Nota sobre uma injustiça teológica

Se Deus por um só momento tivesse me perguntado alguma coisa sobre o destino de Amy Winehouse, teria lhe dito o seguinte: Senhor, que de todas as drogas utilizadas por Amy, fique nela apenas o prazer e que a overdose vá toda para “Lady” GaGa. Esta sim, já deveria ter morrido a muito tempo ou nem nascido. Lamento em muito esta injustiça teológica, a saber, a morte de Winehouse: Voz semi-rouca, que mais lembrava uma diva do Jazz (tipo Billie Holiday ou Nina Simone); letras inteligentes, ironicas e criticas a seu modo; penteado a la Brigitte Bardot no final dos anos 60; Traços existencialistas da pop Juliette Gréco e uma beleza disforme e bem estranha para os padrões do “mercado estético mundial”. Aquela simplicidade do rock inglês suburbano que faz algum sucesso vai se perdendo sem Amy Winehouse e os amantes da boa música perdem a irreverência desta “inglesinha judia de parafuso solto” num mundo que cada vez mais faz apologia do bom-mocismo e do comportamento de idiotas. Isto serve ao Capital…

Em tudo, Amy nos lembra Billie, a Holiday. esta negra genial, pobre, prostituida, vulnerável e com uma voz lânguida e vigorosa e que desde as ruas do Harlem até as prestigiosas salas de espetáculo lutou a vida inteira para se impor… Sexo, álcool, drogas várias, Lady Day e Lady Amy experimentaram quase todas, mas foi no palco e nas ruas, cantando extra-ordinariamente, que elas viveram a experiência do verdadeiro amor e da breve luz da liberdade. Morreram tragicamente, porque viveram perigosamente e responderam radicalmente aquela pergunta do personagem de William Faulkner: “Entre o sofrimento e o nada, o que prefere?”, elas reponderam: o sofrimento. Ousaram, marcaram suas passagens na terra. Não foram medíocres e isto basta para um só ser humano.

Romero Venâncio, estudioso de filosofia e educador universitário.

Seções: Opinião. Tags: .

Romero,

Admiro a homenagem feita à Amy que, sem dúvida, é merecedora dos mais bem quistos elogios. Mas acho que você foi um tanto deselegante ao envolver a Lady Gaga da forma como fez no texto.

Não importa o quão ruim for a obra de um artista (o que, para começar é um julgamento e, por isso, tem caráter relativo), desejar sua morte – ainda que de forma fantasiosa – será sempre forte demais.

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