Na Paraíba, celebram os 500 anos da Reforma. Clamor por reformas na Igreja Católica

Ainda sob o calor do acontecimento, temos a alegria de compartilhar uma breve notícia acerca da realização, em João Pessoa, do Ato celebrativo em memória dos 500 Anos da Reforma, bem como do clamor por reformas ao interno da Igreja Católica Romana.

Foi organizado pelo Grupo Kairós Nós Também Somos Igreja, um dos membros – ao lado de Nós Somos a Igreja – São Paulo – do IMWAC (International Movement We Are Church), lembrando que semelhantes iniciativas também ocorreram na Paraíba (tanto em Sobrado, mais precisamente em Café do Vento, como em João Pessoa, no Bairro José Américo, onde se realizou o Seminário sobre a Reforma, promovido conjuntamente pela Escola Fé e Política Dom Pedro Casaldáliga, quanto pela Escola Fé e Política Dom Antônio Batista Fragoso. Esta notícia, por enquanto, restringe-se ao Ato organizado por Kairós Nós Também Somos Igreja.

Como previsto, o Ato começou por volta das 9 horas. Desde as 08 horas, chegou um pequeno grupo, para montar, no centro da Capela Ecumênica da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa, um belo cenário alegórico, com elementos alusivos tanto à memória dos 500 anos da Reforma, (organizado por Aparecida, Andrea e Cristiane) quanto às urgentes reformas reclamadas por católicos e católicas, em distintos países.

Até pela capacidade física da Capela, não estava prevista uma grande afluência. De fato, estiveram presentes, além de membros do Kairós, participantes de outros grupos católicos. Assentos dispostos em forma circular, como é praxe em encontros das comunidades cristãs de base, foram dadas as boas-vindas, em nome da Organização do Ato, por Aparecida Paes Barreto, ao tempo em que propôs uma roda de apresentações.

Teve-se o cuidado de informar aos participantes do Ato que, naquele momento, também estavam reunidos e em comunhão vários grupos de católicos e católicas espalhados por diversas regiões. Em seguida, com o texto do Roteiro da celebração (ver em anexo) em mãos de cada participante, convidou-se cada participante a juntar-se em Oração. Foi proposto o canto inicial – “Prova de Amor maior não há / que doar a sua vida pelo irmão (em sintonia com a leitura do Evangelho do dia (Mt 22. 34-40) (cf. https://www.youtube.com/watch?v=OxqMMKGLLp0). Após o canto foi feita a recitação dialogada do Salmo 72. Recitação e interiorização por meio de destaques espontâneos de algum versículo. Vale assinalar que a escolha do Salmo 72 se deveu, também, ao fato de sintetizar (inclusive na interpretação do Pe. José Comblin) o sentido de “Reino de Deus.

Na sequência, entoamos um canto de proclamação do Evangelho, bem conhecido dos presentes: “Toda Palavra de Vida é palavra de amor/ Toda ação de Liberdade é a Divindade agindo entre nós” (cf. https://www.youtube.com/watch?v=HyDVFU12MbU).

Com a Bíblia em mãos, foi proclamado o Evangelho: (Mt 22, 34-40), após o que cada qual foi compartilhando, depois de um momento de silêncio, o que o Espírito Santo o/a inspirava, acerca da mensagem proclamada.

A segunda parte do roteiro consistiu em um breve trecho do artigo de Eduardo Hoornaert, contextualizando historicamente a figura de Martinho Lutero (confira: http://eduardohoornaert.blogspot.com.br/2017/10/la-importancia-historica-del-dia-31-de.html), seguida de intervenções espontâneas. Dentre os aspectos destacados, além do trecho lido do artigo do autor acima mencionado, seguiram-se outros realces, inclusive rememorando episódios dos movimentos pauperísticos, séculos antes de Lutero, quando já se ousava assegurar ao povo dos pobres seu direito de ler e ouvir a Bíblia em sua língua.

O terceiro momento do Ato foi dedicado a ler/refletir os principais pontos de clamor pelas urgentes reformas ao interno da Igreja Católica Romana:

– Pôr o Evangelho à frente do Código de Direito Canônico.
– Centralidade do Povo de Deus na organização da vida Eclesial, tendo os pobres como núcleo evangélico.- Participação das Mulheres nas distintas instâncias decisórias da Igreja.
– Reconhecimento da legitimidade das mulheres vocacionadas a exercerem, assim como os homens vocacionados, todos os serviços eclesiais.
– Reconhecimento da legitimidade de católicos e católicas, ordenados e não-ordenados, de escolherem livremente seu estado civil.

