O jornalismo desonesto e o mito do “crime organizado”

Atualizado em 25/11/2010 – 14h29. Alguns dados sobre os acontecimentos clicando aqui.

O “Jornal da Globo” fechou com chave de ouro o dia de uma emissora empenhada em assustar e desinformar o público, enquanto outras emissoras e rádios acompanharam a tática do pânico. A velha técnica do “Mantenham a calma” seguido de imagens impactantes da violência no Rio de Janeiro é a melhor forma, do ponto de vista da cultura do medo que tenta se impor, de pôr em ação esse objetivo. É como você dizer “Fique à vontade” quando recebe alguém pouco conhecido em sua casa, provocando o efeito contrário. Neste caso é bem pior: trata-se do imaginário social de um conjunto de milhões de brasileiros que está em jogo. E neste caso há consequências políticas.

Não há dúvidas de que (1) o índice de criminalidade no Rio é muito alto, inaceitável, e que (2) a lógica que rege o projeto da polícia comunitária, que esse governo chama da “UPP” e que outros governos já tentaram com outros nomes, é um bom caminho, desde que proponha de fato a participação da comunidade no processo decisório e que seja mais amplo. Atualmente é um conjunto de projetos-piloto.

No entanto, estratégias diversas estão em jogo. A saber:

A. O Governo do Estado, principalmente por meio do governador Sergio Cabral, tenta capitalizar a crise politicamente. Aparece como o “líder destemido” que as pessoas assustadas das classes A e B exigem nessa hora. Ao mesmo tempo, desvia a atenção da plena incompetência do governo nas áreas de educação e saúde – incluindo a recente busca e apreensão na casa de Cesar Romero, o ex-subsecretário-executivo de Saúde, primo da mulher do secretário Sérgio Côrtes e braço direito dele na secretaria. A acusação: fraude em licitação ao contratar manutenção de ambulâncias superfaturada em mais de 1.000%;

B. Setores mais violentos da Polícia Militar – a banda podre que não quer saber de papo de UPP – ganham carta branca, por conta do clima de medo, para fazer suas velhas e conhecidas “incursões” nas favelas, a política burra do confronto com o “crime organizado”, vitimando cidadãos inocentes e realizando execuções sumárias de suspeitos. O Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, chama isso de “efeito colateral”, enquanto jornalistas passam uma coletiva de imprensa inteira perguntando apenas por “números” e trajetos da PM e do BOPE;

C. Os principais chefes da Polícia Militar do Rio de Janeiro e a Secretaria de Segurança Pública vendem a tese deplorável de que os atentados são uma “reação às políticas das UPPs”, e a velha mídia simplesmente engole. O curioso é que as UPPs estão presentes em 13 favelas, de um universo de 1.000 existentes no Rio e região metropolitana. Imagina quando chegarem a 20, 30! Melhor mudar para Miami de uma vez;

D. A mídia cria uma dinâmica do medo a partir de absurdos sociológicos, como afirmar que o “crime organizado” atual surgiu do encontro entre presos comuns e presos políticos nos anos 70 (tentando vincular militantes de esquerda a traficantes de drogas); separar a cidade em esquemas tipos “eles-nós”, como fez Arnaldo Jabor, ao afirmar que “é preciso apoio da população, principalmente da Zona Sul, pois a periferia já mora dentro da violência” (JG, 24/11/2010) e até mesmo mentir descaradamente, afirmando por exemplo que os “índices de criminalidade estão estagnados no Rio” (editorial de William Waack), o que é mentira, conforme atesta até mesmo um dos maiores críticos do Governo do Estado, o sociólogo Ignácio Cano. Pouco importa para o jornalismo desonesto: o que está em questão é reafirmar o discurso vazio do “A que ponto chegamos!” e o elogio ao “endurecimento” das leis e das ações vingativas, como forma de alívio do medo criado. Não adianta nada, conforme apontou este seminário (em especial a fala do Coordenador do Núcleo de Presos da Polinter no Estado do Rio de Janeiro, o delegado da Polícia Civil, Orlando Zaccone).

A "polícia comunitária" do Rio de Janeiro, conhecida como UPP, tem coincidentemente um caminho parecido com o das rotas dos grandes eventos internacionais que se aproximam.

A "polícia comunitária" do Rio de Janeiro, conhecida como UPP, tem coincidentemente um caminho parecido com o das rotas dos grandes eventos internacionais que se aproximam.

Os interesses, portanto, são complexos tal como os nossos problemas. A Zona Sul (parte dela, aquela à qual o Jabor se refere e da qual faz parte) está tão assustada que não consegue raciocinar. Milhares de pessoas são executadas todo ano no Rio de Janeiro, dados absolutamente grotescos. A cobertura é a mesma? Não. “As pessoas lidam com insegurança no Rio de forma cíclica e dramática. Para conviver com o alto nível de violência na cidade, tratam como se ela não existisse. Mas, então, surge um evento de grande repercussão e vira uma pauta central na cidade, todos discutem, é uma grande catarse”, aponta Ignácio Cano. “Sensação de segurança pública é muito diferente da efetiva segurança”, completa o deputado Marcelo Freixo.

Se fosse de fato uma preocupação, pararia para ler o relatório da CPI das Milícias, concluído no dia 10 de dezembro de 2008. Contém o mapa das milícias, seu funcionamento, seus braços econômicos, a relação do braço político com o braço econômico e o domínio de território. Enquanto as Nações Unidas calculam que o narcotráfico rende 200 mil dólares por minuto, só no domínio das vans no Rio de Janeiro, uma das milícias faturava 170 mil reais por dia. Este é apenas um exemplo.

Crime organizado, portanto, é isso: um negócio bem organizado. O que torna o crime “organizado” é sua capacidade de se organizar, e não de reagir violentamente. “Em qualquer lugar do mundo, o crime organizado está sempre dentro do Estado, e não fora”, aponta o deputado Marcelo Freixo, que relata sua dificuldade quando tentou instituir a referida CPI neste depoimento.

O pior é que o número de milícias é, hoje, maior do que em 2008. “O número de territórios dominados por milícias hoje é maior do que o número de territórios dominados pelo varejo da droga”, comenta Freixo. “Eu estranho o silêncio desse governo em relação às milícias, dizendo que o Rio está pacificado, diante do crescimento das milícias”.

E o poder público tampouco ajuda. O relatório foi entregue pelos membros da CPI nas mãos do prefeito Eduardo Paes. Solicitaram, por exemplo, que a licitação das vans fosse feita individualmente e não por cooperativas. “O prefeito acaba de fazer licitação por cooperativas e não individualmente”, denunciou Freixo.

Outro fator que aponta o descaso do poder público é o descaso com os serviços sociais que deveriam acompanhar o processo de “pacificação”. “Eu estive no Chapéu Mangueira e na Babilônia. Além da polícia, não há lá qualquer braço do Estado. A creche mal funciona, com o salário atrasado das professoras, o que a Prefeitura não assume. O posto de saúde não tem nenhum médico, nenhum dentista da rede pública do Estado. É mais uma vez a lógica exclusiva da polícia nas favelas – e somente a polícia”, afirmou. O projeto das UPPs está traçando um caminho bem delimitado: setor hoteleiro da Zona Sul, entorno do Maracanã, Zona Portuária e a Cidade de Deus, “única área dominada pelo tráfico em toda Jacarepaguá, que tem o domínio hegemônico das milícias”.

Danem-se as demais regiões que, como ressaltou Jabor, “já moram dentro da violência”.

Uma questão social, de classe

Para quem ainda acha que as questões de classe acabaram, basta comparar a forma como os diversos crimes em nossa sociedade são enfrentados. Para combater crimes financeiros (quando se combate), ninguém entra em agências bancárias rendendo as pessoas e atirando. Nas favelas, áreas com assentamentos humanos extremamente degradados, é diferente.

Um dos “efeitos colaterais”, na expressão de Beltrame, é a estudante Rosângela Alves, de 14 anos. Seu pai Roberto Alves, ironizou a presença dos policiais militares na unidade de saúde com aplausos: “Parabéns a vocês. Parabéns, Beltrame, parabéns, Cabral. Olha o que vocês conseguiram com isso! Matar uma menina que estava em casa! Sabe o que vocês conseguem com essas operações: matar pobres”. Sem conseguir sair de casa por causa do intenso tiroteio, a mãe da menina, Thereza Cristina Barbosa, acusou em relato ao jornal O Dia a polícia de ter disparado o tiro que matou sua filha. “O tiro que atingiu minha casa partiu de baixo para cima. Minha filha está morta, e eu sequer consigo velar o corpo dela”, lamentou ela, por telefone. (Leia aqui e aqui)

Como já apontei, o narcotráfico é um negócio como qualquer outro. E rende bastante: dados conservadores das Nações Unidas estimam que o rendimento líquido é de US$ 400 bilhões ano. Um “freela” para se queimar um carro custa entre R$ 200 e R$ 400. “Falo em ‘varejo de drogas’ na favela, e não de traficantes”, reafirma Freixo, apontando que a ponta do sistema – o 1% que está na favela – não tem projeto de poder e qualquer noção de organização criminal, como apontei. “Nunca participaram de juventude católica, de grêmio estudantil, nunca tiveram qualquer noção de coletividade. Sabe quantas escolas públicas existem no Complexo do Alemão? Duas”.

Conforme afirmou até mesmo um capitão e um dos fundadores do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) – um grupo de policiais fascistas que acreditam que executar sumariamente é uma prática normal, conforme não escondem mesmo em declarações públicas – em uma entrevista hoje (25/11) pela manhã na TV Record: “Os Batalhões da PM não possuem estrutura mínima de inteligência para operar”.

Marcelo Freixo, deputado que trata da segurança há muito tempo, amplia a crítica e denuncia: "Sabe quantas escolas públicas existem no Complexo do Alemão? Duas"

Marcelo Freixo, deputado que trata da segurança há muito tempo, amplia a crítica e denuncia: "Sabe quantas escolas públicas existem no Complexo do Alemão? Duas"

O deputado Marcelo Freixo deu uma entrevista nesta quinta-feira (25/11) na GloboNews afirmando o óbvio: o número de pessoas portando fuzis não chega a 1% dos moradores. Ele costuma ironizar: “Eu gostaria que no parlamento fosse a mesma coisa: menos de 1% envolvido com o crime. Infelizmente não é assim, mas na favela é”. A polícia tem que agir com responsabilidade diante destes cidadãos. Enquanto isso telespectadores igualmente fascistas comentam pela internet: “Tem que entrar mesmo e enfrentá-los”. De quem estamos falando?

Freixo, focado na solução do problema, lembra: “Armas não são produzidas nas favelas. Eles vieram de algum lugar. Quantas ações policiais foram feitas na Baía de Guanabara? Quantas foram realizadas no Porto? Eu não me lembro de nenhuma”. É uma constatação que deixa todos os “notáveis” comentadores políticos envergonhados, pois só sabem falar abobrinhas sobre a “coragem” dos policiais em “enfrentar” o crime organizado. Estão focados na política burra do confronto.

Freixo lembrou ainda, na entrevista de hoje, que essas áreas pertencem ao tráfico de drogas. A área das milícias, conforme descrito anteriormente neste artigo, não foram tocadas – e tão somente por isso não estão reagindo. “Vamos lembrar que esses eventos já aconteceram próximo ao réveillon de 2006. O problema não é esse. A questão é que o setor de inteligência no Rio de Janeiro é muito falho. Para constatar isso basta visitar a DRACO [Delegacia de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil do Rio de Janeiro]”, concluiu Freixo.

Agora, muito pertinentemente alguém poderia se perguntar: e os movimentos sociais nisso tudo? Eles não possuem meios para se comunicar, portanto não fazem parte do cenário político. É tão simples quanto é trágico.

En español
El periodismo deshonesto y el mito del crimen organizado

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@gustavobarreto_(*) Gustavo Barreto, jornalista. Contato pelo @gustavobarreto_. Atualizado em 25/11/2010 – 14h29

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Comentários

comentários

Renato Kress (@renatokress) comenta: “A venda de horário comercial da TV depende de uma atitude de caráter basicamente especulativo: Especula-se um IBOPE base e cobra-se pelo espaço do anunciante. Quanto mais medo disseminado, mais gente (expectativa) em casa vendo TV, maior a expectativa de IBOPE, maior o preço que o anunciante paga = maior o lucro da televisão. “

  • Só chutando o sistema globo de “showrnalismo”

    A venda de horário comercial da TV depende de uma atitude de caráter basicamente especulativo: Especula-se um IBOPE base e cobra-se pelo espaço do anunciante. Quanto mais medo, mais gente (expectativa) em casa vendo TV, maior a expectativa de IBOPE, maior o preço que o anunciante paga = maior o lucro da televisão.

