O fascismo não me impressiona

Jornal O Dia, 3 de abril de 1964: “Fabulosa demonstração de repulsa ao comunismo''.

Jornal O Dia, 3 de abril de 1964: “Fabulosa demonstração de repulsa ao comunismo”.

É importante esclarecer: o fascismo e mesmo ideias neonazistas, longe de ser um anacronismo histórico, não deveria impressionar. Combater, mas não impressionar. Muito menos perder nosso tempo em inutilidades.

Hoje, a Polícia Militar – forma mais visível do regime militar – ainda opera sem comando civil em muitos casos, sendo responsável por 20 a 25% dos assassinatos no Rio (http://bit.ly/1OuqFvZ) e em São Paulo (http://glo.bo/1OuqHUq). Como os fascistas envergonhados reagem? Que absurdo, tem que investigar, não deveria acontecer – e acabou por aí, todos felizes porque não é comigo. E os fascistas honestos? Era bandido, um a menos.

Podemos, assim, entender como acontecia no regime militar. Sumiu? Foi torturado? Assassinado? Era “comunista”, não merecia mesmo viver, alguma coisa ele fez. É só não se meter em “confusão” que não morre.

Essa lógica continua. Não começou no governo Temer, e agora só tende a piorar, visto que o ex-comandante dessa polícia assassina é nosso ministro da “Justiça e Cidadania”.

Não se impressione com fascistas. São pessoas que adoram uma ditadura e seu sonho é ver a violência resolvida na base da porrada e da tortura. O ideal de nação dessas pessoas é um desses países do Oriente Médio, como a Arábia Saudita ou o Barein, em que a imprensa só fala o que é “correto”, os defensores de direitos humanos são exemplarmente presos e a economia, por ser previsível e na mão de poucos, “dá certo”.

Brigar com um fascista numa discussão estéril na Internet só tira o precioso tempo de mobilização real pró-democracia. Não vale a pena. Fascistas vão aceitar qualquer coisa, até mesmo o extermínio físico da oposição, para ter um governo de “homens de bem”. Temos exemplos incontáveis na História e na Internet.

Outro interesse possível são daqueles que querem entender o fascismo, suas raízes, o discurso público em torno dele etc. Sugestão: entre no site da Biblioteca Nacional e busque os jornais dos anos 1930. É rápido e eficiente. Não precisa gastar horas em debates infrutíferos de gente que não sabe nem o que é direitos humanos direito.

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Com tanto fundamentalista religioso no governo biônico, fico imaginando os primeiros anúncios desta segunda: “Abençoados, cortamos os programas sociais, mas como descreve Êxodo 16:3, o Senhor lhes fará chover pão do céu e o povo sairá e recolherá diariamente a porção necessária para aquele dia”.

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No fundo a gente agora tem medo de entrar no Facebook e encontrar aquelas manchetes loucas do tipo “Temer anuncia concessão de Ministério da Educação para a Fundação Bradesco”.

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Só para não nos perdermos: 14 empresários de mídia super conhecidos foram citados há pouquíssimos dias nos Panama Papers junto com suas robustas contas no exterior. Alguém viu matérias na TV sobre isso? Ou mesmo nos jornalões?

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“Não reclame da crise, trabalhe”, diz Michel Temer.

Querido, a juventude de hoje estuda, trabalha, arranja treta no whatsapp, tem dois ou três peguetes e reclama da crise. Bem-vindo ao século 21.

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“A única certeza de Temer sobre a Cultura é que deve ser rebaixada” – confira aqui a excelente entrevista com o ex-secretário-executivo do Ministério da Cultura sobre o momento atual. Imperdível.

Falando nisso, a Diretoria Executiva da EBC soltou nota sobre as ameaças que pairam sobre a instituição, que busca ser pública – e não estatal –, seguindo modelos bem-sucedidos internacionais de um sistema público de comunicação independente. Leia aqui.

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Eu admito minha burrice: repeti duas vezes na escola, inclusive em Matemática.
Claro que eu não chegou ao ápice de dizer que esta é a pior crise econômica da História do Brasil. Mas mesmo assim eu era um dos mais burros da sala.

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Para que a semana não comece tão dura: