O novo prato da cozinha da ‘Folha’: mentiras requentadas

Graças a seu acompanhamento sistemático da imprensa italiana, o professor Carlos Lungarzo, que há mais de três décadas integra os quadros da Anistia Internacional, desmascarou mais uma falácia da Folha de S. Paulo contra Cesare Battisti.

Se a matéria ‘Cesare Battisti foi mais esperto’, diz acusador do italiano fosse o que parecia ser — apenas outra infâmia do   delator premiado Pietro Mutti, em conluio com os inquisidores italianos e a mídia direitista (o que, ultimamente, virou pleonasmo…) –, seria ocioso nos ocuparmos dela. Mutti não tem a mais remota credibilidade.

Mas, Lungarzo conseguiu trazer outros aspectos à baila ao, estoicamente, assumir uma tarefa mais característica dos laboratórios de análises.

Sob seu microscópio, os excrementos impressos acabaram se revelando ainda mais repulsivos, conforme os leitores perceberão nestes trechos do brilhante artigo Cadê Pietro Mutti?:

A Folha de S. Paulo apresenta na edição de 12 de janeiro uma reportagem da revista italiana Panorama, com a qual o jornal brasileiro parece manter uma estreita colaboração (…). A figura central do mesmo é o famoso ‘arrependido’ Pietro Mutti, um dos 3, 4, 5 ou 6 delatores (o número varia com a imaginação de cada juiz do caso Battisti) que prestou ‘testemunho’ contra Cesare o acusando dos quatro assassinatos.

O artigo da Folha está neste link, e o artigo original de Panorama, citado pela própria Folha, encontra-se aqui. A abrir o link italiano, observe que já o título menciona a Folha de S. Paulo, o que pode sugerir que o artigo foi feito em colaboração, ou que há alguma relação editorial entre os dois veículos. O autor da matéria original é um jornalista que se identifica como Giacomo Amadori.

A reportagem é quase uma repetição de uma que já fez Panorama há 2 anos [vide aqui], com alguns dados de atualização. O leitor que veja esta matéria poderá observar que não há nada importante que não tenha sido dito vários milhares de vezes pelos algozes italianos, os inquisidores brasileiros, a imprensa marrom, o relator do STF e algumas outras centenas de ‘voluntários’ que se plagiam uns aos outros.

Esta ‘reportagem’ descreve Mutti tal como era, segundo o repórter da época, há dois anos. Um homem humilde, trabalhador, que fuma 20 cigarros por dia, se levanta na madrugada, viaja de ônibus e trabalha num local de Milão, do qual, igual que na ‘reportagem’ anterior, não se diz o nome. Veste jeans, um sweater barato e um colete azul. Na reportagem de dois anos atrás, o autor enfatizava a diferença entre o pobre e esforçado Mutti, tradicional e tímido, que só matou por ‘engano’ um segurança, com o desafiante e afrancesado Cesare Battisti, amigo de intelectuais e de ambientes refinados.

Este invento jornalístico é exatamente igual ao anterior, mas não se entende por que não inventaram uma história nova. Aliás, quando se publicou a reportagem de 2009, muitos fizemos a objeção da falta de foto. Como é que um repórter não tira uma foto de alguém que está entrevistando? Aliás, sempre foi dito pelos italianos que Mutti fazia vida normal, que não vivia clandestino. Terá medo de que os franceses a brasileiros amigos de Cesare façam algo contra ele? Poderiam ter colocado uma foto atual, feita contra um fundo neutro, sem dizer onde foi tirada.

Em vez disso, o repórter pegou uma foto de quando ele estava preso, com 25 anos mais ou menos. Parece que o jornalista não percebe que os leitores não são tão ingênuos para evitar se perguntar: ‘E como é ele agora, com 56 anos?’

Amadori, ou como seja seu real nome, o único que consegue com isto, é provar o que já se suspeitava: que a reportagem de 2009 é falsa. Por sinal, isto dá uma idéia do nível moral dos jornalistas brasileiros que reproduzem este tipo de lixo.

E agora, uma charada: Mutti está ainda na Itália, está na Suíça, ou foi  apagado pela promotoria para evitar confissões perigosas? Os outros 2, 3, 4 ou 5 delatores simplesmente confirmaram as afirmações de Mutti, portanto, não têm muito a temer, mas o célebre Pietro teve uma intimidade muito grande com os promotores e ninguém pode se sentir seguro com ele perto. Afinal, por um décimo do que Mutti fez, a família Corleone apagava rapidamente suas testemunhas.

Talvez, nunca saibamos. A máfia jurídica italiana e seus colegas brasileiros se movem como toda sociedade secreta: com a maior discrição.