    É grana! É show! É Jornal! É “showrnalismo”!

  • Eu comentei ontem q o filme 400 contra 1 era tendencioso, e hj a “grande” soci´loga” da globo ,liga os militantes de esquerda dos anos 70 ao crime organizado. Sinceramente, quem faz um filme daqueles, sem mostrar o como e o pq não quer resgatar a história, mas a mensagem foi passada pelo filme mal feito, e com pouca pesquisa, ou só deus sabe encomendado.

  • São os nossos valores desvirtuados dos dias de hoje; “efeitos colaterais” é outro nome que se dá a mortes violentíssimas com barbárie…

  • Parabéns, Gustavo. De maneira objetiva e respaldada por gente sensata como o Freixo, você conseguiu falar tudo e mais um pouco. Queria ter dito metade do que você registrou no meu texto. Abs

  • Pois é, mas se 1% dos das pessoas na favela portarem fuzís, significa que em 500.000 habitantes teremos 5.000 armados, o que é aterrorizante.
    E pode falar o que quiser sobre as táticas fascistas da TV, mas que é assustador ver as imagens ao vivo de mais de 250 homens armados se locomovendo da favela Cruzeiro para o Morro do Alemão, isto é, e se todos estes marginais resolverem enfrentar a polícia juntos, como é que fica?

  • Ademir,

    Se seu vizinho fosse um bandido, você aceitaria que a PM chegasse atirando no seu prédio?

    Sem mais.

  • Gustavo, se meu vizinho fosse bandido, eu não moraria neste local. Mas teoricamente, prefiro a policia atirando que os bandidos, sim.

  • Ademir, você acha que as pessoas escolhem morar ao lado de bandidos? Eu cordialmente tenho preguiça desse tipo de opinião, mas só pergunto para saber se você realmente acredita nisso. Acredita?

  • Bom, tem algumas pessoas que não gostam de morar ao lado de bandidos porque não toleram concorrencia.
    Mas comigo, como tenho certeza que este não seria um ambiente propicio para uma familia e crianças, eu me mudaria para outro lugar e recomeçaria do zero, como aliás já fiz uma vez a alguns anos atrás, e não me arrependi, apesar de haver deixado um bom emprego para trás.

  • uma população amedrontada é tão fácil de manipular… triste. mais triste ainda é ver as máscaras caindo, revelando os fascistas que existem mundo afora.

    que democracia é essa que só preza pela liberdade de expressão dos de colarinho branco? que marginaliza o favelado? que criminaliza tudo que se relaciona a ele?

    vem-me à cabeça chico buarque…

    “e eu que não creio, peço a deus por essa gente… é gente humilde… que vontade de chorar”.

    excelente texto para reflexão. com certeza indicarei a meus alunos de história.

  • Algumas observações:

    1) A terrível, horrorosa, monstra TV GLOBO precisou apenas filmar e deixar sem cortes, ou seja, ao vivo as cenas que se formaram na ocupação. Não ví manipulação e, ao colocar o Freixo, o Viva Rio com canal aberto, além é claro, da polícia e consultores do BOPE, ví uma imparcialidade no debate. A Globo News tem sido muito objetiva. Todos os lados estão sendo ouvidos mas é claro que cada houve o que quer. Quem “criou” o show não foi a mídia, foi a sociedade e uma política falha de segurança pública que dura mais de 3 décadas!

    2) Sempre existirá a sua verdade, a minha verdade e, é claro, a “verdadeira” verdade!

    3) Por fim, ninguém é obrigado a morar do lado de um bandido e dúvido que um trabalhador goste de viver ao lado de um mas, por outro lado, todos nós temos opções e caminhos que podemos escolher. Alguns são mais fáceis e menos onerosos mas, no fim das contas, deve-se pagar um preço por sua escolha!

  • Esse Ademir não pode estar falando sério.. ele realmente acha que as pessoas ‘escolhem’ morar ao lado de bandidos…só falta dizer que moram na favela no meio do tiroteio porque querem!

  • Gustavo, boa noite!

    Adorei seu artigo e concordo com o que você escreveu, mas, na minha opinião, há uma falha: e hoje? Obviamente há uma série de situações que precisam mudar radicalmente, mas e o hoje? Qual a maneira correta ou ideal de lidar com bandidos que hoje, organizados ou não, tentam aterrorizar a cidade?

  • Boa base argumentativa e boa problematização, mas isso não resolve o problema de hoje.

    Tudo que foi dito não é novidade para o senso comum, todo mundo concorda, mas sejamos práticos, o que fazer para livrar essas comunidades destes bandidos, distribuir livro de Foucault para eles?

    Por incrível que pareça, a única instituição do Estado que ‘funciona’ é a polícia. Como bem foi dito, a educação não vai pra lá, a saúde não vai pra lá, só quem trava contato com essa população, infelizmente, é a polícia. A mesma polícia que todos sabemos que não é preparada, mas que também são pais de família que são OBRIGADOS a enfrentar estes bandidos, enquanto nós, em casa, filosofamos sobre o bem e o mal.

    Demonizar a mídia é algo que também já cansou a população, ela sabe que há manipulação mas também não se acha tão idiota e manipulável assim. A população, hoje, com apoio da internet por exemplo, tem acesso diretamente a outros que passam a informação nua e crua. E quem não tem acesso vê a ‘verdade’ quando olha pela janela.

    A pergunta que não quer calar é: Como ficará a distribuição de drogas com tanta repressão? Quem abastecerá as universidades e a classe média ‘intelectual’? Acho que no fundo isso é que está em jogo, quem se diz preocupado com os coitados que moram nesta região querem, no final das contas, é o livre acesso aos bandidos para comprar o ‘boldinho’ de cada dia. E que morram os que moram ao lado, o trabalhador que acorda cedo etc. Viram como há manipulação de todos os lados?

  • Nossa, não sei o que dizer diante de alguns comentários! É fácil pra quem tem um emprego com carteira assinada, estudo e o MÍNIMO de estabilidade julgar um favelado que não tem nem sempre tem renda fixa, não tem educação. Não é fácil sair da favela não Ademir, não é fácil pra quem não tem noção nenhuma jurídica entender toda papelada que envolve comprar uma outra casa, diferente de como ocorre na favela, que na maior parte das vezes se da informalmente.
    Realmente é revoltante, pois sou de comunidade, sei exatamente como é a truculencia da polícia com os moradores, achando que todos nós somos bandidos, sem falar na ausência (ou seria um tipo de presença) do Estado, que como a matéria mesmo diz: não garante à população serviços sociais.
    Se a população da zona sul está irritada com isso tudo, garanto que a população das favelas de todas as comunidades estão muito mais revoltadas, muito mais acuadas e mt mais violentadas, já que são anos e anos de violência, de discriminação, de direitos violados e de criminalização.
    Resumindo: Mais uma vez, a velha história de criminalização da pobreza, história que vai servir para cobrir a trama de corrupção que existe neste governo Cabral e também toda corrupção que estará por trás das Olimpíadas e Copa, com obras super faturadas, desvio de verbas, cortes na educação e saúde (como se tivéssemos esses serviços)
    Este é o meu desabafo!

  • Muito obrigada pelo artigo! realmente muito bom!

    Quanto aos que acham que a Globo não está fazendo o espetáculo do medo, alguém lembra da chacina da baixada??? alguém notticiou mais de uma vez em seu jornal que 29 pessoas foram mortas, sem mais nem porque?? azar o delas por morarem na favela? tenha dó!

    Só se noticia a violência quando ela vai pro asfalto, meus caros! Quando ela atinge “as pessoas de bem”…porque o povo da favela passa por isso todos os dias, mas NADA é veiculado! parece que vivemos em outro mundo!
    afinal de contas, já temos até as “barreiras acústicas” pra deixá-los mais invisíveis que nunca!

  • A ponderação da Pammella foi muito importante. O que mais me preocupa é a esmagadora população honesta e trabalhadora das comunidades. Dá dor no coração ver eles nesta situação em que eles ‘são culpados sempre’.

    Por outro lado, o que acho revoltante, é o discurso de quem usa a comunidade par fins ideológicos baratos – que há 40 anos não resolveu absolutamente nada – se põe ‘do lado’ do morador, se mostra sensível e ao mesmo tempo só quer os benefícios do tráfico. Essa verdade é que a mídia também não mostra, essa verdade é que as universidades escondem, tem gente que usa a comunidade como ‘horta’ e morador como ‘jardineiro’, em troca dão apoio ideológico para manter essa situação como está, isso sim é ruim demais.

  • Discorrer sobre todo o problema e acabar com “políticas sociais” em uma linha como solução é um pouco medíocre, não?

    Globo Shownalismo, Oportunismo Político, Crime Organizado, ok, ok. Mas a solução não é tão simples assim.

    Vale o argumento. Para solução, temos que discutir mais.

  • Acho engraçado que muitas pessoas se dão ao trabalho para vir aqui criticar o Gustavo porque ele não apresenta solução para o problema da violência.

    Primeiro, o Gustavo é jornalista e, como tal, tem a função de denunciar, informar e criticar, mesmo não apresentando solução alguma.

    Segundo: a questão da violência é altamente complexa e envolve muito mais do que os maconheiros da Zona Sul (até o Capitão Nascimento já descobriu isso, minha gente!) e o pessoal que anda de fuzil nas favelas que, no entanto, são o principal bode espiatório da mídia e, por conseguinte, da população nesse contexto.Por isso, não dá para cobrar alguém para que num mero texto (aliás, um excelente texto, mas, ainda assim, é apenas uma ferramenta para instigar a reflexão) resolva todo o imbróglio.

    Acho que o fundamental é pensarmos que existe uma economia da violência, que envolve ainda a economia das drogas, armas, lavagem de dinheiro, etc., em que toda essa situação está inserida. O que ocorre hoje, acontece porque há conivência por parte de autoridades, ou vocês acham que traficantes podem fazer frente à polícia e às forças armadas? E isso se dá de tal maneira que, pensando de maneira mais ampla, caso um dia as drogas fossem totalmente legalizadas, por exemplo, é possível que bolsas de valores mundo a fora fechassem o dia no negativo, tal é a interrelação da comercialização dos narcóticos com a economia e política regulamentadas. E isso vale pro resto todo.

    Então, acredito que ficar buscando responsáveis localizados pela violência no Rio será sempre algo de ordem muito superficial. É preciso pensar de maneira sistêmica.

  • a sua pertinente reflexão, gustavo, acrescentaria apenas o seguinte: a cobertura midiática tem um fim. o que se busca é legitimar a morte de centenas de pessoas e a ação truculenta da polícia. em 2007, na megaoperação do alemão, ainda houve espaço, ainda que ínfimo, para se questionar as execuções praticadas pela PM e força nacional de segurança. esse não é o cenário que se desenha agora. com o mito da upp e da “resposta” do tráfico, nada mais “natural” que blindados oprimindo os favelados. hegemonia – como definiu gramsci, opressão e consenso -, a gente vê por aqui.

  • Bem pessoal, falar é fácil. Na véspera de cada eleição escutamos todos falando, falando… Mas a verdade é que a desonestidade e a hipocrisia não está só em Brasília ou no Rio, mas dentro de cada um de nós que formamos essa nação vergonhosa.
    Enquanto não mudarmos, o país também não muda.
    E falar que a Globo é culpada por transmitir ao vivo o que de fato estava acontecendo e que todos queriam saber é mais um sinal da nossa própria hipocrisia diante da realidade.
    Acorda pessoal!!!