Ainda neste minha dedicamos atenção à sugestões fraternalmente enviadas por Reginaldo Veloso, presbítero das CEBs:

1) Em substituição ao Código de Direito Canônico, e como abertura ao que “o Espírito diz hoje às Igrejas”, elaborar, com base nas Escrituras e na Tradição das Igrejas Cristãs, uma Carta dos Direitos Humanos e Eclesiais, que sirva tanto à atuação no âmbito interno das Igrejas, como a na militância em meio à sociedade;
2) Superar a visão e a vivência hierárquica, no âmbito das Igrejas cristãs, adotando uma compreensão e uma prática que contemplem a todas as pessoas batizadas como servidores e servidoras, iguais em dignidade e diferentes de acordo com a natureza dos serviços que exercem, a partir dos dons e carisma recebidos, nos moldes do que propõe o próprio Jesus, nos Evangelhos, e do que propõem as Cartas Apostólicas;
3) Comprometer definitivamente as Igrejas cristãs com os destinos da Humanidade, na elaboração e implementação de um Sistema Social que priorize a Vida do Planeta e a Vida Humana, na perspectiva do Reino anunciado por Jesus, de modo que se apresse a “vinda do Reino”, tal como pedimos ao Pai-e-Mãe do Céu, como coisa que tem que acontecer, antes de tudo, “assim na terra como no céu”.

Com intensa participação dos presentes, nas discussões destas propostas, passamos para o quarto momento: o que o Espírito Santo nos inspira diante destes desafios? Nova roda de diálogos e sugestões sobre o nosso quefazer. Entre as sugestões, podem ser destacadas as seguintes:

– Em espírito de Oração e ação, seguir mobilizados em busca de tais reformas, sem ficar esperando passivamente que as coisas “caiam de cima”, mas tendo a coragem de já ir fazendo o que está ao nosso alcance pessoal e comunitário;

Seguir lutando e reunindo forças na perspectiva da realização, no tempo oportuno, de um concílio
do povo de Deus.

Na oração final, rezamos, nessas intenções, a oração que o Próprio Jesus nos ensinou o Pai Nosso.

Em seguida foi-nos dada a bênção por Marinete que, juntamente com Elias nos prepararam uma saborosa merenda.

João Pessoa, 30 de outubro de 2017.

Mais informações:

https://www.we-are-church.org/413/
https://kairosnostambemsomosigreja.wordpress.com/
http://teologianordeste.net/
http://eduardohoornaert.blogspot.com.br/2017/10/importancia-historia-de-31-de-outubro.html
http://outraspalavras.net/maurolopes/
http://consciencia.net/

ATO CELEBRATIVO EM APOIO A PAPA FRANCISCO E POR REFORMAS URGENTES NA IGREJA, NA COMUNIDADE DE CAFÉ DO VENTO (SOBRADO-PB).

Domingo, dia 29 de Outubro, a Comunidade de Café do Vento (50/60 pessoas) se reuniu no Salão São José para realizar o Ato Celebrativo: cantos, leituras, preces e reflexões, a partir da proposta recebida de Kairós Nós Também Somos Igreja.
O Ato foi organizado por um grupo e presidido por duas mulheres animadoras da Comunidade.

Da Carta a Tito, escutamos a recomendação do apóstolo Paulo: “Eu deixei você em Creta para organizar o que faltava fazer….”.
Do Evangelho de Marcos, cap. 6, entendemos a ação estratégica de Jesus enviando os discípulos em missão: “…chamou os Doze e começou a enviá-los dois a dois…”

No diálogo, foram destacados os seguintes pontos:

– A Igreja é mesmo Povo de Deus, como nós aqui reunidos em forma circular, e não de um jeito piramidal ou acadêmico (um ensina e os outros escutam !). É impossível que entre nós uma pessoa (padre ou bispo) saiba tudo e decida tudo sozinha.

– Um dos princípios que marca o pensamento e a ação do Papa Francisco é o princípio da Misericórdia. “o nome de Deus é Misericórdia”. Nós usamos este critério, muitas vezes e em vários casos na nossa comunidade. Para o Papa vale mais o Evangelho do que a Lei Eclesiástica.

– Quanto a possibilidade de mulheres serem ordenadas presbiteras, a comunidade se posicionou a favor. “Sim, é bom, pois a mulher é mais atenciosa, mais organizada, mais generosa e faz melhor as coisas….”. Foi lembrado que na comunidade, sem a presença do padre, mulheres já presidiram a celebração da Palavra com a benção e partilha do Pão e do Vinho.

A comunidade se reuniu colocando no meio a Bíblia e os documentos do Papa e rezou pela saúde dele.

O Ato terminou com um lanche fraterno, com pão e chá caseiros.

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