OAB repudia preconceito da TV Globo contra pessoas com deficiência

No quadro “Otário Eleitoral Gratuito” do ‘Casseta & Planeta’, um dos candidatos, sem braços nem pernas, declara: “Vote em mim, que eu não vou meter a mão (…)”. Em outro trecho, o programa continua a zombar das pessoas com deficiência: “Com Mudinho, você vai ter voz na câmara municipal”. Da redação.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil do Rio de Janeiro (OAB-RJ) se manifestou oficialmente contra a discriminação e a agressão feita pelo programa “Casseta & Planeta”, na terça-feira (16/9).

Segundo denunciou o jornal Fazendo Media, num quadro denominado “Otário Eleitoral Gratuito”, um dos candidatos, apresentado com o nome “Tinoco, o homem toco”, retratado por um personagem sem braços nem pernas, declara: “Você me conhece: eu sou o Tinoco, o homem toco. Vote em mim, que eu não vou meter a mão; e se eu roubar não vou conseguir fugir”, de modo a debochar genericamente não só dos políticos, mas também das pessoas com deficiências físicas.

Em outro trecho, o programa continua a zombar das pessoas com deficiência: “Com Mudinho [o nome do suposto candidato], você vai ter voz na câmara municipal”.

Veja o vídeo aqui.

Leia a nota da OAB-RJ abaixo e clique aqui para ler a matéria do Fazendo Media.

Prezados senhores Manoel Martins e José Lavigne,

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Rio de Janeiro, considera profundamente preconceituoso o personagem “Tinoco, o homem toco”, criado para o quadro “Otário Eleitoral”, do Programa Casseta e Planeta.

Na Semana do Deficiente, quando se faz um esforço maior para tentar conscientizar a sociedade para os difíceis problemas enfrentados pelos cidadãos com algum tipo de deficiência, o programa, a pretexto de fazer humor escrachado, faz humor (?) de humilhação.

Ser deficiente não é uma escolha ou uma não-qualidade – como ser corrupto ou vigarista. Não é engraçado se aproveitar das dificuldades de quem tão corajosamente as enfrenta.

Atenciosamente,

Margarida Pressburger – Presidente
Comissão de Direitos Humanos e Assistência Judiciária
Ordem dos Advogados do Brasil – RJ

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eu achei que isso é um grande pêlo de ovo!

  • Creio eu que a idéia do programa não foi humilhar ou diminuir pessoas com deficiência, mas sim ironizar o que aconteceu no horário político nessa eleição: Candidatos a vereador que em sua campanha usavam como argumento para serem eleitos apenas o fato de serem deficientes. Como se ser deficiente fosse fazer com que fossem mais ou menos honestos.

    Sendo assim, se ironizar o horário político é preconceito porque envolve deficientes, ironizar todo tipo de candidato é preconceito também. Como acontece em toda minoria, existe uma tendência a se fazer de vítima. A usar a diferença como motivo. Isso sim é absurdo e deveria ser evitado: Todos devem ter oportunidades iguais, não por serem deficientes, brancos, negros, índios ou azuis, mas sim por serem todos seres humanos.

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