  • A tese de vilanizar o tempo todo a polícia também já está ficando cansativa.Ela é um braço do Estado e um orgão mais do que necessário em uma sociedade de direito. As teses argumentativas,as elocubrações,os direitos humanos,os projetos de base e os investimentos que devem ser feitos já estão expostos e a sociedade vem se mobilizando sim para que tudo isso aconteça de fato,para que saia do papel,dos projetos ou dos blogs.Porém,ah porém a violência domina e não é manipulação da mídia,não é falso alarde,é fato.Chega de teorias e mais teorias conspiratórias. Ok a a violência é consequência de falhas nossas e do Estado mas está ai estampada, e com ela como lidar? É triste minha gente,é muito triste que as coisas tenham chegado a esse ponto mas,nesse momento é possível uma solução sem o confronto armado? Eu sinceramente não concordo,mas não vejo outro caminho.

  • Acho que o Paulo André resumiu bem, o intelectual crítico só aponta a falha e diz, com muita honra, que a solução não é problema dele. O técnico tem que criar e executar a ‘solução’ sob a chibata e pedras daqueles que se limitam a filosofar, sem o menor compromisso pragmático, nenhum compromisso com os meios, e, muitas vezes, na melhor das boas intenções, eles não fazem e não deixam fazer.

  • Só espero que dessa vez não esqueçamos todas as discussões que esse fato nos trouxe e façamos cada um a sua parte. Todos nós. Todos os dias.

    A sociedade carioca, a sociedade brasileira, está longe do ideal, em alguns casos longe do fundamental e muito deve ser feito, todos sabemos. Sabemos que essa operação não é nem de perto a solução, mas os ataques precisavam de resposta e nesse caso a palavra, o acordo, não funciona. E se eles não perdoam, matam o que é que queremos que a polícia faça?

    Infelizmente as ações preventivas não foram tomadas e todos nós sofremos por isso, uns mais, outros nem tanto, mas uma coisa é certa é papel do Estado manter a ordem. É um trabalho sujo. Nossa sociedade é cancerígena.

    Como colocou bem a Bianca, essa foi a ação que tivemos que tomar hoje.

    Ninguém gosta de morar do lado de bandido. Assim como ninguém gosta de pagar impostos, luz, gás e ter uma série de regras e leis a serem respeitadas. O sociedade não é santa e todos nós fazemos parte dela.

    Gustavo, obrigado pelo texto.

  • Criticou, criticou, criticou. Tudo bem. E cadê, pelo menos, um apontamento de solução? Cadê uma sugestãozinha sequer de caminho a ser tomado, diferente do que está sendo feito hoje pelos “policiais facistas” do BOPE?
    Críticas vazias são apenas isso, vazias.
    Seu texto é mais um dentre os vários “de esquerda” quando o assunto é violência. E mais um que não aponta nenhuma solução vinda dessa esquerda. Só falta responder com o já manjado “mas eu não tenho que apontar soluções”.

  • Luis, a solução que poucos ‘críticos’ têm coragem de revelar é a legalização das drogas. Assim, colocar nas comunidades a educação, saúde coisa que o Estado não faz e nunca fez, em parte, verdade seja dita, por culpa do tráfico que impede o acesso, isso todos sabemos.

  • Eu concordo quase 100% com o texto. Essa é uma ponta muito pequena da guerra a ser combatida. Existem outras saidas para quem mora na favela do não optar por viver no tráfico?! Óbvio que sim! Mas é facil? Uma população oprimida que não recebe base social (o famoso pacote de educação, saúde, segurança etc…) para sua formação. Isso não justifica, mas explica em parte a opção do marginal. Não dá para tirar a parte da culpa dele por esta opção, mas o imenso culpado é o Estado com sua atuação pífea, falha e primordialmente criminosa. Quem tem o poder manipula de todas as formas e como um amigo disse acima ” a culpa é da Globo”. Não, a Globo é mais um braço utilizado pela manipulação e tem força substancial. A culpa é da ganância pelo poder que os verdadeiros Filhos da Pu**a que estão no comando.
    Retornando a situação latente que está ocorrendo nesse ultimos dois dias, vejo sim a necessidade de um confronto, infelizmente. Eu acredito que a propria população do local deseja que o comando que esta lá hoje sucumba. Ninguem gosta de passar seu dia-a-dia com pessoas armadas e mandando matar a bel prazer. A violência direta a população tem que ser combatida sim (mesmo que a violência feita pelo governo durante anos contra eles seja muito mais voraz). Agora me resta implorar aos concientes que entendam que a Grande Guerra a ser travada é primordialmente contra o crime organizado (que Marcelo Freixo, citado no texto, defende), e que todos nós continuemos cobrando de forma veemente do estado o aprofundamento e o combate prático contra os bandidos infiltrados nos poderes (polícia, e Política principalmente.

    Sempre com esperança.

    Raphael

    raphaelribeiro2002@hotmail.com

  • Falou tudo que todos sabem e não apresentou nenhum tipo de solução…
    Nessas horas sempre aparece alguém que “sabe das coisas” e mostra o “inédito” que todo mundo já viu.
    Alguém vê outra alternativa pra esses ataques? Alguém acha que não deve ter a invasão na região?
    Todo mundo sabe que o Estado é falho, que demorou demais pra tomar qualquer tipo de atitude, inclusive por interesses próprios, mas agora que aparece uma resposta vem gente tentando mostrar que o que é obrigatório fazer imediatamente está errado. Ué, vai lá então e troca ideia com os bandidos! Pede pra pararem de tacar fogo nos carros e aterrorizarem o povo porque o Estado é chato, bobo e feio…
    Falar é muito fácil. Criticar é mais ainda. Expor uma solução é pra poucos, e quem tá tentando mostrar isso tá trocando tiro com vagabundo, não tá sentadinho acompanhando tudo pelo Twitter, G1 e etc..

  • Gustavo, boa tarde.
    É impressionante como você consegue sintetizar e esclarecer de forma tão objetiva, tudo aquilo que penso, entendo, mas não consigo expressar através da escrita.
    Parabéns Gustavo!

    Povo carioca: não sejam envolvidos por essa medíocre opinião política que tende a nos engolir. A TV, como já disse Arnaldo Antunes, nos deixa burro demais!!!

  • “Carlos Alberto Amorim
    26/11/2010 at 09:39
    … A pergunta que não quer calar é: Como ficará a distribuição de drogas com tanta repressão? Quem abastecerá as universidades e a classe média ‘intelectual’? Acho que no fundo isso é que está em jogo, quem se diz preocupado com os coitados que moram nesta região querem, no final das contas, é o livre acesso aos bandidos para comprar o ‘boldinho’ de cada dia. E que morram os que moram ao lado, o trabalhador que acorda cedo etc. Viram como há manipulação de todos os lados?”
    Sou considerado classe media, e estudo em universidade particular, e posso te garantir que a ultima coisa que nos, os ‘intelectuais’, queremos e liberdade de comprar o ‘boldinho’ de cada dia. Afinal, pra ser sincero, nenhum de nos gosta de “se misturar” com o ambiente de favela. E “degradante” demais pra qualquer pessoa da classe media.
    Caso voce na esteja em contato com a juventude, atualmente o que pedimos e uma revisao na politica de drogas, o debate sobre a legalizacao como uma forma alternativa de tirar o monopolio das drogas da mao do trafico e retirar um dos bracos fortes da corrupcao. Mas como fazer isso em um pais onde nao se tem liberdade de debate sem ser taxado de fazer apologia?
    Maconha eh uma erva que pode ser plantada em casa, por que o usuario compra na favela aquela coisa que eles vendem como maconha?
    Nao compre, plante!

  • A polícia está combatendo o crime neste exato momento e as pessoas só sabem reclamar. Tem educação pra resolver? Sim. Tem que manter a UPP e continuar com o trabalho? Sim. Tem mensalão, corrupção, políticos que não merecem estar lá no poder? Sim.

    MAS a ocupação da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão É SIM UM MOMENTO HISTÓRICO E IMPORTANTE PARA A SEGURANÇA DA CIDADE. Então caceta, pare de reclamar desta ação específicamente porque ela é somente mais um passo para a melhoria de nossa cidade.

  • Direitos humanos para humanos direitos. Estou cansado de sociólogos, antropólogos e outros cientistas sociais de meia-pataca colocando a culpa no passado e discutindo a aplicação de normas de conduta nórdicas nessa terra de marlboro. Vivemos hoje um faroeste urbano. Escola, trabalho e saúde são medidas cocncomitantes, mas não escludentes do choque que tem que ser praticado. Tem que haver um ponto de inflexão nessa história que vivemos.

  • Como já disseram por aqui, a população sabe que o crime organizado estabeleceu-se em instâncias e que não estão nas favelas, mas em palácios públicos e privados, as principais, as que representam o topo da pirâmide, responsáveis por tudo que vem a seguir.

    População sábia esta.

    Vem-me à mente, inevitavelmente, a seguinte pergunta:
    Mesmo sabendo disso essa população continua elegendo como seus representantes os nobres habitantes desses palácios públicos e privados?

    Resposta: Sim.

    Então vou continuar aqui, no meu canto/conforto bem longe do Rio, tomando whisky com castanha de caju e filosofando sobre o bem e o mal, Foucault e Maquiavel.

    Se o carioca ou fluminense não quer resolver o próprio problema, não serei eu a deixar o meu conforto para fazê-lo, certo?

    Apenas lamento.

    Abs.

  • O artigo está vazio, a meu ver. Ficou a crítica pela crítica. Será que não há nada de positivo nas UPPs? Será que o Estado tentar reagir ao tráfico é um erro? O que tem a ver a corrupção que você diz ser ignorada neste momento de crise com a ação da polícia? Parece-me discursos de esquerda comunista que não são resolutivos nem propositivos.
    Só concordo com as críticas à imprensa. Mas a imprensa sempre foi assim, fraca e simplista. Quem espera mais dela perde tempo. No entanto, há nos blogs bons debates, como o que você propõe aqui. Sugiro que leia http://luizeduardosoares.blogspot.com/. Abraço.

  • A imprensa vai valer alguma coisa no dia em que ela for patrocinada unicamente com o valor da assinatura de seu assinante. Enquanto o poder estabelecido mandar na imprensa, o que teremos será isso aí.

    O poder estabelecido não tem razão para querer que as coisas mudem e é esse o discurso que ele paga para a imprensa publicar. Simples assim.

    Abs.

  • Muito bom o texto, mas, será que a culpa de existir uma polícia tão mal preparada que atira e depois pergunta é da mídia? O que passa na TV, com cortes ou não, é o que estamos vendo todos os dias nas ruas.

    O Estado precisa reagir ao trafico, porém, em suas origens, e com certeza elas não estão nas favelas. Só que é muito mais fácil entrar atirando em uma favela do que em um condomínio do luxo.

  • Excelente texto com reflexões super relevantes, entretanto, o problema está aí!!! A volência já foi “criada” .. vivemos num nível absurdo de insegurança e caos, está na rua, está na porta (ou dentro) de casa..principalmente pra que está do lado de lá e não mora na zona sul.
    Todo este enfrentamento é a ponta do iceberg, mas, sinceramente, não não consigo ver alternativas para lidar com o problema.. o Rio de Janeiro atingiu um nível extremo.
    Que a complexidade do problema é gigante todo mundo sabe, mas por onde começar? O que fazer? Quais as conexões e relações possíveis de serem “controladas”? E o que virá depois disso tudo?

  • Assim como o Gustavo eu não concordo com a cobertura da Globo em relação a vários casos, quase todas.
    Mas o texto dele assim como tudo na vida tem bons argumentos e outros nem tanto.
    1 ele critica a globo e cita o Marcelo Freixo, o problema é que as palavras copiadas por ele em seu texto vieram de um programa da GloboNews, como sei disso? Eu vi ao vivo.
    2 Concordo que é indispensável a ação da Secretária de Educação, da Saúde e da Cultura na comunidades pacificadas e nas outras.
    3 concordo com ele (e com os convidados que comentam sobre a situação do Rio na GloboNews) que é necessário operações em outros setores e locais, desta atividade criminosa e organizada.
    4 mas acredito que no momento todas as instituições juntas devem participar, sim, de uma operação deste porte. se existe o perigo de pessoas inocentes morrerem? existe, mas também existe este mesmo perigo quando você deixa o 1% de bandidos perambulando pela comunidade ou quando grupos rivais se enfrentam.
    5 é necessário enfrentar as milícias e operar também em territórios ocupados por eles.
    6 algumas pessoas têm feito comentários ridículos sobre a questão da moradia… tem gente que consegue mudar de endereço, outras são expulsas e outras não têm o poder aquisitivo para viver em áreas nobres ou tranquilas. E essas realmente precisam que tanto as milícias como os traficantes saiam de seus bairros, ou comunidades.

  • Os fascistas se revelam e apóiam inescrupulosamente a ação da mídia, do estado corrupto, da parcela social que controla isso tudo. Quando há um assalto à mão armada num prédio da Zona Sul, a polícia usa de inteligência para negociar com os bandidos e garantir a segurança dos civis inocentes. Morei em frente a uma favela na Tijuca e, no ponto de ônibus, os meninos estudantes da rede pública uniformizados ficavam das 11 às 14h dando sinal pros ônibus e, não podendo chegar atrasados, desistiam e voltavam pra casa. DIARIAMENTE. Filmei, postei no youtube e meu vídeo foi removido por ter conteúdo impróprio. “Todo mundo tem opção”, no cu pardal. Estudando em frente, no Marista São José, talvez. O que um moleque preto favelado e sem instrução pode fazer da vida em vez de ganhar um salário de fome? É muito fácil julgar a opção das pessoas quando se tem muitas opções na vida. Já foi a um baile funk de favela, playboy? No Parque União, via meninos de 5-8 anos em frente à caixa de som cheirando cola. Criança cheira cola porque é marginal? Não. É porque a cola dopa a fome. É porque você tem mil reais por mês pra pagar o colégio do seu filho e um salário de merda pra pagar pra sua empregada que tem quatro filhos. Aí, a criança que se dopa desde os cinco anos e não se alimenta, com a saúde comprometida, tem opção na vida. Olha pro lado. Mas pro lado Norte, pro Lado Baixada, e não aí pra Laranjeiras, Leblon.

  • gostei muito de algumas reflexões e gostaria que o autor do texto assumisse mais claramente se na opinião dele aqueles que dominavam a vila Cruzeiro e agora estão acuados no Alemão deveriam ser deixados em paz, como as entrelinhas sugerem.
    O drama do pai que teve ceifada a vida da filha dentro de casa obviamente tem muito mais peso dramático do que qualquer outro susto ou aperto passado pelos outros, mas será que os demais moradores daquelas comunidades e do entrono compartilham da opinião dos que acham que essa ação é apenas uma espetacularização desnecessária e que a solução é buscar a justiça social plena, que está logo ali, o Lula já fez quase tudo, a Dilma vai fazer o que falta?

  • O que está acontecendo na mais é do que a criminalização da pobreza, coisa que há 30 anos é feita pelos Governadores do estado!
    Excelente texto!

  • Quanto blá blá blá estéril!! Pelo amor de Deus. Tem gente que dá a impressão que não quer que nada melhore para poder vomitar suas teses e opiniões.. Triste isso.
    A realidade é muito mais importante do que suas “visões de mundo”.
    Só consigo enxergar um monte de egos e suas verborragias.

  • Pessoal, por favor; a questão é que tudo o que foi dito é verdade, e que todos têm uma certa razão. Se não vejamos:

    1)alguém nega que o território ocupado pelo tráfico era quase como um Estado independente, e que é uma limitação material ao direito constitucional de circulação no território nacional em liberdade e segurança?
    2)alguém nega que esses territórios tinham de ser retomados pelo Estado?
    3)alguém nega que o Estado, se realmente quer alterar alguma coisa profunda no futuro daquelas pessoas, tem de entrar com muito mais do que policia?
    4)alguém nega que as pessoas das tais classes a e b só dizem que estas operações tem de acontecer com esta violência, porque não vivem nessas comunidades?
    5)alguém nega há um interesse politico muito grande do governador em se auto promover para umas eleições futuras?
    6)alguém nega que a policia militar não está preparada para ser policia, e que o bope é um grupo de loucos que gosta de armas e que pratica actos de execução sumária que envergonha toda a sociedade? no entanto são precisos, porque os traficantes reagem da mesma forma…
    7)alguém nega que a globo e afins estão a vender um produto, noticias, e que esse é o trabalho delas, o nosso é filtrar as informações?
    8)acima de tudo, alguém nega que, se não houver controlo e não forem oferecidos meios às populações para sairem do estado de precariedade em que se encontram, as comunidades vão ser dominadas por milicias?

    O nosso papel, é filtrar, votar em consciência, em pessoas e não em chapas, e fazer nossa parte, não assistindo da janela do apartamento na zona sul, mas no local, agora sem a coação de bandidos…

  • To de saco cheio.Já lutei e participei muito pra mudar toda esta situação.No capitalismo egoista,acumulador,personalista,que confunde(por conveniência) liberdade com desordem na economia,dominador e assassino promovedor de guerras por pura ganância,esta situação do rio de Janeiro não vai ter fim tão cedo!!!Chega vou beber várias bebidas!!

  • As palavras são muito bonitas, mas esses papos já acontecem há vários anos e nunca funcionou. Em vez de bolsa-família (compra dos miseráveis), o governo tem que criar empregos e, como era antigamente, dar escolas públicas a todo mundo, dar hospitais decentes, enfim ressuscitar o Rio de Janeiro (de muito antigamente). É só isso, o resto é conversa fiada! Enquanto os sociólogos discursam, pessoas inocentes morrem todo dia. Não queiram fazer das pessoas corretas as vilãs da história, porque os verdadeiros vilões são os bandidos (sejam traficantes ou lá o que seja). E a mídia, principlmente a Globo, não fêz nada até hoje de produtivo a não ser dopar o povo com essas novelas baratas, idiotas!

  • é mais do que obvio que a corrupção é o pai e a miséria a mãe da guerra,armas contrabandeadas de fora ou até mesmo vendidas de arsenais das forças armadas,as fronteiras não vigiadas então as armas nacionais não garantem nossa soberania,por puro sucateamento proposital,os grandes vilões estao em brasilia em gabinetes matando com canetas,tudo entra por fronteiras nacionais,estaduais e municipais,muita gente leva grana nessa história,em todos os poderes,executivo,legislativo e judiciário,sistema carcerário ineficiente e caro ao estado,politicas imediatistas e insipidas que trabalham pra criar uma sensação de reação e não atacam o cerne da questão,corrupção deveria ser crime hediondo inafiancável com bloqueido de bens até a terceira geração,dinheiro publico é patrimonio de todas as familias se por acaso existe apropriação indevida é a mais pura açã ode descaso com as familias alheias porque as familias alheias devem se importar com a situação da familia de um corrupto que semeia a praga de todos males sociais,mas a mesma sociedade não quer isso pois todos praticam suas pequenas corrupções,não interessa as classes abastadas a lei de ferro com o dinheiro publico,as classes abastadas não repartem os proventos da riqueza do país,egoistas,separam-se pelo elevador que usam,agora estão pagando a conta de uma sociedade ignorante,qualidade de quem ignora,prefere gastar bilhoes com metro ate a barra mas não fazem pressão social em cima do estado pra investir em politicas publicas de inclusão social,agora vivem acuados em casa como ha muito tempo vivem as familias pobres que ha decadas convivem com lei do silêncio e toque de recolher,não se reconhecem como povo,z.sul e barra acham que são o principado de mônaco,o estado não é insipido,inodoro e incolor,são pessoas,eleitas ou indicadas para cargos,são concursados dos 3 poderes que são corporativistas,é um jogo de milhões,bilhões…juizes,promotores,deputados,vereadores,desembargadores,investigadores,que se protegem.esses são intocáveis,todos servidores publicos deveriam ter sigilo quebrado e monitorado permanentemente,quem não deve não teme,isso soa como extremo nao?mas tm q ser pois o reflexo dessa corrupção é extremo…é um país que não avança como deveria,não reparte e não vive em paz.classe abastada consome e nã ose julga responsável,transfere a responsabilidade toda para “entidade” chamada estado.tudo é culpa do estado.facil ne?pois e,a culpa é de todos em maior ou menor grau,e quem financia em todos os graus deveriam ser penalizados de forma exemplar,prisão perpetua pra corrupto,trabalho forçado e programas de desintoxicação para dependentes quimicos,punição exemplar para os solados do tráfico e investimento pesado em educação,saúde e infra estrutura social para salvar as futuras gerações.universidades publicas para quem não pode pagar,e adimissão de abastados em universidades publicas sob condição de trabalho vonluntário de 1 ano em areas carentes,pois os menininhos da z.sul não fazem idéia do que seja o país que eles vivem,valorização das forças armadas com salarios dignos e punições exemplares para corruptos como ja citei aqui.sociedade formadora de opinião nã ose mobiliza para formar comissões que fiscalizem o poder publico,estamos na era da primeira pessoa do singular e aonde a primeira pessoa do plural foi esquecida,capitalismo prega o individualismo e não se pensa que pequenas vontades individuais custam grandes prejuizos a coletividade.é uma noção muito rasa de cidadania e democracia,aonde a vontade da maioria deve ser respeitada,e a maioria não quer legalização de droga alguma,mas um minoria abastada quer poder curtir a intelectualização do vício e acaba por impor uma realidade nefasta a massa oprimida,povo mediocre e mesquinho,fica indignado com a situação mas não assume responsabilidade alguma.vivemos na era da ignorancia,qualidade de quem ignora.decadência total dos valores coletivos.banalização do maior chaga da nosso povo.corrupção.combate deve ser incisivo agora pois a situação é extrema porém se não houver politica e um projeto de transformação social,a copa e as olimpiedas passarão e tudo voltará ao “normal”,o sistema é como um reptil,não adianta cortar a cauda pois ela se regenera,tem de cortar a cabeça.

  • concordo só acho que quando se trata de violência os analistas esquecem de situar o debate no âmbito das desigualdades raciais, por que os marginalizados historicamente ápos abolição são os negros que não encontram no Estao nem um equipamento que lhes garanta um cidadania plena. Com os tanques das força armadas só aumentara as estatísticas de jovens negros vitimizados pela sociedade, e amhã surgiram novos traficantes, assasinos, delinquentes e a culpa é só deles, asim houvimos na mídia facista, que se empenha de afirmarque vivemos num país sem racismo e que os militantes e intelectuais negros querem transformar o país em bipolar.

  • Vamos então imaginar o mundo ideal do Gustavo Barreto, autor desse texto. Primeiro, teremos que pedir para a imprensa parar de divulgar esta operação histórica. O Gustavo acha que a mídia está interessada em espalhar o pânico, de forma velada. A tese dele é de que a imprensa não pode falar para a população “manter a calma” e mostrar cenas violentas ao mesmo tempo. Tudo isso é tática para impor ainda mais o medo. Então repórteres, não publiquem a fala do Secretário de Segurança, quando ele pede para a população manter a rotina. E nada de mostrar tiroteios em seguida porque o Gustavo acha que essa contradição, na verdade, é uma conspiração para amedrontar a população, tá?
    O Gustavo sugere que o problema das milícias é maior do que o do tráfico. Então, cinegrafistas, não filmem 200 bandidos com fuzis correndo de uma favela para a outra para escapar do cerco policial. Desliguem as câmeras quando os traficantes queimarem mais de cem veículos em 5 dias. O Gustavo acha que devemos nos concentrar nas milícias porque o tráfico é coisa secundária.
    O Gustavo também tem um recado para os internautas que defendem o enfrentamento: vcs são fascistas! Parem de ficar torcendo para a polícia acabar com esses traficantes! O Gustavo acha melhor deixar esses bandidos armados em paz porque a política de enfrentamento é burra. Policiais, não façam nada porque inocentes podem morrer. Um fotógrafo da Reuters levou um tiro, mas é melhor a imprensa não divulgar isso porque quem atirou foi bandido do alto do morro. Melhor não publicar também que um soldado do Exército e um morador que se escondia num bar foram baleados por tiros que vieram do alto da favela, onde estavam os traficantes. Deixa do jeito que está gente! Vamos montar uma barraquinha do Sesi na Vila Cruzeiro com um cartaz: “troque o seu fuzil por uma vaga na escola técnica”. No mundo do Gustavo, todos irão se render pacificamente. Nada de atirar contra os traficantes, tá pessoal? Ah, repórteres: parem de publicar esses números que indicam queda na violência no Rio. O Gustavo diz que é tudo mentira. Jornalistas, parem de encher a bola das UPPs. Vocês só devem falar do que não funciona, ok? Falem apenas da falta de profissionais na área de saúde no morro, no problema de salários dos professores. Só isso. Não venham mostrar que a população foi libertada da mira das armas depois de 3 décadas. O mundo ideal do Gustavo é muito legal. Mas eu vivo no mundo real.

