A música “Falling Slowly” até ganhou o prêmio de melhor canção original no Oscar 2008.

Alguns podem não gostar, por acharem a temática brega ou melosa demais. Entretanto a impressão que ficou em mim foi de que “Once” é simples, verdadeiro e com um frescor interessante que vale a pena ser visto. É sim mais uma história de amor, com alguns de seus clichês e sua carga dramática. Mas fazer o que? Querendo ou não, as histórias que mais nos tocam acabam sendo essas…

Veja o trailer:

(*) Raquel Gandra é repórter cultural da Revista Consciência.Net na área de cinema.

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