O Rio de Janeiro é mais violento que a Síria?

Mães e familiares de jovens negros mortos por policiais protestam contra a violência com ativistas da Anistia Internacional em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Mães e familiares de jovens negros mortos por policiais protestam contra a violência com ativistas da Anistia Internacional em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

De acordo com o governo do Estado do Rio, foram registrados 2.392 homicídios de janeiro a julho deste ano – uma média de 341 assassinatos por mês em 2019. Além disso, as “mortes por intervenção policial” – que por algum motivo o governo não chama de homicídios – somaram 434 casos de janeiro a março de 2019, média de sete por dia ou 144 por mês.

O total de homicídios no Rio de Janeiro é de 485 por mês, pelo menos, já que as estatísticas nunca dão conta do quadro geral. O estado tem uma população de 16,7 milhões de pessoas (2017).

A população da Síria, país em guerra, tem um pouco mais – são 19,4 milhões de pessoas, podendo o número ser menor, segundo a população local comenta.

Segundo a ONU, em quatro meses em 2019 – de 29 de abril a 29 de agosto – foram mortos 1.089 civis nos confrontos. A média mensal é de 272 por mês. Ou praticamente a metade das ocorridas no Rio de Janeiro, se for considerada a pequena diferença de população.

É isso mesmo: a violência difusa, os traficantes, as milícias e a polícia militar do Rio de Janeiro fazem do estado um lugar mais difícil para morar do que em uma área em guerra na Síria. Em Damasco, onde o clima de normalidade já foi retomado, o número de homicídios é dez vezes menor do que na capital carioca. Este também é o caso para outras capitais e regiões metropolitanas no país ainda mais violentas ou com números similares.

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