  • Alexandre, vc é um merda!
    Retruque respeitando a opinião alheia.
    Tudo que o Gustavo disse foi muito bem colocado e é verdade!
    Sem maiores verborragias… Todo esse dinheiro investido nessa atual violência, já poderia ter sido usado há muito tempo em prol de BENEFICIOS pra essa mesma populacao. Temos q assumir a falha e não justifica-la!

  • Será mesmo q vc vive no mundo real????
    O mundo real está longe de quem finalizou a escola, cursou uma faculdade, e que paga TODAS as contas (nada de luz gato, tv gato, moradia gratuita o seu barraco)….
    Essa é sua realidade?

  • Alexandre, creio que tenha acertado umas no varejo, mas a sua análise erra feio no atacado. Além disto, achei-te muito jogador de dados, afinal despejou imensa informação sem amarrar seu raciocínio: estás a criticar a cobertura da mídia, acção da pm, o governo do rio de janeiro… (todas as anteriores mais o cristo redentor).
    No geral é um texto de uma sociologia rasa, talvez uma leitura mal feita de russeau (que por si só já é uma má leitura!). explicite por que a imprensa é ruim e depois faça um outro texto para dizer por que o governo sérgio cabral é ruim (de repente o blog fica mais consistente!

  • Além de tudo que já foi comentado acrescento:
    Militar é treinado para guerra, para exterminar o inimigo.
    O que estão querendo? Na fuga se os militares estivessem no comando não escaparia um dos duzentos bandidos em fuga.
    Estariam num helicóptero blindado e equipados com pequenos foguetes. Disparariam um e os fugitivos ficariam todos no chão.
    A sociedade deve estar consciente deste fato. Chamaram as forças armadas para transporte e apoio logístico, os comandantes militares aceitaram a missão, agora mudaram o objetivo dos militares no conflito: os efetivos estão em ação de garantia da lei e da ordem. A tv já informa: exército troca tiros com os traficantes.
    Assim quando as informações do no. de mortos for divulgado, a sociedade civil que hoje aplaude os militares, estarão chamando-os de assassinos. A comunidade internacional, os direitos humanos estarão atacando os militares, estará aberto o caminho para uma grande campanha de desmoralização das Forças Armadas.

  • Passem uma semana numa destas comunidades para vivenciarem a vida de opressão que o tráfico lhes impõem… Concordo que há muito mais que fazer além de combater com armas, mas é preciso termos claro que cada coisa a sua hora, lugar e agentes. A hora agora é propícia para o combate armado sim, livrando milhões de cariocas desta opressão com o poder das polícias e forças armadas. Cabe a todos os outros brasileiros o que mais deve-se fazer, escolher melhor seus representantes e participarem de seu dia-a-dia. Quantos de vocês já participaram de consultas públicas e sessões nas Câmaras Municipais? Não têm tempo? Participam de movimentos sociais ou ficam só na demagogia? Compram pirataria? O dinheiro gasto com a hospedagem destes marginais e seu turismo penitenciário pode ser empregado sim em educação, saúde e segurança nas comunidades. Bala neles! Cultura, direito e comportamento se muda ao longo de anos, décadas, mas a violência com discurso, flores, paninhos brancos, bandeiras em passeatas na zona sul e textos intelectualizados, não.

  • Parabéns ao Gustavo pelo rico texto e parabéns ao Rui por ter feito o único comentário aglutinador. A realidade não é uma só e são todas complexas. Só fico com a pulga atrás da orelha pelo texto do Gustavo citar tanto o deputado Marcelo Freixo, pois dá impressão de que existe um fundo eleitoreiro no discurso, assimm como há nas ações de Sergio Cabral.

  • Muito bem lembrado nesse texto a falta de operações policiais sérias nos portos e na Baia de Guanabara. É rídiculo pensar que só esse enfrentamento vai resolver o problema. Entrar nas favelas com blindados da Marinha e “Caveirões” é muito fácil. Quero ver entrar nos condomínios de luxo dos Barões do Narcotráfico e dos jogos ilegais que infestam a cidade com seus artefatos nefastos.

    Os Barões comandam o crime “desorganizado” da Zona Sul! Mas daí a exigir que a polícia entre “arregaçando” nos luxuosos prédios da Vieira Souto é ser muito ingênuo!

    Só polícia não adianta. A UPP quando implantada não prende os traficantes e os “esqualidos” soldados do tráfico, que migraram para os Complexos do Alemão e Maré. E não é só com polícia que se vai resolver o grande problema da desigualdade. Tem que haver escolas de qualidade, assistência médica séria e acesso a cultura.

    Mas isso não importa… o que importa é mostrar as imagens da “horda do mal” fugir por estradas de barro para a outra favela.

    Odeio essa midia facista e vendida!

    O que será do amanhã?

  • Esse texto é típico de quem se importa mais com seus conhecimento e ego, que quer “estar certo” do que de alguém que tem um mínimo de contato com a realidade e de consideração com seu próximo.

  • Tá vendo que dá conhecer o povo só por livros e ética cristã/socialista/pau molista? É só ver a tendência do site que já dá adivinhar a priori as opiniões.
    O bom é que pessoas assim como o autor do texto só falam falam falam e continuam em casa lendo livrinhos iguais, vendo os mesmos filmes pra analisar, indo bebericar nos “botecos” com os amigos bonitos que tem as mesmas opiniões e NÃO FAZEM porra nenhuma.
    Como disse Tray Parker, temos aí, nas nossas caras, as bocetas cheias de merda.

  • Que grande bosta esse texto!

    Você deve estar enfiado num apartamento em São Conrado e arredores ou então em qualquer outro lugar nesse mundo, exceto no Rio de Janeiro.

    Venho de família pobre, que morou em casa sem luz, onde meus avós tiveram 9 filhos. E não há nenhum bandido!!! NENHUM!!! Todos estudaram e trabalham honestamente. Alguns com destaque profissional.

    Essa cambada é conivente SIM com os bandidos.
    Ao contrário do que vocês pregam, a MINORIA é honesta e quer que a situação mude.
    Mas a maioria quer mesmo é que o traficante fique sustentando, enquanto eles o dão guarita.

    Os direitos humanos de qualquer pessoa devem cessar quando o do próximo é violado!!!

    Chumbo neles!!! Fora a violência!!! Queremos a verdadeira PAZ!

    Bando de cretinos!

  • “Os direitos humanos de qualquer pessoa devem cessar quando o do próximo é violado!!!”

    sério mesmo?
    eu só espero nunca esbarrar em você na rua ou furar uma fila na sua frente, sabe-se lá o que aconteceria né…
    vamos deixar o fascismo e a tortura no passado deprimente da ditadura.

    parabéns pelo texto!
    e Rui, comentário mais que sensato!

  • ALEXANDRE, você foi incrível!!! Perdoe o Gustavo, ao escrever esse texto ele deve ter voltado do dia cançativo que teve vendendo limonada na calçada da casa dos pais. É muito stress na cabecinha.

  • Oi Fabiano, esclarecendo sua questão, eu votei no deputado Marcelo Freixo por considerar esse um problema importante e o trabalho dele merece destaque. Não sou sequer filiado a partido algum, nem fiz campanha política na rua.

    Apenas divulgo, como em outros casos o fiz, o bom político, passo essencial para entendermos que a resolução do problema também passa pela classe política. Conforme lembrou o próprio deputado, seria ótimo que menos de 1% do Parlamento fosse de criminosos. Conforme é possível avaliar pelo TRE, não é esta a realidade…

    Quanto aos demais comentários, falo um pouco sobre isso em texto publicado ontem, nesta mesma revista. Sinceramente não entendo que me chama de “filósofo”, “pseudo-intelectual” e outras honrarias e não apresenta sequer argumentos sólidos. O que apresentei aqui trata da vida “real” da qual faço parte enquanto morador/frequentador de duas “áreas de risco” no Rio, e enquanto frequentador, a trabalho, de algumas comunidades com sérios problemas de segurança.

    O texto seguinte está em http://consciencia.net/voce-trocaria-um-parente-por-duas-toneladas-de-maconha/

    Espero que ninguém procure minar o debate público só porque eu não concordo com alguns de vocês. E lembro que nossa revista, um projeto coletivo, é um dos poucos que não censura comentários e publica todos na íntegra, independente de xingamentos pessoais dirigidos a mim.

    Abraços.

  • O que vc sugere então??? Não enfrentar, deixar como está???

    Que tal formar um grupo de estudos? Uma comissão?

    O que o autor do texto prega é o mesmo que dizer a um sujeito que está tendo um infarto que ele deve se alimentar melhor, de forma mais saudável, para evitar infarto, ao invés de atendê-lo. Burrice total.

    Políticas públicas, investimento em educação, saúde, é dever do Estado e necessário. Mas soluciona apenas a longo prazo… O que vc sugere fazer AGORA??? Pra resolver AGORA???

    Fecha o livrinho de história infantil e cai na real rapaz, isso aqui não é Disney… Não é pq menos de 1% da população das favelas é criminoso (o que é verdade) que não se pode entrar lá para buscar criminosos???

    Aí fica fácil, pode-se cometer diversos crimes e se esconder na favela, já que lá é proibido entrar… ah, faça me o favor…

  • começou bem. depoiss virou material panfletári do Freixo. Nada contra o cara, mas parece que ele é um herói que faz tudo sozinho e veio salvar o Rio. Haja saco pra ficar ledo panfleto, né?

  • “Roosevelt” cançativo com c cedilha é por causa do seu anglicismo ? (KKKKK…) O seu cartão de visita é igual sua opinião. Mas, cá prá nós meus amigos de esquerda e também os esquerdistas (doença infantil como dizia Josef Stalin), Não dá para aguentar a afronta dos nossos irmãos “quase todos pretos de tão pobres” (não é meu, eu sei) com terror e violência aqui “no asfalto”, sacudir os fuzis para as câmeras das “globos” e continuar dizendo “aki no morro polícia num sobe não mano”. Não dá também para ver os “chefes” de quadrilha corromper menores e aqueles desassistidos e filhos dos desassistidos pelo Estado (isto não se discute, aliás, todos discutimos, mas ninguém de nós tem a solução). Não da pra ver os “chefes” virem morar nos condomínios de luxo da ZS (com dinheiro do crime, este sabemos) imitando o comportamento burguês dos brancos que os explora (desde as domésticas aos operários, peões e “piões” mais uma vez (do mesmo autor) “quase todos pobres de tão pretos” (de cujos dinheiro não sabemos a origem…?). Estes “serviçais” e inocentes sempre moraram lá e todos sabemos porque e sabemos que são sim inocentes, assim como os “soldados” do crime. Me desculpem caros amigos, mas estes “chefes” que estão repetindo a ideologia e o comportamento “dos brancos da ZS” com dinheiro lavado do crime, achando que assim se branqueiam: TÊM SIM QUE IR PARA CADEIA E COM RDD. Se forem peixe pequeno, que abram o bico e entreguem os graúdos então – que muitos acham que são todos colarinho branco e todos brancos de tão ricos (esta paráfrase é minha kkk). Se não abrirem o bico (deveriam pq não tem mais nada a perder) é por que são mesmos os “cabeças” e têm que pagar. Tô Doidim que alguém me convença do contrário. Discursos ideológicos esquerdóides vagos ou facistóides não valem, quero fatos e argumentos lógicos e inteligentes sem alinhamento político espúrio ainda que sejam ideológicos, como toda ação e pensamento de qualquer um de nós o é.

  • ”Lá na comunidade que eu moro um traficante fugindo da policia pisou no telhado lá de casa, ai quebrou tudo, fomo lá falar com os caras ai deram R$2000 pra nois cunserta, nois cunsertamo e ficamo com R$1100, idenização né!”***

    *** Baseado em fatos reais

    Essa historinha ilustra um fato que eu ouvi de um morador, e digo que onde o governo não ia ajudar o trafico ajudava. Procurem saber sobre a primeira favela pacificada onde tem o comando do Bope chamada Tavares Bastos, onde o Hulk veio dar um rolé, o grande traficante do local era o grande bem feitor, dava tranporte gratuito pra idoso e material escolar. Não justifica uma coisa pela outra mais pensem q quando o governo perde o controle talvez só reste essa guerra que temos hoje.

