Mundo precisa de liderança global intensificada, diz Guterres

Às vésperas do fórum internacional do G20 na Argentina e antes da conferência sobre o clima COP24 na semana que vem em Katowice, na Polônia, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu uma liderança global intensificada, em um momento de queda da confiança internacionalmente.

Em briefing à imprensa na quarta-feira (28), Guterres disse que os encontros acontecem em um momento crucial. “Nosso mundo está obviamente enfrentando uma crise de confiança. Aqueles deixados para trás pela globalização estão perdendo confiança em governos e em instituições”, disse a jornalistas na sede da ONU em Nova York.

“Desigualdade é extensa e crescente, especialmente dentro de países. Disputas comerciais estão se agravando. E uma corrente de tensões geopolíticas está colocando mais pressão na economia global.”

O chefe da ONU destacou alguns exemplos dos duros desafios relacionados ao clima que o mundo enfrenta, como o relatório de terça-feira da ONU Meio Ambiente – pedindo um aumento de cinco vezes nas ações climáticas para limitar aumentos globais de temperatura para 1,5 grau Celsius até o final do século – e o anúncio da Organização Meteorológica Mundial de que níveis de dióxido de carbono aumentaram para níveis não vistos em 3 milhões de anos.

Guterres pediu ação imediata, destacando que os custos sociais, econômicos e ambientais das mudanças climáticas são menores que os custos para agir agora: “o fracasso em agir significa mais desastres, emergências e poluição do ar, que irão custar à economia global 21 trilhões de dólares até 2050”.

“Por outro lado”, acrescentou, “ação climática ambiciosa não irá somente frear aumento de temperatura, será bom para economias, para o meio ambiente e para saúde pública. Soluções climáticas representam oportunidade e a tecnologia está do nosso lado. Estes são bons investimentos em um futuro justo, próspero e sustentável. Negócios verdes são verdadeiramente bons negócios”.

Se voltando ao financiamento necessário para mitigação e adaptação às mudanças climáticas, o secretário-geral recordou o compromisso de mobilizar 100 bilhões de dólares ao ano para ações climáticas em apoio aos países em desenvolvimento até 2020.

Guterres elogiou o anúncio feito pela Alemanha na quarta-feira sobre a doação de 1,5 bilhão de dólares para o Green Climate Fund. “Os membros do G20 (grupo de países industrializados) são responsáveis por mais de três quartos das emissões de gases causadores do efeito estufa. Ainda assim, é igualmente verdade que membros do G20 têm o poder de alterar a curva de emissões. Eles também possuem os recursos para fornecer o financiamento necessário para mitigação e adaptação”.

Em preparação à abertura do G20 na sexta-feira (30) em Buenos Aires, Guterres enviou uma carta aos chefes de Estado dos 20 países participantes, na qual alerta sobre as ameaças “cada vez mais agudas” à prosperidade humana apresentadas pelas mudanças climáticas e pela desigualdade crescente. Na carta, Guterres destaca a necessidade de preservar e renovar multilateralismo para “redirecionar a globalização em direção ao desenvolvimento sustentável para todos”.

Para alcançar a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável, o plano da ONU para transformar o mundo para melhor, o secretário-geral destaca sete áreas para líderes do G20 priorizarem: Implementação da Agenda 2030 para Desenvolvimento Sustentável, Financiamento para Desenvolvimento Sustentável, Ação Climática, Futuro Sustentável da Alimentação, Igualdade de Gênero e Empoderamento de Mulheres, Futuro do Trabalho, e Migrantes e Refugiados.

A carta termina com um pedido para os líderes concluírem um ambicioso comunicado que “responda aos desafios de nosso tempo e sustente o espírito de cooperação”.

Fonte: Nações Unidas

(29-11-2018)

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