Olimpíadas na China e o Tibet

Por Isaac Bigio

Em 1896 iniciaram-se as olimpíadas modernas que se realizam a cada quatro anos, promovendo a paz mundial. Em agosto a China será a sede da versão número 29 dos jogos.

Porém, três olimpíadas foram suspensas devido às guerras mundiais e três versões consecutivas foram boicotadas por muitos países (Montreal 1976, Moscou 1980, Los Angeles 1984).

Na única olimpíada realizada fora do mundo capitalista (Moscou 1980) não participaram cerca de 65 nações (como EUA, China, nações do Cone Sul etc). Porém, a versão que Hitler manipulou em Berlim (1936) foi até então a que congregou mais países.

As próximas olimpíadas serão as segundas feitas numa ‘república comunista’, mas hoje não há nenhuma potência que promova seu boicote. A China não invade nenhum país e, ao contrário, se vem se ligando ao mundo capitalista ao abrir sua economia ao mercado.

Nacionalistas do Tibet, Taiwan e outras regiões da grande China querem aproveitar as olimpíadas para promover seus protestos, sabendo que Beijing temerá usar muita força contra eles, para não dar argumentos a novos boicotes.

O Tibet está entre os dois colossos asiáticos (Índia e China). É parte de China, mas com sua própria autonomia, língua e cultura. Até os anos de 1950, o Tibet era regido por uma teocracia totalitária (que se uniu aos nazistas) e tinha uma das sociedades mais obscurantistas, feudais e atrasadas da região.

Mao repartiu as terras do clero e iniciou a industrialização e popularização do Tíbet. Também colocou a sua própria autoridade religiosa (Pachen Lamba) em contraposição ao Dalai Lama, exilado na Índia e cortejado pelo Ocidente.

Aproveitando-se da proximidade das olimpíadas, muitos sacerdotes budistas iniciaram marchas que se estenderam a Gansu, Qinghai e Sichuan e que geraram saques às empresas chinesas e muçulmanas.

Apesar de o Dalai Lama falar em cerca de cem mortos, o único veículo ocidental ali presente (o The Economist) duvida desse número ou de que tenha havido um grande massacre tipo Tien Nam Men.

Moscou apóia Beijing, mas o Ocidente quer aproveitar os incidentes para pressionar a China para se “des-socializar” seu sistema econômico e político. (Tradução: Pepe Chaves)

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