    Na minha esdrúxula opinião o governo só está fazendo tudo isso porque ele sabe que pobre é fonte de renda inesgotável, vide Casas Bahia um império com quem é baixa renda, as milícias sabem muito bem disso, quem será que contou pro governo alguem de dentro né?

  • QUEREM CORRIGIR A MÁ DISTRIBUIÇÃO DAS RIQUEZAS COM TIROS DE CANHÃO, QUEREM CORRIGIR A MISÉRIA E A DESILUSÃO DOS OPRIMIDOS E CARENTES COM BALAS DE 7.62, QUEREM CORRIGIR A INCOMPETÊNCIA E A CORRUPÇÃO COM BALAS DE FUZIL.METRALHADORAS E ESCOPETAS…HIPÓCRITAS !!!IDIOTAS !!! NÃO SABEM QUE CADA UM QUE “MORRER” NESSA GUERRA VAI “VIVER” FEITO MÁRTIR, VAI VIRAR HERÓI !!! VAI CHEGAR SORRINDO NOS BRAÇOS DE DEUS… POIS ESSE SIM, É JUSTO E SABE MUITO BEM DE QUE LADO ESTÁ A VERDADE E A RAZÃO, GUARDEM SUAS BALAS…ELAS NÃO MATAM A DETERMINAÇÃO O CARÁTER E A CORAGEM DE QUEM SEMPRE PRECISOU SOBREVIVER…DEUS ABENÇOE E ACOLHA EM SEUS BRAÇOS CADA SOLDADO MORTO…DE UM LADO OU DE OUTRO… NESSA GUERRA ESTÚPIDA E SEM COMANDO…

  • A conversa de esquerda é sempre a mesma: mídia manipulada, mídia corrompida, pessoas alienadas. MEU OVO. Porque todo esquerdista apoia milícia? Por que são a favor do oba oba, da malandragem e de marginalzinho liderando equipe de tráfico e matando gente? Quer dizer,o fato dos caras não terem escola dão direito de lutarem com arma em punho?
    Na real, os caras não iam misturar várias polícias se fosse algo armado e fantasioso. Se o bandidinho esconde o mafioso, tem que rodar, tem que morrer até falar. Quem apoia marginal, por dinheiro ou por necessidade, marginal é. Tem outros meios de resolver vários problemas que não apoiar traficante para ganhar tênis novo.
    VAI SE FODER ESQUERDA.
    viva o capitalismo e o dinheiro no bolso.

  • Engraçado, aposto que quem escreveu esse texto, devia estar fumando um baseado que ele comprou pelo telefone e um bandido da vila cruzeiro entregou na casa dele de taxi, porque tamanha bobagem nunca vi na minha vida.

    O seu reporter idiota, nao da pra criar uma UPP todo dia, porque vc precisa de contingente (inclusive humano) para isso e PMs ainda não nascem que nem arvore!

    Alguma coisa tinha que ser feita, não sei se é o caminho mais correto, agora ficar do alto da cobertura na zona sul, criando um site que não faz porra nenhuma, a não ser criticar oque esta sendo feito, é coisa de muleke criado pela vovozinha.

    Levanta dai e se candidata a alguma coisa e muda essa bosta!

    Porque vc nao criticou os moradores que aceitam gas, gatonet, tv, compram cargas roubadas, usam motos roubadas e vans ilegais ?

    Critico de merda!

  • Concordo que a solução pra essa barbárie que o tráfico promoveu (arrastões, assaltos, incêndios, etc) exigia mesmo uma solução imediata, e não uma discussão numa mesa redonda. Em certos casos, situações extremas requerem medidas extremas. Concordo com o Rodrigo: não é pq menos de 1% das favelas é composta por criminosos que não se pode entrar lá pra prender essa galera (afinal, os próprios 99% dos habitantes de lá sofrem nas mãos desses 1% – eeeeem alguuuuns casos). Tambpem sabemos que vários traficantes ajudam várias comunidades, pois não é de hoje que as mesmas praticamente inexistem pro governo. E quem acha que matar e prender a bandidagem do Complexo do Alemão vai resolver a violência no Rio de Janeiro, é melhor pensar melhor. É fácil combater o marginal e a sociedade apoiar. Mas e a milícia? E o bandido fardado? E o bandido engravatado, que certamente lucra com o mercado negro das drogas (e não só das drogas)?? O que fazer pra denunciar um fardado que está coagindo uma comunidade? Denunciar a polícia à polícia? E outra: por que será que a legalização da maconha (por exemplo) é tão comentada em revistas, sites, jornais, mas não há uma efetiva discussão sobre o assunto pelos governantes? E digo mais: quando há, o povo sequer toma conhecimento. Sérgio Cabral, FHC e muitos outros, abrem essa questão da descriminalização de certas drogas… e pq? “Ahh, pq são um bando de maconheiro, xinxeiro, etc”. Quem pensa assim, no mínimo, é retardado. Será q é tão difícil enxergar que tapar o problema é mto pior do que expô-lo? 10 anos pra cá: o consumo de drogas diminuiu com a repressão? Não, aumentou!! Adiantou então?? Porra nenhuma. “Ahh, então liberar geral vai melhorar!”. Também não! “Então, o que fazer?”. Eu não sei, eu não sou o dono da verdade (e ninguém é). Mas raciocinemos: Pq é tão engraçado (até motivo de pôr no youtube) quando o carinha lá bebe igual um gambá, fica torto e faz um monte de merda? É engraçado também qdo esse mesmo carinha se irrita (sob efeito do álcool, uma droga lícita e mto mais perigosa do que a maconha, em TODOS os sentidos) e dá um soco em alguém, ou bate com o carro? É legal? Não, é só um número a mais nas estatísticas. Mas se alguém sente um cheiro de erva na rua, por exemplo, já olha pra todos os lados e sente medo, acha um abuso, um absurdo, uma afronta à sociedade… que país é esse? Até quando as pessoas vão tampar o sol com a peneira? “Eu acho que tem que proibir e prender maconheiro siiiiiimmmm”. Então tá: vamos proibir o álcool tb. Será que todos vão apoiar? Quem mata mais: o álcool ou a maconha? Abomino a existência do tráfico de drogas SIM, abomino e repudio qualquer tipo de violência armada e abuso de poder. Mas se há proibição de certas substâncias menos prejudiciais (deixemos cocaína, crack, heroína & cia longe deste debate), por que então não proibir tudo que causa entorpecimento? Proíbam o álcool também… pronto. Quem aqui vai concordar? Eu não bebo mesmo, então por mim… (não é assim que a mente egoísta das pessoas funciona?).

    P.s.: eu realmente não bebo, mas pra quem não tiver percebido, estava sendo sarcástico na minha consideração final.

  • Sei que o debate aqui é aberto, à todas as mentes, e não somente àqueles cujas idéias/pensamentos sejam compatíveis apenas consigo. Portanto, entendo que quem quiser se retirar, que sinta-se à vontade…

  • Engraçado que nos meios de comunicação só vi gente com o mesmo pensamento que o seu, inclusive o deputado Marcelo Freixo esteve o tempo inteiro na GloboNews, e ainda por cima você ainda se faz de vítima dizendo que não foi representado.

  • Prezados. Ataques pessoais sem contra-argumentos não colaboram. E repito: não serão censurados. Mas querer me categorizar como “filósofo”, “pseudo-intelectual” ou até mesmo maconheiro não ajuda no debate, sobre propostas para a questão no Rio. Espero que compreendam.

    Eu leio todos os comentários e farei, dentro do possível, comentários em outros textos os considerando. Porém não posso fazê-lo na velocidade que gostaria pois tenho dois empregos e pouco tempo para a Revista, do qual sou apenas colaborador.

    Abraços a tod@s.

  • Que os governantes e a imprensa sejam desonestos. Sim, isso todo mundo já sabe.
    O meu principal questionamento, no entanto, é o que vocês, pseudo-socialistas pensam sobre o tráfico, os bandidos que queimam pessoas vivas, que atiram em criança que se recusa a atear fogo em veículos, que promovem terror pra quem vive em comunidades, atiram pro alto, circulam fortemente armados, que comandam ações como queimar carros, ônibus pelo estado. Isso a gente deixa de lado? A gente esquece porque, poxa, eles são vítimas da gente e com certeza se oferecessemos a eles um emprego pra acordar as 4 da manhã, trabalhar oito horas por dia, pra no final do mês ganhar 800,00 (como minha colega de sala e tantas outras pessoas que eu conheço), eles com certeza trocariam. Eles são todos gente muito boa.. então vamos deixar o terror que eles promovem de lado pra focar no governo e na imprensa. Nossos carros queimaram sozinhos.

  • Na pior das hipóteses, fica reafirmada a capacidade de União, Estado e Município agirem em prol do bem comum (coisa que se chega a pensar que seja impossível em alguns momentos).
    A autoridade existe para servir, não para ser servida.
    Falta fazer isto em tempo integral.
    Esquecer a cor político-partidária e, efetivamente, ocupar os territórios, com educação, saúde, segurança, saneamento…
    Quem disser que é utópico, já desistiu!

  • Apesar de eu conhecer quem não tenha tido oportunidade, mas que se contente com salario de gari, que se sinta feliz acordando as 3 da manhã pra trabalhar, eu entendo esse tipo de posição.
    A questão é que, por a situação ter chegado a esse ponto, pela negligência de antes, ela pode se perpetuar assim? As crianças de hoje podem ser alvejadas por se recusarem a atender ao recrutamento daqueles que há 10 anos atrás, por nao terem oportunidade, optaram pela vida do crime? Em algum momento a virada tem que que acontecer. Se a idéia é depois dos tanques, tomarem esses territórios e trazerem a eles civilidade, nós deveríamos apoiar.
    Vale lembrar que quem iniciou ataques contra civis foi o tráfico. Que quem agora está atirando, é o tráfico. Vale lembrar que a polícia deu um dia inteiro para eles se entregarem, com suas armas, para cumprirem penas ridículas e em breve estarem de volta a ilegalidade.
    quem conhece o mundo do tráfico sabe que a opção que muitos deles fazem é quase definitiva. Que optam por isso, não apenas por falta de oportunidade, mas pela facilidade de se ganhar dinheiro, pelo status que carregar um fuzil pelas ruas da favela traz, porque as meninas adoram o poder deles. Eu não estou generalizando, mas falando de uma boa parcela dessas pessoas, que não abandonariam a vida que traz a eles o Nike que eu, com o meu trabalho legal, 8 horas por dia, 7 dias por semana, não posso ter.
    Quantos deles tiveram segundas oportunidades e voltaram ao mundo do crime, a queimar pessoas vivas, a atirar em crianças, mulheres, idosos?
    Mas a questão, pra mim, é que antes de se pensar em construir uma sociedade mais igualitária, era sim preciso destruir a imagem de força e de heróis que esses assassinos sádicos tinham. As crianças daquele lugar têm que ter o policial, o militar como herói, não o traficante. A ação desse fim de semana fez isso. Até porque foi legítima, foi limpa. Não houve violência desmedida, não houve chacina ou extermínio.
    A população do complexo do alemão cooperou, denunciou e mais importante que isso, agradeceu as 15 picapes, 1 caminhao, 1 caveirao, no minimo 90 soldados, alguns com as caras pintadas de preto por aquilo que eles mesmo chamam de libertação. A chance de agora serem integrados a sociedade, sem ter que conviver com aquele medo constante. Porque tiroteio não é só entre polícia e bandido. É também entre diferentes facções do crime organizado.
    Tudo, pra ser feito em uma favela dominada pelo tráfico, requer a autorização deles. Enquanto o tráfico dominar uma comunidade, ela nunca será integrada de verdade. A chance deles é essa. E eu torço muito, espero de verdade, que esse seja o pontapé inicial pra mudança na vida dessas pessoas.

