Ninguém mais duvida de que o Cabo Anselmo fosse sempre agente duplo

Anselmo disse a Octávio Ribeiro
que se
entregou ao Dops; depois,
inventou que foi preso e torturado

A pretensão do Cabo Anselmo de ser anistiado como vítima da ditadura de 1964/85, embora reconheça ter-lhe prestado serviços sanguinários de 1971 em diante, não deverá resistir ao testemunho gravado de Cecil Borer, ex-diretor do Dops da Guanabara.

Dois anos antes de morrer, Borer (1913-2003) declarou à reportagem da Folha de S. Paulo que José Anselmo dos Santos não só atuava como colaborador do seu departamento no momento do golpe de Estado, como prestava o mesmo serviço ao Cenimar e à CIA.

Tal gravação deverá determinar a recusa do pedido de Anselmo, foi o que avaliaram cidadãos cuja opinião tem muito peso na área de defesa dos direitos humanos e, certamente, deve coincidir com a de membros da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, à qual cabe elaborar um parecer sobre o caso.

Assim, para o secretário especial dos Direitos Humanos da Presidência da República Paulo Vannuchi a nova evidência “derruba a pretensão” de Anselmo.

Vannuchi admite que existia a possibilidade de a Comissão ser obrigada a anistiar o ex-marinheiro, decidindo com base “técnica e jurídica” e tendo de colocar em segundo plano sua “repulsa política e ética”.

Agora, não mais: “O depoimento [de Borer] dá o fundamento [que faltava] à Comissão de Anistia, porque a decisão seria difícil”

A avaliação de Vannuchi coincide com a da presidente do Grupo Tortura Nunca Mais no Rio de Janeiro, Cecília Coimbra, que declarou: “O Cabo Anselmo não passou a colaborar após a prisão. Ele já era infiltrado. Não tem direito a nenhuma anistia”.

E também com a da a atual diretora e ex-presidente do GTNM em São Paulo, Rose Nogueira, para quem “está mais do que claro que ele já era infiltrado antes de 1964”.

A decisão final caberá ao ministro da Justiça Tarso Genro, que pode acatar o entendimento da Comissão ou tomar decisão diferente, conforme sua convicção.

No entanto, a praxe é o ministro prestigiar o parecer, salvo quando surge um fato novo de muita relevância no período de alguns meses que transcorre entre a análise do caso no colegiado e a assinatura da portaria ministerial.

E Anselmo não deve esperar nenhuma condescendência por parte de Genro, que no início do mês passado já antecipava existirem índicios de sua atuação como “agente infiltrado dos golpistas” no pré-1964, o que o desqualificaria como perseguido político:

“Não cabe a aplicação da Lei da Anistia a pessoas que deliberadamente atuaram como agente do Estado, seja para desestabilizar um regime legal, como era o governo João Goulart, seja depois, numa estrutura paralela”.

Ironicamente, o ministro acrescentou que, na hipótese de indeferimento do seu pedido de anistia, Anselmo poderia entrar com ação ordinária contra a União, requerendo indenização por haver atuado na repressão política sem reconhecimento do Estado “pela prestação desse regime”.

ANSELMO VENDIA INFORMAÇÕES
DO DOPS PARA AS MULTINACIONAIS
Mas, estará mesmo Anselmo precisando desesperadamente de recursos, conforme alega? Aí tudo que temos são suposições, pois ele, com as opções que fez, escolheu viver como um incógnito no seu próprio país.

Ele próprio admite, p. ex., que recebia remuneração dos órgãos de repressão política quando os ajudava a destruírem a Vanguarda Popular Revolucionária e prenderem/executarem seus militantes.

Uma revelação interessante acaba de surgir no site do Luiz Nassif, sobre o que o sinistro personagem andou fazendo depois de dizimados os grupos guerrilheiros, conforme relato do veterano jornalista Antonio Carlos Fon:

“Cabo Anselmo frequentava o Dops de São Paulo, onde tinha um sócio, o delegado Josecyr Cuoco, com quem mantinha uma agência privada de informações que, com agentes infiltrados no movimento sindical e acesso aos relatórios dos alcaguetes do Dops, vendia informações para as multinacionais, especialmente do setor automobilístico, na época muito assustadas com o novo sindicalismo que nascia no ABC”.

Segundo Fon, a espetaculosa entrevista que Anselmo concedeu em 1984 ao Octávio Ribeiro (Pena Branca), para publicação na IstoÉ, foi articulada pelo delegado Cuoco, com a ajuda do Cenimar, exatamente para evitar que a revista expusesse as atividades da tal agência privada de informações.

Em 1999, Anselmo falou também ao Percival de Souza, que fez outra reportagem igualmente extensa. As matérias-de-capa da IstoÉ e da Época foram expandidas para livros por Octávio Ribeiro e Percival de Souza. Seguramente Anselmo terá recebido uma boa grana nessas ocasiões.

Finalmente, em suas andanças recentes, o ex-marinheiro tem sido sempre escoltado pelo delegado Carlos Alberto Augusto, do 12º distrito de São Paulo.

Estavam juntos quando a rede Globo levou ao ar o Linha Direta com o Cabo Anselmo, há dois anos.

Juntos foram recentemente cumprir os requisitos para Anselmo reaver sua identidade.

E juntos se apresentaram no Canal Livre de domingo passado, quando os adesivos anticomunistas e golpistas do jipe do delegado causaram tal perplexidade nos profissionais da rede Bandeirantes que até no ar esse assunto foi levantado.

