O padre José Comblin: ser palavra

“Seja fecundo na sua literatura,” disse o padre José Comblin quando o encontrei pela última vez.

Venho tentando fazer isto com o estímulo de pessoas muito próximas, tanto da minha família, quanto amigos. Dom Fragoso tinha me dado um importante incentivo, ao comentar vários dos escritos que vieram compor meu livro Mosaico (2005). Numa roda de Terapia Comunitária Integrativa em Sinop, MT, recebi o apoio de um grupo de cursistas que faziam a formação em Terapia Comunitária Integrativa, para prosseguir neste vir a ser escrevendo.

O padre José Comblin trouxe o Evangelho para mais perto de mim. Ele me fez ver a simplicidade da mensagem de Jesus. Lembra do amor, e de como o amor é Deus mesmo na gente, e de que o amor é a parte nossa que não morre. Lembro de muitas coisas de Comblin. De como nos recebia na sua casa em Bayeux, no meio daquelas árvores, o seu jeito, o seu humor, a maneira como nos falava. Muitos dos seus livros se tornaram referências para mim: O caminho, ensaio sobre o seguimento de Jesus, A profecia na Igreja, Vocação para a liberdade.

Embora tenha partido, é como se estivesse aqui. Como uma pessoa pode ser tão simples na sua profundidade! Deixou uma lembrança inesquecível. Tomara que consiga me assemelhar em tudo a este sacerdote e missionário, naquilo que é essencial: ser a pessoa que sou. Isto é o que mais admirava em Comblin: era totalmente autêntico, era ele mesmo. Assim o recordo, pelo seu sentimento, pela sua presença, pelo que deixou de rastro de uma luz inextinguível.

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