  • Apesar de a maioria das coisas mencionadas serem verdadeiras, como a falta de politica publica nesses lugares em q a policia conseguiu se instalar, isso nao pode desmerecer o trabalho da policia q estamos presenciando agora. Falta td isso sim, mas como esse serviços poderiam chegar se tinham q se submeter oas arbitrios do trafico? vc acha q um médico iria simplesmente trabalhar num posto de saude no morro correndo o risco de morrer ou de ter q atender um traficante ferido? com ameaças de morte? Ninguem em sã consciencia se colocaria em perigo, em qq situação! entao agora com td esses acontecimentos não devemos criticar o modo de como a policia está agindo, mesmo pq em outros conflitos tivemos mto mais mortes e feridos com um resultado sem qq relevancia. Vamos agora tomar consciencia e aproveitar essa oportunidade e levar td isso q sabemos q falta nessass comunidades… inclusive nós da sociedade, e aõ ficarmos esperando somente o poder publico. e vamos com um passo de cada vez… se a policia continuar fazendo um bom trabalho, ela com certeza podera se avaliar e combater a corrução dentro dela, pq a maioria tb nao é de maus policiais.
    Vamos aproveitar a oportunidade e não simplesmente ficar palpitando!
    Fabiane
    Uma moradora q tb viu uma UPP fazer diferença

  • Interessante é que enquanto o tráfico domina a favela, não vemos manifestações dos moradores da comunidade, ditos “de bem”. Interessante é que esses moradores preferem a pretensa PAZ dos traficantes enquanto eles estão lá, negociando drogas e armas. Mas quando a polícia entra para abafar o que esses marginais fazem, a reação é imediata: a polícia é que veio atirando, a polícia é que matou… Moradores “de bem” que esperam a oportunidade de dizer para as câmeras que vivem um inferno e chorar copiosamente pelo filho “que era trabalhador”. Moradores “de bem” norteados pela inveja entre eles mesmos, pois um não pode ter nada a mais do que o outro. Moradores “de bem” que exigem tudo de todos, que querem seus direitos, mas se recusam abertamente a cumprir (ou mesmo ter conhecimento de) seus deveres. Moradores “de bem” que não pagam IPTU nem luz ou TV a cabo, mas têm tudo de que precisam. Quem paga é a classe média, que trabalha meses só para arcar com seus impostos e ainda tem que sofrer a violência nas ruas em silêncio, porque os Direitos Humanos só aparecem para defender bandidos e os movimentos sociais não se interessam por classes “mais abastadas”. Esse é o rumo: nivelar por baixo. Não interessa o quanto a pessoa batalhou na vida para conseguir o mínimo de conforto, pois ela é considerada inimiga pelas classes mais baixas. Existe um número pequeno de bandidos nas favelas? Sim. Existe um grande número de pessoas de bem? Sim. Mas existe também uma maioria que só está interessada em saber o que os outros podem fazer por ela. Essa é a verdade. Direitos, não deveres. Sempre. Politicagem safada, milícia violenta, corrupção… a gente sabe que existe e critica à vontade. Quero ver quando alguém terá coragem de apontar o dedo para um favelado (dane-se o politicamente correto) e dizer que ele deve aprender a ser cidadão também, que só porque não carrega uma arma não significa que ele seja “de bem”. Há outras maneiras de se contribuir para a destruição do Estado. Mas quando uma UPP tenta dar aulas de comportamento aos moradores, recebe respostas como “não somos selvagens”. Isso de pessoas que jogam lixo na rua, urinam em qualquer esquina, berram palavrões onde bem entendem e xingam quem tenta lhes passar alguma orientação de cidadania. Enquanto eu cumprir com meus deveres, pagar meus impostos, lutar pela educação, ajudar DIRETAMENTE a quem realmente precisa, tendo que ver atitudes arrogantes e desprezíveis de moradores de favela que querem respeito pela sua condição de pobreza, enquanto eu vir inocentes morrendo no asfalto vítimas da bandidagem sem que ninguém se manifeste com o mesmo fervor de quando morre um jovem durante um tiroteio na favela, vou apoiar qualquer ação do Estado que ME pareça louvável, mesmo que seja uma maquiagem, algo temporário, com interesses políticos. Estou cansada de fazer tudo certo e ainda ser vista como inimiga.

  • Excelente texto, Gustavo. Parabéns! O que está em curso neste momento, longe de ser uma batalha do bem contra o mal, é um rearranjo do crime organizado no Rio de Janeiro, e tão somente isso. Se fosse algo além disso, seria necessário combater as milícias, por exemplo, coisa que não tem sido feita. Por que será?
    Ah, mais uma coisa: dizer que as crianças da favela têm que ter os policiais como heróis é desconhecer a seguinte realidade: a polícia entra nas favelas de caveirão, atirando – e em dias comuns, quando muitas vezes não há mega-operações policiais em jogo. Abusa da autoridade que tem e desrespeita os direitos mais básicos. Todos nós já vimos esse filme e é importante que não nos esqueçamos dele… Também é importante lembrar que os “heróis” aclamados pela mídia e pela opinião pública são sócios de todas as ações criminosas importantes em nosso estado. A polícia é sócia do tráfico, das milícias e de toda contravenção importante existente hoje no Rio de Janeiro.

  • EU ACREDITO QUE A IMPRENSA HONESTA FAÇA O PAPEL QUE LHE DEVE, INFORMAR E DENUNCIAR… POUCO VEMOS AS AUTORIDADES INDO ATRÁS DOS PORTOS / PISTAS DE POUSO CLANDESTINAS / RODOVIAS, E OUTROS MEIOS DE ENTRADA DE CONTRABANDO, ARMAS E DROGAS. SUGIRO QUE A IMPRENSA HONESTA, POR MENOR QUE SEJA, PASSE A MOSTRAR LITERALMENTE COMO ESSE MATERIAL ILÍCITO CHEGA AO BRASIL (RJ) E ASSIM AJUDAR A POPULAÇÃO A PRESSIONAR AS AUTORIDADES A COIBIREM ESSE MAL.

  • u espero que essa situaçao nao seja apenas por causa da aproximação das OLIMPIADAS ou da COPA no Rio de Janeiro. Porque essa seria a causa mais provável de se fazer algo ‘contra o tráfico’ e estampar na TV que algo está acontecendo no país para a segurança carioca e colocar o Brasil nas Tvs do mundo como fachada para jogar debaixo do tapete o caos que se instalou no Rio de Janeiro como mostram os filmes que fazem tanto sucesso nas telas de cinema brasileiro.

  • De uma riqueza ímpar a contribuição do jornalista Gustavo Barreto de Campos às críticas de como a imprensa noticia os acontecimentos recentes no Rio, que tem um fervor pra lá de duvidoso e irreal. Do prisma técnico jornalístico, área que estou certo que domina, ou deveria dominar, pelo tempo que gastou estudando-o, Gustavo Barreto mostra-nos o que tem de pior na imprensa brasileira. Involuntariamente, o dos dois lados. Um coloca o governo como o verdadeiro Rambo, agradador das classes dominantes, que coloca o morro contra o asfalto, bebe da glória que não lhe cabe e finge-se de cego e endossa ações assassinas clandestinas de seu agentes e todo o discurso que já é sabido. O outro, do qual Gustavo Barreto faz parte, chama-o de fascista (lê-se faxista, livrando-se da denotação do termo) e vê em cada morador das comunidades um analfabeto desprovido de qualquer consciência e vontade própria, urrando aos quatro ventos que não é necessário ação tal e que todos os bandidos, por não participarem de uma instituição organizada doutrora, não merece atenção, acha que somente o Estado matou moradores e que tem de construir escola mesmo com o tráfico lá (não sei se o Sr. Barreto sabe a dificuldade que se cria erguer obras num campo assim, eu sei, e é muita) . Mas, dentre essas duas visões, o que poderia estar estranho? Bem, defender um ponto de vista somente, sem abertura para o debate da outra, já é estranho, devido à complexidade do assunto e nem me atrevo, especialmente valendo-me da visão restritamente acadêmica de alguns medalhões das duas frentes. Mas, pensei, quem seria a maior vitima ou beneficiado desta ação? Assim, munido de minha curiosidade canina, passei o texto para que quatro residentes do Complexo do Alemão (dois da Fazendinha, um da Baiana e outro do Alemão) , que trabalham aqui no escritório e compõem a equipe de campo, lessem e expusessem suas opiniões. Creio que isso é que importa. Um já tinha me contado que teve o irmão morto por causa de pipa (sim, pipa), já saberia dizer qual sua postura ao ler o texto. Os outros três, nem tanto. Dentre alguns incitáveis xingamentos, as falas (trechos, obviamente) “Então ele não sabe mesmo a que ponto chegamos nas comunidades” , “Esse daí nunca passou mais de uma hora num morro” (foi engraçada) e, dentre outras opiniões “Só porque lá não tem milícia lá não pode ter polícia?”. “Esculacho de bandido e esculacho de polícia tanto faz, foda-se. Só que a polícia eu sei tratar”, “Um cara que cresceu comigo tá na casa da minha tia” (referindo-se a um fogueteiro que queria sair fora, não podia, e esperou a ação da polícia pra sair do movimento) Esses quatro cidadãos se mostraram favoráveis à ação na casa deles. Não sei se isso agrada ao Governador. Não sei se isso agrada ao Gustavo. Eles pareciam satisfeitos. O que me foi passado hoje à tarde é que eles não querem mais viver do jeito que viviam. Esses quatro cidadãos passaram noites terríveis. Estavam lá, enquanto eu, quentinho, assistia a tudo na TV, parafraseando esse ou aquele legislador ou acadêmico. Agora, o que urge fazer para que esses quatro não passem pela mesma merda ano que vem, aí já são outros quinhentos e pede uma discussão com muito menos paixão ideológica.

  • Hey Rodrigo, eu daria muito mais valor se os moradores que trabalham no seu escritório tivessem tido a mesma oportunidade que o dono do escritório.
    Talvez se o governo tivesse investido seriamente em educação no início da formação da favela eles poderiam hoje estar no quentinho vendo TV.
    Ao invés disso o governo combate violência com mais violência.

  • Adorei a matéria porque ela concentra resumidamente as colocações de diversas pessoas competentes que visam refazer a imagem que a grande mídia nos vendeu nesses últimos dias.
    O que fico perplexa e sem entender é como ainda estamos fadados a discutir um falso problema, pois nos propomos a indagar sobre a violência no Rio de Janeiro, que nesse caso, estaria sendo orquestrada por traficantes do varejo de droga na cidade quando na verdade, o verdadeiro crime organizado, se organiza dentro do Estado. Neste caso, apesar de extremamente violento e vendedor da imagem de herói, o filme tropa de elite, nos mostra um pouco como isso acontece e, apesar da platéia absurda, as pessoas parecem não se atentar para a mensagem da corrupção estatal.
    As imagens vendidas pela grande mídia era a de homens fugindo acuados da polícia, que enfrenta e sempre enfrentou a pobreza com tiros e sangue. Essa polícia fracassada e nazista que impõe seu poderio através de armas e mortes. Neste caso, a televisão nos mostrava essa fuga como uma maneira de impor a intimidação e produzir a covardia desses homens que fugiam para não serem mortos pelo poder público. Poder esse que jamais realizou qualquer incursão a favor da saúde nos hospitais; nas escolas, promovendo uma educação básica de qualidade e construindo mais escolas estruturadas ao invés do investimento em presídios; o que já mostra com o que estão preocupados, ou seja, com a produção de marginalidade e não da educação; incursão da saúde da família nas favelas do Rio de Janeiro; prevenção de doenças, etc.
    Nas imagens do Complexo do Alemão, mostrou-se um imenso lixão por onde a polícia e os fugitivos passaram e em nenhum momento se comentou sobre isso, sobre a insalubridade local. De forma parecida, para mostrar o esvaziamento das ruas, mostraram porcos andando por elas e em nenhum momento se cogitou como aqueles animais estariam no cenário urbano local.
    O que se mostrou foi mais um show, devidamente previsto pelo poder público, visto que este não está “do outro lado do crime” e que corroborou com a morte de muitos inocentes e de outras pessoas produzidas pelo sistema recista e dicotômico que precisa fazer morrer os ditos inimigos do Estado para que os ditos “de bem” sobrevivam, leia-se os de bem como a classe mais abastada.
    Estamos diante de uma situação grave e triste visto que a maior parte da sociedade parece não querer ver o tamanho do buraco que estamos, acreditando que tudo é uma questão de facção, de crime perpetrado pelos pobres e de ação policial como solução. A população em geral desconhece nosso sitesma produtor de lixo humano, de criminalização da pobreza e incobre essas ações, sempre bélicas, com palmas e discursos moralizantes, tecendo uma dicotomia entre bem e mau, como nos desenhos animados, diga-se de passagem, produtores ferrenhos das imagens de bandidos e mocinhos, que quando adultos, passamos a apontar.
    Porém, devemos lembrar que diferente dos desenhos que não morrem, ou quando morrem, tudo fica bem ou é esquecido no próximo capítulo, os episódios de violência que estamos assistindo, têm consequências na vida de todos nós e, por isso, não podemos nos separar em classes ou cores, pois a munição não escolhe sua tragetória.
    Finalizo parabenizando seu esforço e escrever e tentar mostrar que toda história tem vários lados e que não existe verdade absoluta,além disso, pela coragem e perseverança em acreditar em dias melhores através da informação.