Quem é, afinal, o tutor de Anselmo?

De janeiro de 1970 a 1977, Augusto trabalhou sob as ordens diretas do terrível delegado Sérgio Paranhos Fleury no Dops/SP, quando era conhecido como Carlinhos Metralha, por andar amiúde com uma metralhadora pendurada no ombro.

Recentemente apontado ao Ministério Público Federal como torturador por Ivan Seixas, diretor do Fórum dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos de São Paulo, Carlinhos Metralha até hoje dá declarações deste tipo:

“Esses caras do governo [Lula] são todos sanguinários. Tudo comunista bandido e covarde. Estou à disposição dos militares na hora em que eles precisarem de novo”.

Enfim, tudo leva a crer que Anselmo jamais tenha saído da órbita dos órgãos de segurança e das estruturas montadas por antigos torturadores. Não por acaso, tem o apoio incondicional dos sites de extrema-direita, como o Alerta Total, do Jorge Serrão.

Daí as consistentes suspeitas de que sua insistência em ser anistiado não se deva a precariedade material, mas seja, tão-somente, uma nova provocação, desta vez para desmoralizar a atuação da Comissão de Anistia e do próprio Ministério da Justiça.

Caso em que o tiro terá saído pela culatra, pois agora ninguém mais duvida de que ele haja sido um agente duplo ao longo de toda sua infame trajetória.

Esse Cabo Anselmo merece é um tiro de fuzil na boca!

  • A informação primeira que tivemos quando estudantes do restaurante universitário e vinda pelo PCB é de que o serviço secreto do exército tinha advertido João Goulart de que o Cabo Anselmo era agente duplo do CENIMAR e da CIA. Mas os jovens estavam propensos a admirar a luta armada e não acreditaram na informação pois o PCB era suspeito por ser contra ela.

    Outra informação interessante que apareceu na época foi a de um sergipano, militante do PCB que se expressou assim: “Como esse cara pode ser de esquerda? esse cara era o maior veado lá do colégio dos padres de sergipe; mas como ele agora está do nosso lado não vou mais tocar no assunto”.

    Aparentemente isso pode parecer apenas um preconceito sem nada a ver com o comportamento político dele. Mas se juntarmos as peças veremos que tem a ver. Principalmente com o fato dele ter entregue a mulher dele grávida para ser morta. A Kátia Valadares que fugiu com o marinheiro companheiro dele, afirmou em nota publicada nos jornais no fim da guerrilha que finalmente não havia mais dúvida, ele o Cabo Anselmo era um dedo duro e um “deformado sexual”. Há informações também de fuzileiros navais aposentados nesse sentido: “Ele era homossexual, mas era um grande líder, ele obtinha grandes benefícios para nós reivindicando junto às autoridades da marinha”.

    Ora, o preconceito naquela época era mil vezes maior que hoje e hoje se sabe que o CENIMAR tinha equipe de psicólogos que avaliava desde os escoteiros da marinha para cooptar pessoas para determinads tarefas secretas de acordo com a sua personalidade. Existem vários desses que se reformaram e buscam recomeçar a vida.

    Provavelmente, o Cabemo Anselmo sem coragem de se assumir, foi presa fácil do CENIMAR que o transformou num agente precioso para combater o comunismo via o absurdo (tática já usada pela igreja há mil anos).

  • Caros leitores,
    A verdadeira história ainda vai aparecer. O cabo Anselmo que na verdade era marinheiro de lªclase não é isso tudo que falam dele. Por Lei ele tem direito a receber sua indenização sim. Ele pode ter traido os assassinos que matavem inocentes,que assaltavam bancos,sequestravam autoridades,roubavem joalherias,lojas de armas,super marcados, justiçavam até seus companheiros. Mas não traiu a Pátria como esses bandidos que estão no poder. Ele nunca foi agente oficial nem de porra nenhuma (apenas colaborou com as autoridades como outros muitos, não queria que morrece mais gente de ambos os lados), se denúnciou foi porque queria sobreviver.Ninguem conhece melhor ele do que EU. Saiba mais acessando:www.ternuma.com.br.(quem são eles) e http://www.midiasemmascara.com.br(fundação do foro de São Paulo e Diálogo Interamericano)Carlos Alberto Augusto

  • Caros leitores, depois que coloquei o texto acima, nenhum filho da puta comunista comentou qualquer coisa.
    Porque será ?

    Carlos Alberto

  • (Fu)Dido, ignorante é quem fica à sombra dessa quadrilha liderada pela “presidenta” – argh!!! guerrilheira, assaltante, homicida e conspiradora.
    Vai procurar um livro de história (decente) pra ler. Se é que sabesw far isso.

  • Curiosa essa afirmação do leitor Carlos Alberto Augusto: “A verdadeira história ainda vai aparecer.”. Os golpistas de 1964 tiveram 20 anos para produzir o conhecimento histórico sobre aquela época. Tinham tudo às mãos, principalmente DOCUMENTOS, matéria prima essencial à ciência “HISTÓRIA”. Mas não produziram nada além de propaganda. Ao contrário, destruíram os documentos que poderiam revelar inequivocamente o que, como e porque tudo aconteceu, dificultando e, em alguns casos, inviabilizando a pesquisa histórica científica. Daí ficam repetindo essas baboseiras nojentas.
    Esqueça, sr. Carlos Alberto, seu tempo acabou.

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