O papa Francisco, o Evangelho antes da doutrina

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Isabelle de Gaulmyn

O que mudou em Roma? O papa é de esquerda? progressista? Ele vai transformar a Igreja, a doutrina, vai mudar esta instituição já tão antiga, de 2000 anos? Não. Os que sonham com um papa revolucionário andam por caminho equivocado. Aliás, o cardeal Bergoglio nunca foi assim classificado. E o papa Francisco, quando se expressa, não diz outra coisa senão a doutrina católica mais clássica, ele conhece suas fontes, quando se pronuncia a favor de uma Igreja misericordiosa e aberta a todos, tem o cuidado de lembrar a atitude de Jesus para com a samaritana. O papa Francisco não vai revirar nem os dogmas nem a teologia do catolicismo.

Uma maneira de ser cristão

Então, por que essa impressão, por que esse interesse inusitado, também, pelo seu discurso? O que é que é novo com o papa Francisco? No fundo, nada. Mas tudo quanto à maneira. E isto já é muito. Seu predecessor Bento XVI estava profundamente consciente, a justo título, de que o problema do catolicismo, neste início de século XXI, era o de não ser mais considerado como uma “Boa Nova”. Nesse sentido, é que ele havia convocado um sínodo sobre a nova evangelização.

Hoje, tinha ele constatado, os católicos não sabem mais o dizer sua fé de modo audível. Para o papa Francisco, é porque nós esquecemos o essencial. O que ele resume, de modo perfeito, nesta entrevista dada às revistas jesuítas: A Igreja não deve “ficar obcecada pela transmissão desarticulada de um monte de doutrinas a impor com insistência”, disse ele, «nós devemos, então, encontrar um novo equilíbrio, ele adverte, de modo contrário, o próprio edifício da Igreja corre o risco de desabar, como um castelo de cartas”.

Este equilíbrio consiste em pôr o Evangelho, em primeiro lugar. Desde sua primeira encíclica, Bento XVI havia escrito, lembrando que o encontro com Jesus é, primeiro, uma história de amor, e não de moral (encíclica “Deus caritas est”).

Francisco traz luz sobre isto pelo seu estilo, sua expressão, sua “maneira”, pois, como ele próprio diz, nesta entrevista, “ser cristão é, antes de tudo, uma maneira de ser”: “a primeira reforma deve ser a da maneira de ser. Os ministros do Evangelho devem ser pessoas capazes de aquecer o coração das pessoas, de dialogar e caminhar com elas, de descer à noite delas, à sua obscuridade, sem se perderem”. O papa não está aí para desenhar os contornos de uma nova Igreja. Mas para dar as condições para que ela emerja.

http://www.la-croix.com/Religion/Interview-du-pape-Francois

Trad.: Alder Júlio F. Calado

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Le pape François, l’Evangile avant la doctrine

Qu’est-ce qui a changé à Rome ? Le pape est-il de gauche ? progressiste? Va-t-il transformer l’Eglise, la doctrine, changer cette institution vieille de 2000 ans? Non. Ceux qui rêvent d’un pape révolutionnaire font fausse route. Le cardinal Bergoglio n’a d’ailleurs jamais été classé comme tel. Et le pape François ne dit rien d’autre que la doctrine catholique la plus classique lorsqu’il s’exprime.

Il connaît ses sources : lorsqu’il se prononce pour une Eglise miséricordieuse et ouverte à tous, il prend soin de rappeler l’attitude de Jésus avec la Samaritaine. Le pape François ne bouleversera ni les dogmes, ni la théologie du catholicisme.

Une manière d’être chrétien

Alors, pourquoi cette impression, cet intérêt inhabituel, aussi, pour son discours? Qu’est-ce qui est nouveau avec le pape François ? Rien sur le fond. Mais tout sur la manière. Et c’est beaucoup. Son prédécesseur Benoît XVI était à juste titre profondément conscient que le problème du catholicisme, en ce début de XXIe siècle, était de ne plus être considéré comme une « Bonne Nouvelle ». En ce sens, il avait convoqué un synode sur la nouvelle évangélisation.

Aujourd’hui, avait-il constaté, les catholiques ne savent plus dire leur foi de manière audible. Pour le pape François, c’est parce que nous oublions l’essentiel. Ce qu’il résume parfaitement dans cet entretien accordé aux revues jésuites: L’Eglise ne doit pas « être obsédée par la transmission désarticulée d’une multitude de doctrines à imposer avec insistance », dit-il, « nous devons donc trouver un nouvel équilibre, prévient-il, autrement l’édifice moral de l’Église risque lui aussi de s’écrouler comme un château de cartes ».

Cet équilibre, c’est de mettre l’Evangile en premier. Benoît XVI l’avait écrit dès sa première encyclique, rappelant que la rencontre avec Jésus est d’abord une histoire d’amour, et non de morale (encyclique « Deus caritas Est »).

François le met en lumière par son style, son expression, sa « manière », car, comme il le dit lui même dans cet interview, « être chrétien, c’est d’abord une manière d’être » : « la première réforme doit être celle de la manière d’être. Les ministres de l’Évangile doivent être des personnes capables de réchauffer le cœur des personnes, de dialoguer et cheminer avec elles, de descendre dans leur nuit, dans leur obscurité, sans se perdre. ». Le pape n’est pas là pour dessiner les contours d’une nouvelle Eglise . Mais donner les conditions pour qu’elle émerge.