  • Affffffff…como este tesxto e muitos destes que acabam de escrever comentarios a respeito do mesmo são hipócritas! Contra estas imagens nao existem argumentos! Quanta droga apreendida, quantas armas que nem o exercito brasileiro tem em mãos, que estão sendo apreendidas! E vcs, hipócritas, atras de seus teclados, em seus escritorios com ar condicionado, escrevem estes comentários absurdos e patéticos. Mesmo que seja ainda pouco o que as autoridades tem feito no Rio, já é bom. Ainda mais que de agora em diante nao tem volta, vão sempre pra cima do crime organizado do Rio. Todas as favelas terão ainda UPPs. O que nao se pode exigir é que todas sejam feitas no mesmo dia. Isso será um processo longo e completo. Porém, demanda tempo pra serem concluidos. Mal começaram a agir contra o crime no Rio e já aparecem este monte de bocas malditas e cidadãos insensatos pra falar contra o que está sendo feito. O que voces hipócritas tem feito pra ajudar? Nada! O que fizeram em toda suas vidas pelo povo desssas favelas? Nada! Então, coloquem o rabinho entre suas pernas e deixem as autoridades fazerem por eles, mesmo que ainda seja pouco, quem sabe um dia, poderão completar o que começaram? Apoio a policia Carioca, o Bope, Apoio Sergio Cabral, Apoio o Exercito e todos aqueles que fizeram os bandidos fugirem como ratos pelos esgotos deixando pra tras toda aquela droga e armamento. E vcs, hipócritas, procurem algo verdadeiramente util para dizerem ou mesmo para fazerem por este povo carioca que tanto carecem de ajuda e de uma mão amiga neste momento.

  • Não se trata de hipocrisia, caro amigo! Observo que todos anseiam por uma Cultura de Paz e, poucos já tem consciência de que a visão “queres paz, prepara-te para a guerra” não resolve. Como cidadãos, temos direito à Educação, Saúde e Segurança. Considero todas as críticas pertinentes, não precisamos excluir uma perspectiva em detrimento da outra, muito pelo contrário, precisamos de união para enfrentar esse problema que é de todos nós com o máximo de competência possível. Agressões mútuas e gratuitas apenas dispersam energia nesse momento, busquemos foco de maneira crítica e prática. Há ações urgentes que precisam ser realizadas em nosso país a curto e longo prazo, negligenciar qualquer uma delas é irresponsabilidade. Que cada um com o seu talento, possa fazer a sua parte. Acredito que o Gustavo está tentando fazer a dele, qual será a sua? E a minha? Sigamos pensando e agindo!

  • “…por este povo carioca que tanto careceM de ajuda e de uma mão amiga neste momento.” carece, e não careceM

    Só uma pergunta, Arilson: e vc? O que tem feito pra melhorar alguam coisa? Porra nenhuma, aposto…

  • Adriana, disseste tudo! Concordo com vc em gênero, número e grau!

    Concordo que a solução pra essa barbárie que o tráfico promoveu (arrastões, assaltos, incêndios, etc) exigia mesmo uma solução imediata, e não uma discussão numa mesa redonda. Em certos casos, situações extremas requerem medidas extremas. Concordo com o Rodrigo: não é pq menos de 1% das favelas é composta por criminosos que não se pode entrar lá pra prender essa galera (afinal, os próprios 99% dos habitantes de lá sofrem nas mãos desses 1% – eeeeem alguuuuns casos). Tambpem sabemos que vários traficantes ajudam várias comunidades, pois não é de hoje que as mesmas praticamente inexistem pro governo. E quem acha que matar e prender a bandidagem do Complexo do Alemão vai resolver a violência no Rio de Janeiro, é melhor pensar melhor. É fácil combater o marginal e a sociedade apoiar. Mas e a milícia? E o bandido fardado? E o bandido engravatado, que certamente lucra com o mercado negro das drogas (e não só das drogas)?? O que fazer pra denunciar um fardado que está coagindo uma comunidade? Denunciar a polícia à polícia? E outra: por que será que a legalização da maconha (por exemplo) é tão comentada em revistas, sites, jornais, mas não há uma efetiva discussão sobre o assunto pelos governantes? E digo mais: quando há, o povo sequer toma conhecimento. Sérgio Cabral, FHC e muitos outros, abrem essa questão da descriminalização de certas drogas… e pq? “Ahh, pq são um bando de maconheiro, xinxeiro, etc”. Quem pensa assim, no mínimo, é retardado. Será q é tão difícil enxergar que tapar o problema é mto pior do que expô-lo? 10 anos pra cá: o consumo de drogas diminuiu com a repressão? Não, aumentou!! Adiantou então?? Porra nenhuma. “Ahh, então liberar geral vai melhorar!”. Também não! “Então, o que fazer?”. Eu não sei, eu não sou o dono da verdade (e ninguém é). Por isso, o assunto deve ser tratado às claras, e não simplesmente “Não, é proibido e pronto”. Raciocinemos: Pq é tão engraçado (até motivo de pôr no youtube) quando o carinha lá bebe igual um gambá, fica torto e faz um monte de merda? É engraçado também qdo esse mesmo carinha se irrita (sob efeito do álcool, uma droga lícita e mto mais perigosa do que a maconha, em TODOS os sentidos) e dá um soco em alguém, ou bate com o carro? É legal? Não, é só um número a mais nas estatísticas. Mas se alguém sente um cheiro de erva na rua, por exemplo, já olha pra todos os lados e sente medo, acha um abuso, um absurdo, uma afronta à sociedade… que país é esse? Até quando as pessoas vão tampar o sol com a peneira? “Eu acho que tem que proibir e prender maconheiro siiiiiimmmm”. Então tá: vamos proibir o álcool tb. Será que todos vão apoiar? Quem mata mais: o álcool ou a maconha? Abomino a existência do tráfico de drogas SIM, abomino e repudio qualquer tipo de violência armada e abuso de poder. Mas se há proibição de certas substâncias menos prejudiciais (deixemos cocaína, crack, heroína & cia longe deste debate), por que então não proibir tudo que causa entorpecimento? Proíbam o álcool também… pronto. Quem aqui vai concordar? Eu não bebo mesmo, então por mim… (não é assim que a mente egoísta das pessoas funciona?).

    P.s.: eu realmente não bebo, mas pra quem não tiver percebido, estava sendo sarcástico na minha consideração final.

  • O Senhor realment considera “O Dia” como um jornal verdadeiro? Só esta afirmação já nos permite formar um quadro de suas “fontes”… O senhor acredita que a população não deva ser informada sobre o que ocorre nas periferias? Hoje em dia já não existem mais “periferias”, meu caro. Vivemos todos dentro do mesmo caldeirão, alimentado pela corrupção policial, pela falta de assistência educacional, pela falta de bons exemplos, pela carência de moral e ética que sirvam como embazamento à esta pobre sociedade…
    E, para não me alongar mais, sugiro que o senhor aprenda a escrever. O mínimo que esperamos de um jornalista é que conheça a gramática da própria lingua. E as suas concordâncias verbal e nominal deixam muito a desejar. Ou o senhor não é brasileiro?

  • Concordo com Gustavo. Parte da sociedade, em especial as classes média e alta, paralisada pelo medo alimentado pela mídia sensacionalista, aplaude a invasão bélica das favelas na “guerra” contra o “mal”. Essa dicotomia propagada pela mídia de bem x mal, polícia x traficante é, na verdade, falsa. O mesmo argumento é utilizado na “guerra ao terror” liderada pelos Estados Unidos. Boa parte do tráfico ocorre com a conivência da polícia, e muitos policiais (bem como outros agentes do Estado) estão envolvidos no tráfico e lucram com ele. Assim sendo, o problema está relacionado a uma gama de fatores, dentre eles a corrupção da polícia, que também é motivada pelos baixos salários que os policiais recebem. Há, sim, muitos policiais honestos e que trabalham arduamente, mas, infelizmente, boa parte da polícia está envolvida com corrupção. Além disso, os traficantes pobres e semi-analfabetos que moram na favela são apenas uma ponta do tráfico. Quem está por trás desse negócio milionário não aparece na mídia (pelo menos com relação a este assunto) e não mora na favela. Desta forma, a ocupação do Complexo do Alemão não vai acabar com o tráfico e com a violência. Os traficantes presos ou mortos serão substituídos por outros. Como bem lembra o deputado Marcelo Freixo, em 2007 já realizaram operação semelhante no Alemão, matando 19 pessoas, e o tráfico e a violência continuam os mesmos. Ademais, não há interesse real em eliminar o narcotráfico, pois muita gente deixaria de lucrar com esta indústria bilionária (é o segundo item do comércio mundial, ficando atrás, apenas, do tráfico de armamento). Freixo argumenta que, se quisessem mesmo acabar com o narcotráfico, fiscalizariam a Baía de Guanabara, os portos e aeroportos clandestinos, por onde as armas que alimentam o tráfico e a violência entram: “O lucrativo negócio das armas e drogas é máfia internacional. Ingenuidade acreditar que confrontos armados nas favelas podem acabar com o crime organizado. Ter a polícia que mais mata e que mais morre no mundo não resolve”. Violência por parte do Estado não é a resposta para o tráfico, não só porque não vai funcionar, mas, principalmente, por causa das inúmeras violações aos direitos humanos dos moradores das comunidades que ela vem causando – ao terem seus lares arrombados e ao serem agredidos ou mortos por policiais. 37 pessoas (oficialmente) foram mortas nas ocupações dos últimos dias, incluindo adolescentes e a menina de 14 anos mencionada acima por Gustavo. Todas estas constatações, somadas ao fato de que as favelas ocupadas localizam-se na zona sul, antiga área do porto, Jacarepaguá e área do Maracanã – a “rota” da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, como nota Paulo Sérgio Pinheiro -, evidenciam que as operações atuais não visam lidar com a raiz do problema da violência, que é a desigualdade social, mas “higienizar” o Rio de Janeiro para a vinda dos visitantes estrangeiros durante tais eventos. É positiva a idéia de o Estado retomar o controle dos territórios das comunidades, o qual há muitos anos está ausente nestes locais. No entanto, deve haver mais presença estatal na favela do que apenas a força da polícia. Devem também existir escolas, bibliotecas e hospitais. Para se pensar em acabar com o problema do tráfico, da criminalidade e da violência, deve-se primeiro pensar em possibilitar os moradores das comunidades de exercer seus direitos a saúde, educação, lazer, exercício da cidadania, etc, pois a realidade destas pessoas tem sido, desde sempre, de completa exclusão e falta de oportunidade.

  • Muito bom o texto do Gustavo. Para nós que apoiamos a revolução socialista no Brasil, deparamo-nos com as máscaras da grande mídia manipuladora dos fatos. Inúmeros policiais são vítimas quanto os chamados bandidos dos morros e favelas de uma ordem econômica excludente e injusta como o capitalismo. Creio que a agonia do capitalismo nesta crise pela qual está passando, os donos do capital estão cometendo desatinos monstruosos contra o povo trabalhador. Felizmente o monopólio da mídia de massa é o principal instrumento para maquear a realidade. No momento, os políticos comprometidos com a revolução não devem e não podem se esquivar de questionar as raízes do problema que está, sem dúvida na ordem econômica capitalista.

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